Playground: Evolução de materiais abre opções aos síndicos

Escrito por 

Respeito às normas técnicas, à acessibilidade, ao perfil do uso (faixa etária) e às características do espaço físico devem pautar a definição do revestimento do playground, recomenda a arquiteta e síndica Daniela Gomes de Almeida, gestora de um dos oito edifícios do Condomínio Parque Aclimação, na região Centro-Sul de São Paulo.

Daniela ilustra sua afirmação apresentando a área de recreação do próprio condomínio, que foi pioneiro, na Capital Paulista, em oferecer equipamentos de lazer aos condôminos (além do play, há piscina e quadra). O espaço passou por reforma em uma gestão anterior, quando o condomínio optou por instalar, sob os brinquedos maiores, o piso emborrachado intertravado. “Os materiais evoluíram muito e hoje predomina o intertravado, de fácil manutenção, pois não é colado”, diz. Mas o importante, segundo Daniela, é seguir “as premissas normativas”, entre elas, o espaçamento indicado entre os brinquedos (mantendo-se distância segura de um para outro) e superfícies com amortecimento de impacto.

A NBR 16071/2012, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), estabelece, entre inúmeros parâmetros, que “abaixo de todo equipamento de playground com altura de queda livre maior que 600 mm, deve haver piso de atenuação de impacto” (conforme o Parágrafo 4.2.2). Neste escopo podem se encaixar demais revestimentos, como a grama natural ou sintética. A síndica Telma Carvalho, do Condomínio Portal Marajoara, no bairro do Campo Grande, zona Sul de São Paulo, acaba de contratar a instalação de uma linha sintética definida como monofilamento crimpado com absorção de impacto. Ela acredita que o material irá suportar o movimento do espaço e garantir a segurança das crianças das cinco torres e 320 unidades do empreendimento. “Tínhamos grama natural e placas de cimento no playground, mas encontramos uma sintética diferenciada, escolhida pela beleza e relação custo e benefício”, justifica a síndica, que também trocou os brinquedos.

“DETALHES ESSENCIAIS” PARA DEFINIR REVESTIMENTO

Quando se trata de projetar ambientes para crianças, no caso do piso é importante considerar, além das normas técnicas da ABNT, “detalhes essenciais da faixa etária que usará o espaço, bem como as características do seu entorno no condomínio”, observa a psicóloga e psicopedagoga Sirlândia Reis de Oliveira Teixeira, pós-graduanda na Universidade de São Paulo e membro da Associação Brasileira de Brinquedotecas. Por exemplo, quando há uma preocupação de a superfície não ser escorregadia, os síndicos acabam optando por “pisos abrasivos ou rugosos, mas para crianças tais acabamentos podem machucar”, alerta. “Assim como revestimentos com a superfície muito lisa e rígida podem ser contraindicados”, acrescenta. “Por isso, na hora da escolha do piso é preciso considerar primeiro a localização do playground, a idade das crianças e as atividades previstas, como correr, brincar, pular etc.”

Entre os “detalhes essenciais”, Sirlândia enumera:

- Quanto à estabilidade da superfície, “é preciso evitar o efeito chão encerado”;

- Em relação à continuidade da superfície, “mesmo quando há peças encaixadas, não pode haver relevos”. Além disso, “o efeito rugoso pode ser um pouco abrasivo para garantir uma brincadeira livre e protegida”;

- “Em se tratando de cuidados para ‘além dos olhos’, é preciso verificar se não há espaços entre as peças e os pontos de acabamentos, de maneira a evitar ferimentos por causa do desgaste natural do tempo”;

- Deve-se ainda “fiscalizar com certa frequência a manutenção das colas de fixação das peças, observar se estão resistindo aos ciclos de lavagem e à chuva”. “As tintas e/ou camadas superficiais também merecem atenção no sentido de verificação da resistência destes materiais à ação dos raios UV.”

Por fim, Sirlândia Reis destaca até mesmo as condições do contrapiso, em termos de drenagem e declives, garantindo-se que “o acúmulo de água ou a umidade permanente não favoreçam a proliferação de micro-organismos.”

Já nos espaços recreativos internos ou cobertos, o mercado oferece mais opções aos síndicos. “São bem-vindos os laminados, vinílicos, emborrachados e outros feitos a partir de poliuretano colorido. Todos são impermeáveis, antiaderentes, ergonômicos e permitem redução de vibrações e impactos”, explica. Na brinquedoteca, por exemplo, o revestimento pode ser segmentado “para separar o espaço das crianças de 0 a 3 anos das de 3 a 6 anos”. “Para os muito pequenos, os cuidados devem ser maiores, pois, além do piso, é preciso instalar o emborrachado nas paredes, já que no uso do espaço pelos bebês, é fundamental considerar a circulação natural do seu corpo interagindo com o ambiente.”

Assim, uma boa escolha do revestimento resulta da ponderação entre peso e tamanho dos brinquedos, faixa etária da criança, espaço de circulação entre um equipamento e outro, área livre circundante etc. “Isso tudo deve ser levado em consideração”, arremata a especialista.

Mercado oferece pisos diversos, mas é preciso atenção à sua capacidade de absorção de impacto

 

Matéria publicada na edição - 216 - set/16 da Revista Direcional Condomínios

Não reproduza o conteúdo sem autorização do Grupo Direcional. Este site está protegido pela Lei de Direitos Autorais. (Lei 9610 de 19/02/1998), sua reprodução total ou parcial é proibida nos termos da Lei.