Problemas, Escopo de serviços & Soluções técnicas para a fachada do condomínio

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Ocorrências físicas e estruturais diversas marcam a deterioração das fachadas das edificações, mesmo que, aparentemente, em alguns condomínios, seu efeito estético pareça íntegro e satisfatório.

O Eng. Civil Marcelo de Freitas (À esq.) e o síndico Paulo Soares: Recuperação de fachadas que ficaram 30 anos sem manutenção

Muitas vezes o síndico apenas se dá conta de que algo errado acontece nos revestimentos ou argamassas mediante reclamações de condôminos que sofrem com a umidade no interior de seus imóveis. O engenheiro civil Marcelo de Freitas diz que a função dos revestimentos nas fachadas é a de expelir a água, mas, quando falta manutenção, ocorre justamente um efeito inverso, a sua absorção.

Marcelo responde, atualmente, pela recuperação das fachadas do Condomínio Solar dos Amigos, de quatro torres com 20 andares cada, localizado na Vila Sônia, zona Sudoeste de São Paulo. “O empreendimento ficou muito tempo sem manutenção, é raro observarmos uma situação como essa. As armaduras estão ativas, ou seja, a ferragem do concreto se encontra oxidada e isso faz com que o material se solte. É a patologia predominante, mas identificamos também trincas verticais em boa parte da extensão da fachada”, descreve. Segundo Marcelo, não há riscos à segurança dos prédios, mas a deterioração causa transtornos diversos, como infiltrações nas unidades e desprendimento de placas de reboco, tanto no setor das varandas quanto na textura das paredes.

Também há penetração de água através do requadro das janelas no condomínio construído há 40 anos, com 320 unidades. A recuperação está em andamento e requer trabalho meticuloso com tratamento do ferro exposto, recomposição da argamassa com aditivos e serviços sobre as trincas e fissuras. Somente depois dessas etapas virá a pintura propriamente dita. De acordo com o síndico Paulo Soares de Oliveira Júnior, na função há dois anos e meio, o condomínio ficou pelo menos 30 anos sem manutenção das fachadas. Ele reside no local há 35. “Chegamos a uma situação muito crítica, com infiltrações nos apartamentos”, reitera. Além de promover a recuperação de toda estrutura, o gestor prevê colocar em votação, junto à assembleia de condôminos, a mudança das cores, de maneira a valorizar mais os imóveis.

RECUPERAÇÃO EM ETAPAS

Outro condomínio que ficou bastante tempo sem fazer a manutenção das fachadas é o Edifício José Caroni, situado na Mooca, zona Leste da Capital Paulista. Colocado a um prédio “irmão” (o Nazira Caroni), com quem compartilha o acesso das garagens, o prédio tem 50 anos, 55 unidades residenciais, marquise com lojas no térreo e 14 andares. Ele se encontra em condições bem melhores que as do Solar, porém, também aqui houve necessidade de se tratar a oxidação das ferragens, neste caso atingindo as colunas. “O reboco estava deteriorado a ponto de caírem vários pedaços”, comenta o síndico Edison Della Monica.

Segundo ele, a obra está sendo realizada em etapas desde o ano passado, conforme a disponibilidade de caixa, já que a arrecadação é baixa e as demandas elevadas. A obra na fachada sucede outros serviços executados nos últimos anos e considerados prioritários, como ajustes gerais nas instalações elétricas, reforço dos equipamentos de segurança, instalação de sensores de presença nos halls dos andares, adequação do SPDA e a reforma física da portaria e do hall de acesso aos elevadores. Assim, em 2016 o síndico pôde contratar a obra das fachadas do fundo e da lateral. Agora, em 2017, tendo quitado os serviços anteriores, pretende finalizar a parte da garagem e, quem sabe, a frente. “De picadinho em picadinho, estamos matando a fome”, resume Edison.

Matéria publicada na edição - 223 de maio/2017 da Revista Direcional Condomínios

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