Ajustes e proteções nas instalações elétricas do prédio

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É possível evitar danos provocados por surtos de tensão da rede elétrica externa sobre os equipamentos do condomínio. De outro lado, edifícios continuam aderindo ao retrofit, até como prevenção.

A estreia do síndico Clóvis Barbosa na função, como gestor orgânico do condomínio onde mora, o Residencial Portal São Bento, na zona Norte de São Paulo, foi marcada pelo acúmulo de desafios, como a reforma da quadra (Leia mais em matéria na pág. 26) e medidas contra infiltrações na garagem e em jardineiras, quebras constantes dos elevadores e vazamentos, entre outros. No meio do caminho, encontrou problemas também nas instalações elétricas, com um saldo elevado de prejuízos.

Nesse setor, em resumo, os quadros de energia das áreas comuns não possuíam dispositivos de proteção contra surtos de tensão da rede externa, elementos conhecidos como DPS, além de aterramento. Para agravar a situação, eles apresentavam disjuntores antigos, inadequados, alguns em curto.

Assim, não estranha que, em 21 de dezembro do ano passado, as 136 unidades das duas torres do empreendimento tenham ficado sem interfone depois que um raio caiu sobre o transformador da rua e, pelo fio, atingiu o quadro elétrico da portaria e queimou a central. Menos de uma semana depois, “outro raio queimou os motores dos portões das garagens”.

Era um período crítico, lembra Clóvis, época das festas de Natal e Ano Novo, quando os prestadores de serviço costumam dar férias coletivas aos funcionários. “A sorte é que tínhamos motores reservas”, observa o síndico, que contratou de imediato a reforma geral dos quadros. Depois da experiência, Clóvis Barbosa recomenda aos colegas gestores vistoriarem esse tipo de instalação e promover adequações contínuas. “Com as queimas, os nossos prejuízos somaram R$ 30 mil. Já a reforma dos quadros ficou em R$ 7 mil.” Ou seja, por menos de um quarto do valor gasto nos dois incidentes, teria sido possível evitar tamanho transtorno com ações preventivas.

E O PARA-RAIOS?

O curioso é que o gestor havia, pouco tempo antes, providenciado a adequação do para-raios à norma ABNT NBR 5419/2015. De acordo com o engenheiro eletricista Edson Martinho, o SPDA (Sistema de Proteção contra Descargas Elétricas), do qual o para-raios faz parte, tem como função proteger a edificação e as pessoas que se encontram nela. Mas, se não houver DPS e aterramento instalados junto aos quadros das áreas comuns e/ou do centro de medição, nem todos os equipamentos do condomínio estarão livres do impacto da variação da tensão e dos raios conduzidos pelos cabos da rede pública. “O raio sempre irá atingir uma instalação elétrica se ela estiver desprotegida ou ‘visível’ a ele, o raio é inteligente”, compara Martinho, diretor-executivo da Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade).

UM RETROFIT PREVENTIVO

O síndico Fernando Martinez acompanha finalização de retrofit elétrico preventivo do Condomínio Villa D'Oro, que implantou eletrocalhas para adequar o circuito de distribuição

Balanço da Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade) aponta 599 mortes ocorridas no Brasil em 2016 por choque elétrico e 448 incêndios por sobrecarga em edificações, revela Edson Martinho. O engenheiro coordena o processo de retrofit preventivo das instalações do Condomínio Villa D'Oro, localizado em Perdizes, zona Oeste de São Paulo. Aqui, o síndico e advogado Fernando Rodriguez Martinez quis evitar chegar ao ponto de deterioração das instalações e contratou o serviço de repaginação geral do sistema elétrico do prédio, que possui 26 anos de vida. “Resolvemos mexer antes que o pior aconteça”, explica Fernando, lembrando que a obra foi parcialmente custeada pelo dinheiro arrecadado com a adjudicação de um imóvel devedor da taxa condominial.

De qualquer maneira, este seria um investimento necessário, explica o síndico, conforme as razões que ele enumera a seguir:

- O edifício está adequando seus sistemas para a renovação do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Nesse sentido, os corrimãos já foram adaptados, as portas corta-fogo trocadas, bem como as janelas da escada de emergência, com esquadrias e vidros substituídos. Faltava a parte elétrica;

- “Temos ciência que o prédio é antigo e a fiação já se encontra fora do ciclo de vida útil”; e,

- Pela economia. “A troca da fiação diminuiu as perdas no meio do caminho. Havia fuga de corrente nos pontos sem isolação. Nas unidades, notei economia de 30%”, diz.

O retrofit do Villa D’Oro incluiu serviços dentro de cada uma das 96 unidades e aumento de carga. A concessionária pública trocou, sem ônus, o transformador do poste defronte ao prédio. Além disso, o condomínio tem uma particularidade: Sete lojas com centro de medição independente. Portanto, o projeto de adequação e modernização, iniciado há cerca de um ano e em fase de conclusão, envolveu prumadas; ambos os centros de medição, implantação de eletrocalhas de forma a adequar das decidas das prumadas; aterramento; garagens; corredores e andares; unidades; lojas; guarita; bombas de sucção, de recalque e incêndio; e jardins.

Matéria publicada na edição - 222 de abr/2017 da Revista Direcional Condomínios

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