Quarta, 06 Junho 2018 00:00

Proteção da rede elétrica no condomínio: Sobre a coordenação entre tomadas, fios e disjuntores

Escrito por 

Se estes componentes não estiverem coordenados, a sobrecarga poderá virar um incêndio. Por exemplo, nunca se deve substituir o disjuntor sem antes verificar se o condutor (fiação) é compatível. Também as tomadas, de 10 ou 20 Amperes, devem estar coordenadas à fiação e disjuntores correspondentes.

Você certamente sabe o que é um disjuntor e já o viu várias vezes no quadro de distribuição da instalação elétrica da sua casa ou trabalho. Também já ouviu muitas vezes se falar em desligar o disjuntor para trocar uma resistência do chuveiro, uma lâmpada ou mesmo uma tomada certa. Mas você sabe a real função do disjuntor? Então vamos lá.

O disjuntor termomagnético, como é conhecido atualmente, tem duas funções:

A) A primeira é proteger o circuito elétrico de uma sobrecarga. Ou seja, se um determinado circuito elétrico ultrapassar a capacidade dele, o disjuntor acionará em tempo de segurança, desligando o circuito e impedindo que esta sobrecarga continue;

B) A outra função do disjuntor é eliminar o curto-circuito, que deve ser debelado imediatamente para que aquela energia luminosa e, principalmente a térmica (arco elétrico), não gere um princípio de incêndio.

Em resumo, o disjuntor tem a função de proteger todos os fios, desde que haja coordenação entre eles. Explico: Um fio ou cabo condutor de eletricidade de uma determinada seção transversal (diâmetro ou bitola) tem uma determinada capacidade de condução de corrente. Quanto mais grosso o fio, maior é sua capacidade de conduzir corrente. Mas o limite de condução de corrente de uma determinada seção de fio é dado pelo seu isolamento, pois quanto mais corrente se passa pelo fio, mais aquecido ele fica. E, se ultrapassarmos a capacidade do isolamento, este irá derreter e podem iniciar um incêndio, além dos fios ficarem expostos, podendo causar um curto-circuito. Então precisamos ter um dispositivo que garanta que esta temperatura fique nos limites aceitáveis certo? Este dispositivo é o disjuntor (pode ser o fusível também). Então cada seção de fio deve ter seu disjuntor correto.

Na prática, a definição do disjuntor requer demais parâmetros, como tipo de instalação, comprimento etc. Por isto é importante o projeto elétrico, mas vamos manter por enquanto nossa abordagem na seção do fio. Então, se um disjuntor de 50 Amperes está protegendo um fio que suporta somente 20, se você ultrapassar a capacidade dele, por exemplo, colocar 30 Amperes, certamente este fio irá aquecer e colocar em risco a instalação. Por isto a coordenação é muito importante. Nunca se deve substituir o disjuntor sem antes verificar se o condutor é compatível, estabelecendo assim a coordenação entre eles, compreendeu?

Tomadas

Mas você deve estar se perguntando ainda sobre a tomada. A tomada, assim como os fios, tem capacidade limite de condução de corrente. No Brasil as tomadas, de acordo com a norma ABNT NBR 14.136, possuem dois modelos: para 10 Amperes e para 20 Amperes. Portanto, da mesma forma como os condutores devem ser apropriados para cada tomada, uma tomada de 20 A não pode ter fios finos que suportam somente 15 Amperes com disjuntores que desligam com 30 Amperes. O mesmo não pode ocorrer com uma tomada de 10 A. A coordenação neste caso deve ser estabelecida, associando a tomada de 10 A, com um disjuntor de 10A e um condutor que suporte pelo menos 10 A....

Esta dica é superimportante, pois eliminaria os mais de 400 incêndios que a Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade) apurou em 2017.
Lembre-se: Contrate sempre um profissional habilitado e faça projeto elétrico!


Não reproduza o conteúdo sem autorização do Grupo Direcional. Este site está protegido pela Lei de Direitos Autorais. (Lei 9610 de 19/02/1998), sua reprodução total ou parcial é proibida nos termos da Lei.

Edson Martinho

Engenheiro Eletricista, é diretor-executivo da Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade). Professor, palestrante e articulista. Escreveu e publicou o livro "Distúrbios da Energia Elétrica" (Editora Érica, 2009)
Mais informações: edson@lambdaconsultoria.com.br