Gestores condominiais herdam falta de manutenção em sistema de reúso de água

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O subsíndico Ricardo Resina acompanha os serviços de manutenção do sistema de reúso de água cinza do Cond. Originale, o qual dispõe, entre outros, de um biorrotor para tratamento biológico da água descartada pelos lavatórios das unidades.

A atual gestão do Condomínio Edifício Originale, residencial de 72 unidades localizado no bairro da Saúde, zona Sul de São Paulo, entregue com Estação de Tratamento de Águas Cinzas e Estação de Tratamento de Água Pluvial, se deparou, em maio de 2016, com inúmeras falhas de manutenção quando passou a responder pelos cargos de síndico e subsíndico, exercidos, respectivamente, por Ricardo Moraes e Ricardo dos Santos Resina. Entre os problemas encontrados, havia pendências com a estrutura e o funcionamento dessas estações.

Na verdade, conforme atesta a pesquisa dos engenheiros Alvaro Nakano, Fernando O. Santesso e Gabriel A. Borges, o projeto original da construtora foi modificado ao longo do tempo pelo condomínio. À reserva da água da chuva foi incorporada a da água subterrânea, sem os devidos tratamentos (na época do estudo). De forma geral, as instalações foram projetadas para captação, tratamento e reserva da água proveniente dos chuveiros e lavatórios dos banheiros das unidades (água cinza), com o objetivo de abastecer as descargas dos apartamentos; outro sistema foi montado para a rede pluvial. No entanto, hoje funcionam, na prática, o da água cinza, sem que todas as unidades sejam atendidas, e o do lençol freático.

De acordo com o subsíndico Resina, que se encontra à frente da operação diária do condomínio, o estudo da USP o ajudou a entender todo o mecanismo e tem auxiliado nas ações do condomínio, especialmente na “manutenção sistemática”. Esta envolve limpeza dos lodos que se acumulam em tanques de equalização e decantação; eventuais reparos em bombas e quadros elétricos; um rotor com biodigestores (biorrotores, onde bactérias presentes na água consomem seus materiais orgânicos); e tratamento químico. No entanto, o síndico lamenta o desinteresse e/ou falta de consciência dos condôminos quanto ao reúso e às implicações deste sobre as manutenções necessárias para manter a qualidade da água. “Cheguei a promover uma palestra no prédio, mas houve pouca adesão”, arremata

IMPUTAÇÕES LEGAIS

“A água de reúso, ainda que não seja potável, deve ser identificada no condomínio. Seu tratamento é necessário para que não haja proliferação de agentes biológicos. A responsabilidade do síndico, como gestor do condomínio, é civil e penal, pois ele deverá adotar as providências adequadas para o reúso, podendo responder, conforme o caso, por danos morais e patrimoniais de forma pessoal, e penais conforme o risco à saúde. Quanto à água do poço artesiano, se potável, ela deve se submeter-se às regras vigentes de análise periódica, e se não o for, às de tratamento, reportando-se o condomínio, em ambos os casos, aos órgãos regulamentadores e concessionária.”

(Por Cristiano De Souza Oliveira)

CONTROLE MENSAL

Em condomínio na zona Sul de São Paulo, com 244 unidades, o reúso, proveniente do lençol freático (Foto ao lado) e destinado à rega e limpeza, assim como a água do poço artesiano (Foto à dir.), dispõe de tratamento e controle da qualidade. De acordo com o síndico Eduardo José Aleixo, o condomínio possui contrato com empresa especializada para coleta e análise mensais. Mesmo assim, ele diz que irá investir na modernização dos sistemas de tratamento de ambas as fontes.
Fotos Rosali Figueiredo

Matéria publicada na edição - 222 de abr/2017 da Revista Direcional Condomínios

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