Pela sustentabilidade e acessibilidade, “o otimismo é urgente!”.

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Um balanço com o advogado Michel Rosenthal Wagner

Sustentabilidade e acessibilidade são questões que se complementam em um condomínio, aponta o advogado Michel Rosenthal Wagner. Frente ao desafio de se proporcionar qualidade de vida ao ambiente coletivo, compete aos condôminos buscar uma sustentabilidade que seja também capaz de favorecer as relações de vizinhança e a acessibilidade. “Precisamos construir ambientes em que as pessoas possam se encontrar para conversar e se relacionar. E para a criação dessas comunidades, devemos pensar na acessibilidade, no desenho universal que atenda a todos", defende o advogado.

Em sua visão, a sustentabilidade envolve, de um lado, promover coleta seletiva, controle do ruído e de poeira da construção, consciência de consumo “para não se produzir mais lixo”, entre muitas outras ações; e, de outro modo, tornar os espaços “saudáveis para nossas relações”. Caso de um condomínio acessível, que “dá condições de permanência”.

O advogado destaca que tais parâmetros estão previstos em legislações federais, além daquelas de âmbito municipal e estadual, todas sob o abrigo da Constituição Federal e do Estatuto das Cidades. Independente da imposição das leis, no entanto, ele sugere que gestores e moradores promovam, por questões de empatia e preocupação com o coletivo, um diagnóstico da qualidade de vida (sustentabilidade mais acessibilidade) que o ambiente físico e social do condomínio está oferecendo aos seus ocupantes.

“Todos nós somos, em algum momento, portadores de necessidades especiais. Que mundo é esse que jovens e adultos da nossa idade preparam para nós mesmos para daqui a 20 ou 30 anos?”, questiona. Além do mais, “quando condomínios apresentam qualidade de vida relacional humana, em geral, seus imóveis têm fila para alugar e para comprar”. “É fundamental que se acredite nessas possibilidades”, finaliza.

Michel Rosenthal Wagner: “As pessoas precisam acreditar que as coisas vão ficar boas, que podem melhorar, pois assim elas começam a agir pela coletividade, tanto em termos de sustentabilidade quanto acessibilidade. Precisamos reverter o processo de fragmentação e individualização da sociedade.”

Michel R. Wagner é consultor socioambiental em condomínios, mestre em Direitos Difusos e Coletivos, autor do livro "Situações de Vizinhança no Condomínio Edilício – desenvolvimento sustentável das cidades, soluções de conflitos, mediação e paz social" (Editora Millennium, 2015); e presidente da Comissão de Direito Imobiliário, Urbanístico e de Vizinhança da Seccional Pinheiros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em São Paulo.

Matéria publicada na edição - 224 de junho/2017 da Revista Direcional Condomínios

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