Serviços aos condôminos: um refresco no caos urbano

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Serviços pay-per-use para lavanderias e arrumadeiras; feiras livres, deliveries de carnes e alimentos prontos; food trucks e padarias; bares na piscina; assessoria esportiva; lavagem a seco para carros; pet care; salão de beleza; sala de massagem etc. As comodidades chegam aos moradores dos prédios, mas ampliam o escopo de trabalho, custos e as responsabilidades dos gestores.

Com o aumento do valor do metro quadrado dos terrenos e a tendência a que as unidades residenciais fiquem cada vez menores, dispensando inclusive áreas com tanques, os empreendimentos imobiliários mais novos estão chegando equipados com lavanderias coletivas e até mesmo serviços compartilhados de arrumação da casa. Sem dúvida, uma comodidade ao morador, acompanhada, de outro modo, por uma demanda e responsabilidade a mais para os gestores. Também condomínios com conceito de clube vêm introduzindo benefícios extras ao público interno, desde as já consolidadas assessorias esportivas até feiras livres, padarias, deliveries, food trucks, pet care e salões de beleza.

Síndicos profissionais Alessandro Paris (À esq.) e Rogério Campos: Aplicativos e/ou concierge na gestão de serviços pay-per-use

O síndico profissional Alessandro Paris, com 16 condomínios em sua carteira, alerta, porém, que os empreendimentos precisam se preparar para ampliar o escopo das atividades. Alguns deles trazem inovações antecipando tendências, como o Condomínio Edifício Vetrino, no Brooklin, certificado com o selo de sustentabilidade Aqua. Ali, um box na garagem dispõe de estação de recarga de bateria para veículos elétricos, dotada de tecnologia capaz de medir a energia consumida e lançar a conta ao condômino.

Para tanto, é preciso organizar a gestão, usar a nova tecnologia de dados e de comunicação, contar com profissionais qualificados para organizar agendas (caso do concierge) e orientar os moradores. Uma das áreas mais críticas dos novos residenciais está justamente nas lavanderias, algumas delas entregues com equipamentos domésticos, em que os usuários ultrapassam o peso permitido para a lavagem, misturam peças (coloridas com brancas) e colocam itens indevidos (tênis e edredons). “Há prédios com duas a três chamadas por semana porque as máquinas das lavanderias param. Isso traz um custo adicional para o condomínio”, ilustra Alessandro.

De outro modo, o gestor enumera aspectos positivos dos serviços em condomínios, notadamente das assessorias esportivas:

- Nas academias, por exemplo, a presença de profissionais de treino contribui para o uso correto dos equipamentos;

- O condomínio busca e negocia com os fornecedores condições mais adequadas para os usuários em termos de preço, pagamento e escopo do serviço;

- Promove-se a fidelização do prestador, com ganhos para a segurança do local; e,

- Nas férias, a garotada conta com um upgrade, com atividades monitoradas. “Isso faz toda a diferença, porque se as crianças tiverem atividades, não vão riscar parede nem danificar o jardim”, observa o síndico. “Além disso, com esse tipo de serviço, é possível monitorar melhor a situação ao longo do ano e aproveitar os recursos do prédio.”

Também o síndico profissional Rogério Campos tem lidado com vários desafios para disciplinar o uso de lavanderias coletivas. Em um residencial localizado no Cambuci, no centro de São Paulo, a assembleia dos condôminos decidiu desativar o espaço, pelo mau uso (Havia pessoas que lavavam roupa de toda família). Em outro empreendimento, situado no Campo Belo, zona Sul, com 354 unidades compactas, o jeito foi dotar as máquinas profissionais de lavagem e secagem de dispositivo que exige reserva prévia (via aplicativo para smartphone). Somente através da ferramenta é possível ao morador agendar o uso de uma máquina por vez. Sua liberação ocorre através de QR-Code.

CRITÉRIOS DE IMPLANTAÇÃO

Para os demais serviços, Rogério Campos sugere que os gestores sigam alguns critérios antes de propô-los ou levá-los aos condomínios:

1) Entender o perfil da propriedade e do usuário. Se para alguns empreendimentos o salão de beleza representa um importante upgrade, prédios mais sofisticados demandam até spa, ilustra;

2) Definir a demanda existente pelo serviço (número de interessados) e observar se este terá, de fato, adesão que permita negociar um preço melhor;

3) Observar a disponibilidade financeira do condomínio caso o serviço implique em novos custos. De qualquer forma, Rogério Campos alerta que os espaços entregues pelas incorporadoras devem ser ocupados para que os prédios agreguem valor ou, no limite, evitem perder.

4) Dispor de área com layout apropriado para alguns serviços, como as feiras livres. E, neste caso, exigir que os prestadores de serviços tenham licença e cadastro na Prefeitura;

5) Tomar cuidado para que os serviços não gerem, eventualmente, renda para o condomínio, porque isso terá que constar na declaração de renda de pessoa física de cada condômino;

6) Assegurar que o condomínio não perca a classificação de residencial para misto, pois, se isso ocorrer, mudará, por exemplo, sua classificação de risco para efeitos de AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros);

7) Por fim, “a parceria deverá estar bem acordada sobre como vai funcionar em relação às responsabilidades, isentando o condomínio”.

Em relação ao pay-per-use, o prédio deverá dispor de profissional qualificado para fazer a gestão do serviço, estudar a parte jurídica e o modelo de cobrança, usar ferramentas de comunicação via aplicativos e internet, e fazer uma avaliação de satisfação junto ao usuário, encerra Rogério Campos.

Matéria publicada na edição - 227 de setembro/2017 da Revista Direcional Condomínios

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