Autogestão: A experiência da síndica Ana Cristina Falletti Gonsalves

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A síndica Ana Cristina Falletti Gonsalves administra o Condomínio Edifício Ana Claudia, em Moema, zona Sul de São Paulo, desde 2002. Ela acumula funções: além da sindicância propriamente dita, faz o papel de administradora. Até a emissão de boletos é realizada pela síndica.

A decisão pela autogestão foi coletiva e não envolve remuneração. O prédio, de 29 anos, possui apenas 22 unidades. Na época da mudança, “os boletos ainda eram preenchidos à máquina de escrever, apesar de o mundo já estar há anos luz em termos de tecnologia”. “O síndico que me precedeu era um senhor bem idoso, ele não sabia nem o que era computador. Comecei do zero!”

Segundo Ana Cristina, que é graduada em Turismo e tinha experiência administrativa em agências, “é importante, na autogestão, que o síndico esteja 100% a par dos problemas diários do condomínio e tenha um excelente profissional ao seu lado”. “O zelador e uma equipe competente é a chave para dar certo.”

Ela acredita que o modelo seja viável em condomínios com o porte do seu. Mas é necessário profissionalizar a gestão:

- “Por ordem na casa é a parte mais difícil para quem faz a transição, pois é necessário colher todos os documentos em posse da administradora, fazer um arquivo deles, eleger um conselho consultivo participativo e ter muito conhecimento do que rege a Convenção. A Convenção é a bíblia do síndico e o que estiver convencionado é lei. Quando assumi, contratei um novo contador e formei uma nova equipe de funcionários, devidamente registrados. Passei a fazer a contabilidade através de Cash Flow [modelo de fluxo de caixa], com transparência dos gastos. Informatizei tudo, troquei de banco e digitalizei os boletos de cobrança.”

Fechando o balanço desses 15 anos de autogestão, Ana pontua:

- “Tenho como princípio a transparência e a ‘política da boa vizinhança’. Nunca emiti uma multa. Acredito que formamos uma grande família e, deixando todos cientes de que, como toda sociedade, existem regras que devem ser cumpridas para o bem da mesma, não há motivos para não dar certo.”

Matéria publicada na edição - 228 - outubro/2017 da Revista Direcional Condomínios

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