Práticas de gestão corporativa fortalecem relações.

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Entrevista com a síndica profissional Roseane Mary Barros Fernandes

A síndica profissional Roseane Mary Barros Fernandes administra quatro condomínios, três dos quais com terceirização de serviços. Mas os quadros de mão de obra apresentam formatos bem variados: Apenas um deles dispõe somente de funcionários terceirizados; em outros dois, a solução é mista; e, num quarto condomínio, há apenas orgânicos. Por fim, Roseane presta consultoria a um quinto empreendimento, onde existem tanto terceirizados quanto próprios.

Nos contratos com as prestadoras de serviços, Roseane aplica uma ferramenta da moderna gestão empresarial, o SLA – em inglês, “Service Level Agreement”. Em português, pode ser traduzido com “Acordo de Nível de Serviço” (ANS). Em linhas gerais, através do SLA, a síndica consegue introduzir, aos contratos, parâmetros de atendimento à qualidade na relação entre os condomínios e as prestadoras, como, por exemplo, no tempo de resposta que deve ser dado na reposição de funcionários que tenham faltado ou se licenciado (em seu caso, esse período é de duas horas). A síndica costuma associar o cumprimento do tempo de resposta aos pagamentos. Roseane trabalha também com base em um escopo de tarefas previamente discutido e apresentado aos terceirizados através de seus supervisores.

Abaixo, a Direcional Condomínios reproduz os principais pontos destacados pela síndica na relação com a terceirização de serviços.

QUANDO TERCEIRIZAR?

“Em nossa visão, há vantagens a um condomínio na contratação de empresa terceira, uma vez que a mão de obra absorvida tem a exigência de ser capacitada. E quando não o é, a empresa, por vezes, direciona o colaborador a um programa de treinamento. Isto facilita a rotina do síndico e do zelador que, por sua vez, podem focar nas tarefas e na resolução dos problemas do dia a dia.

Contudo, os condomínios considerados ‘pequenos’ podem enfrentar dificuldades nessa contratação, pois este modelo onera o valor dispendido mensalmente. Não podemos nos esquecer ainda de que os condomínios que recebem os terceiros são corresponsáveis no vínculo empregatício. Por isso, a gestão dessa contratação deve ser feita com muito critério e cautela. Por fim, a equipe orgânica pode sinalizar, inicialmente, custos menores, mas a longo prazo, o comprometimento financeiro pode se tornar a maior dor de cabeça de um síndico.

Assim, a terceirização pode ser a única situação viável para um momento ou pode ser a opção que não deve ser adotada neste momento. Tudo depende da realidade de cada um. Cada condomínio é um universo diferente!"

CONTRATOS SATISFATÓRIOS PARA TODAS AS PARTES

“Costumamos direcionar todos os contratos de modo que seja seguro e saudável para ambos os lados. E isto só acontece quando todas as regras são expostas e atendem à legislação e não ‘sufocam’ nenhum dos lados. Habitualmente incluímos o SLA nesses contratos, além da qualificação pretendida e de um escopo definido, contendo cronograma de execução e reciclagem (ou reavaliação) dos serviços necessários. Os valores também devem estar adequados tanto para o contratante quanto para o contratado, pois, caso contrário, passados poucos meses, os problemas virão, sem sombra de dúvidas. E quando falo ‘adequados’ quero dizer que a negociação final deve estar contemplada na previsão orçamentária do condomínio; e deve satisfazer a margem de lucro das empresas (ninguém atua gratuitamente no mercado, certo?)".

RELAÇÃO COM FUNCIONÁRIOS

“Eu, particularmente, sempre utilizo o canal da supervisão da empresa para solicitações em geral, quer sejam de correção ou de novos pedidos (de adequações em geral). Quanto ao zelador, um cargo de confiança do síndico, temos ótimas vivências com o terceirizado. Por vezes, ele se mostra mais ágil, interessado e preparado para intermediar conflitos, além de estar apto a soluções importantes do dia a dia. Mas reconheço que isto não é regra. Temos também zeladores orgânicos que são muito comprometidos e geram bons resultados. Nesse caso, temos que estar atentos à capacitação desse profissional.”

Matéria publicada na edição - 223 de maio/2017 da Revista Direcional Condomínios

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