Qual momento de o síndico investir em manutenção ou modernização dos elevadores?

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O elevador é um equipamento de transporte vertical com identificação própria, cujo funcionamento é regido por leis e normas, entre elas, aquela que obriga à expedição de um Relatório de Inspeção Anual (RIA) na cidade de São Paulo, através de uma empresa especializada em manutenção, para que se renove sua licença de funcionamento.

Síndica Ana Cristina: Acompanhamento pari passu da manutenção evita surpresas

Para tanto, é necessário seguir um ritual periódico de vistorias, serviços e consertos, acompanhado de perto pelo zelador ou manutencista do prédio e administrado pelo síndico.

Mas chega uma hora em que, a despeito do zelo, as paradas se tornam mais frequentes, além de desconfortos como solavancos e desníveis entre o piso da cabina e o hall. Até que o gestor se vê em dúvida se deve fazer as trocas indicadas de peças e componentes ou contratar a modernização. Alguns, como a síndica Ana Cristina Falletti Gonsalves, que há 15 anos administra o Condomínio Edifício Ana Claudia, vivem uma situação mais confortável, em que a demanda por renovação atinge somente o aspecto estético das cabinas. Outros, no entanto, como a síndica Stalina Teixeira de Carvalho Gama, recebem uma conta mais elevada para os reparos, o que os coloca na dúvida se não seria melhor modernizar.

SOB CONTROLE

O Edifício Ana Claudia, situado em Moema, zona Sul de São Paulo, está completando 29 anos neste 2017, com bom estado geral de manutenção. Apesar da idade, ambos os elevadores (social e de serviços) funcionam de maneira satisfatória, atendendo às 22 unidades do prédio. As queixas costumam se dirigir ao tamanho das cabinas, pequenas para as necessidades atuais, observa a síndica Ana Cristina, já que na construção do edifício elas foram instaladas no mesmo fosso. “Na reforma da cabina, até aumentamos um pouco a altura do elevador social, ampliando a percepção de espaço, mas não dá para ir além disso”, acrescenta.

No mais, “a manutenção está em dia, as trocas indicadas têm sido realizadas e agora iremos substituir as sapatas do freio”, afirma. Ou seja, mesmo sem comando eletroeletrônico, presente nos equipamentos mais modernos, a síndica não vê necessidade de partir para uma modernização ampla das máquinas. “Ficamos em cima da manutenção, ela é rigorosíssima. Quando ocorrem desnivelamentos ou solavancos, chamamos de imediato a prestadora de serviços. Além disso, nossos funcionários frequentam os cursos dados pela empresa e o zelador sempre acompanha os serviços da manutenção periódica, que observa correias, cabeamentos e faz a lubrificação de dobradiças, entre outros”, relata.

Com o monitoramento pari passu (de perto), a gestora chega até mesmo a questionar algumas sugestões dos técnicos para troca de componentes, como ocorreu com o guarda-corpo das cabinas. “Eles diziam que deveríamos nos atualizarmos às normas, porém, conseguimos lhes mostrar que tudo estava certo, regularizado, não havia necessidade de mudança.” Segundo Ana Cristina, o síndico precisa ficar atento para entender “o que realmente é necessário, pois o elevador envolve segurança”.

MEXIDA MAIOR

Síndica Stalina Teixeira: A proposta era modernizar elevadores, mas assembleia decidiu pelas trocas pontuais dos componentes

Já a síndica Stalina está envolvida com a negociação das trocas de peças e componentes indicadas pela prestadora de serviços para alguns dos elevadores (quatro no total) do Condomínio Villa Magna e Villa Real. Com quase 40 anos, dois blocos e 120 unidades, o empreendimento localizado na Bela Vista, em São Paulo, terá que usar o Fundo de Reserva para “fazer a revitalização do redutor de velocidade, lubrificar e trocar componentes na casa de máquinas”, aponta a gestora. Orçado em R$ 36.573, divididos em doze parcelas, o serviço passou pelo crivo da assembleia do condomínio no mês de julho, a qual deliberou pelo emprego da verba do Fundo, e pagamento em duas vezes no máximo, como forma de renegociar o preço.

O ideal, segundo Stalina, seria contratar a modernização das quatro máquinas, já orçada em R$ 400 mil, mas a proposta acabou rejeitada por outra assembleia, anterior à do mês passado. Ela justifica a necessidade de modernização porque o prédio já gastara R$ 70 mil há um ano e meio com a troca dos cabos de aço de dois elevadores. Além disso, outro serviço ficará pendente: a empresa de manutenção recomenda trocar as folhas internas em madeira, de abertura automática, de uma das cabinas, alegando que elas estão desniveladas. Entretanto, como a decisão da assembleia é soberana, o condomínio continuará fazendo as substituições em lugar da modernização.

Matéria publicada na edição - 226 de agosto/2017 da Revista Direcional Condomínios

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