Análise de projeto de AVCB envolve revestimentos e “carga térmica” dos ambientes do condomínio

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A norma técnica ABNT NBR 14.432/2000, relativa às exigências de resistência ao fogo de elementos construtivos, bem como a Instrução Técnica IT 14/2011, do Corpo de Bombeiros de São Paulo, tratam da carga de incêndio presente nas edificações e áreas de risco, proporcionadas pelo tipo de ocupação, materiais presentes nos ambientes (como mobiliário, elementos decorativos e armazenamento de produtos de limpeza) e respectivo potencial calorífico. Grosso modo, ambas as normas estabelecem o grau de risco de propagação de fogo conforme a caracterização dos ambientes.

Engenheiro Ayrton Barros: “Carga térmica” altera classificação de risco nos ambientes

Tabelas esmiúçam valores para cada tipo de componente químico (desde o café e chá até o policarbonato, algodão, borrachas, epóxi etc.), classe de produto (mobiliário, madeiras etc.), para então estabelecer um “cálculo teórico complicado”, definindo três classificações de risco. Conforme o grau, o projeto dos Bombeiros estipula quantidade e tipo dos equipamentos como extintores e hidrantes, aponta o engenheiro Ayrton Barros, especialista em engenharia diagnóstica e de segurança do trabalho.

As normas dizem respeito ao Controle de materiais de acabamento e de revestimento (CMAR), um dos critérios utilizados pelos Bombeiros do País para expedição e/ou renovação de documentos como o AVCB. Seu objetivo é restringir ao máximo o potencial de propagação de fogo e desenvolvimento de fumaça. “A ‘carga térmica’ de um ambiente altera a classificação de risco e define, entre outros, a distância que deverá haver entre os equipamentos”, ilustra o engenheiro.

Por isso, ao promover reformas ou adequações, é importante que o síndico evite materiais inflamáveis ou que apresentem elevado grau de propagação de chamas e/ ou produção de fumaça, orienta Ayrton Barros. “Há determinados tipos de madeira que propagam fogo mais rapidamente que outros.” Também a posição – se na vertical ou horizontal - contribui para esse cálculo, completa o engenheiro. “A madeira instalada nas paredes propaga a chama mais rapidamente que no piso.”

Projeto de incêndio considera carga térmica das edificações para dimensionar equipamentos e locais de instalação

Fundamental ainda, segundo Ayrton Barros, é tomar cuidado ao se montar coberturas para eventos pontuais, como festas juninas nas áreas comuns abertas do prédio, considerando-se desde o tipo de material utilizado no fechamento (para que não produzam, por exemplo, fumaça tóxica em caso de fogo) até as instalações elétricas adequadas para a iluminação e o som. “O circuito precisa ser instalado com proteção (fio terra); DR (Diferencial Residual), que ajuda a evitar choques em áreas úmidas; cabo multipolar PP (conhecido como cordão de enceradeira) quando a fiação tiver que ficar aparente; e de seletividade de proteção, com disjuntores que irão limitar a carga à corrente elétrica no fio.”

ARQUITETAS SUGEREM COMO DECORAR ÁREAS COMUNS

Com experiência no desenvolvimento de projetos de edificações junto a construtoras, as arquitetas Camila Rentes e Patrícia Contini recomendam substituir a madeira por materiais “não inflamáveis” na decoração das áreas comuns. “A madeira é um revestimento lindo e aconchegante para ser usado em pisos e revestimento de paredes, em halls de entrada de condomínios, salas de ginástica, salões de festas etc., mas deve ser evitada”, pontuam. “Existem hoje diversos materiais não inflamáveis que fazem o mesmo efeito da madeira e evitam problemas com propagação de fogo nas dependências do edifício. Como, por exemplo, o porcelanato. Este pode ser usado tanto em pisos como em revestimentos de paredes ou painéis decorativos. Aconselhamos para áreas de alto tráfego.”

Entre outros revestimentos propostos para as superfícies, as arquitetas indicam, por exemplo, “os cimentícios, que dão um efeito moderno e prático”. As demais dicas para minimizar a propagação de chamas, segundo as especialistas, são:

- Usar forro em gesso e não madeira;

- Fiação de alta qualidade;

- Tintas à base de água (já existem também tintas antichama no mercado);

- Observar sempre junto aos fabricantes se seus materiais estão de acordo com as Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros.

Com relação ao mobiliário, a recomendação é “evitar tecidos como linho, viscose, courvin, altamente inflamáveis”. “Uma opção é aplicar produtos ignifugantes (antichamas) para que a propagação de um incêndio seja retardada ao máximo. Eles podem ser aplicados em cortinas, carpetes, madeiras, tecidos etc.”. Por fim, “a disposição dos móveis também é extremamente importante para efeitos de propagação da chama. Os mesmos não devem obstruir a passagem na rota de fuga, assim como é proibido camuflar itens de segurança, como os extintores, hidrantes e as placas obrigatórias de sinalização”, arrematam Camila e Patrícia.

Matéria publicada na edição - 226 de agosto/2017 da Revista Direcional Condomínios

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