Lixo

O gerente predial Getúlio Fagundes Ramos, do Condomínio Paradiso Vila Romana, na zona Oeste de São Paulo, Capital, é um entusiasta da coleta seletiva. No edifício comercial em que trabalhara anteriormente, em Santana, na zona Norte, ele há tinha iniciado a experiência da separação de resíduos destinados à reciclagem. No Paradiso, um complexo de três torres e 168 unidades, onde Getúlio atua desde o início do programa, as campanhas de conscientização são recorrentes. O propósito somente terá resultado se contar com a colaboração dos moradores e funcionários, observa o gerente, lembrando que cada condômino tem a tarefa de descer o material e depositá-los em recipientes próprios.

Segundo Adriana Jazzar, nova Política Nacional de Resíduos Sólidos impõe obrigações aos condomínios de coleta seletiva

A Prefeitura de São Paulo inaugurou, nos últimos dois meses, duas usinas de triagem de material reciclado e ampliou de 67 para 75 os distritos que devem receber a visita semanal do serviço de coleta seletiva. A nova estrutura promete triplicar a capacidade de processamento do material reaproveitável, já que o programa oficial vinha esbarrando na impossibilidade de as cooperativas de catadores atenderem a todo volume gerado pelos domicílios.

As lixeiras exigem atenção especial do setor de limpeza por receberem grande quantidade de material orgânico, de líquidos e de objetos cortantes, entre muitos outros.

Da higienização rotineira à limpeza profunda, processos demandam procedimentos, produtos e equipamentos adequados, conforme o grau de sujidade do ambiente.

O meio-ambiente também deve ser uma preocupação da equipe de zeladoria dos condomínios.

Confira, abaixo, orientação deixada por Ernesto Brezzi, diretor da Câmara Setorial de Prestadores de Serviços da Abralimp (Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional).

Atitudes sustentáveis nos condomínios

Alguns condomínios da cidade de São Paulo estão com dificuldade para manter a coleta seletiva. A ideia pegou, a quantidade de material reciclável separado do lixo orgânico aumentou, mas a estrutura montada pela Prefeitura para sua retirada domiciliar e triagem nas centrais ficou do mesmo tamanho. Conforme dados oficiais do Município, publicados em fevereiro pelo Jornal da Tarde, o volume médio dos resíduos coletados diariamente na cidade aumentou 12,5% entre 2009 e 2011. Mas a quantidade do material encaminhado para reciclagem permanece perto de 1% em relação ao total coletado (214 toneladas/dia sobre 18 mil, perfazendo um índice de 1,13%. Era 0,71% em 2009).

Se você pretende fazer de seu condomínio um colaborador da natureza, aprenda um pouco mais sobre reciclagem e coleta seletiva de lixo. A coleta seletiva nada mais é do que separar o lixo (papel, metal, plástico e vidro) para que ele seja enviado para reciclagem - uma atividade, na maior parte dos casos, industrial, que transforma materiais usados em outros produtos. Outro conceito, mais amplo e muito usado por ambientalistas, é o da minimização de resíduos. Ele pressupõe seguir três regrinhas básicas, os chamados 3 R’s: reduzir o lixo, reaproveitar tudo que for possível e só então enviar para reciclar.

Dados divulgados pela Prefeitura apontam que o volume de lixo reciclável coletado na cidade de São Paulo cresceu oito vezes desde 2003, quando implantou o Programa de Coleta Seletiva.

O simples ato de colocar o lixo na rua, à espera da coleta, vem causando preocupações aos síndicos. Isso porque a instalação de lixeiras nas calçadas tem sido alvo de fiscalizações pelo poder público. Na opinião do advogado e consultor condominial Cristiano de Souza Oliveira, a questão é polêmica e está sujeita à interpretação da lei. O decreto 45.904/2005, que estabelece um novo padrão arquitetônico para as calçadas de São Paulo, destaca em seu artigo 7º: “A faixa de serviço, localizada em posição adjacente à guia, deverá ter, no mínimo, 70 centímetros e ser destinada à instalação de equipamentos e mobiliário urbano, à vegetação e a outras interferências existentes nos passeios, tais como (...) lixeiras, postes de sinalização, iluminação pública e eletricidade.” O capítulo VIII do mesmo decreto reforça que as lixeiras, entre outros itens, deverão ser instaladas exclusivamente na faixa de serviço.

Vale a pena implantar

Há dois anos, quando se tornou síndica do edifício onde mora, em Higienópolis, a apresentadora da MTV Marina Person não teve dúvidas em implantar a coleta seletiva de lixo. “Foi minha primeira providência. Temos apenas cinco andares e dez apartamentos. Passei uma circular para os moradores e a adesão foi total e muito rápida”, comemora. Apesar do pouco número de condôminos, o material reciclável faz volume e acumula rapidamente, constata Marina. “Os moradores separam o orgânico do reciclável e o zelador recolhe o lixo todos os dias dos andares. Não temos latões em cada andar, apenas em um depósito na garagem. A Loga passa apenas uma vez por semana”, diz Marina, referindo-se a uma das duas concessionárias da Prefeitura que executa a coleta seletiva nas ruas de São Paulo (a outra é a Eco Urbis).

Jogue o entulho no lugar certo

Eis um tema que nem sempre merece a devida atenção de síndicos, funcionários e condôminos: o lixo gerado pelo condomínio. Afinal, pensam os mais desavisados, basta colocar tudo na calçada que a Prefeitura recolhe. Mas, são necessários alguns cuidados com o lixo, a começar pelo seu acondiciona-mento.