Ampliação das paradas dos elevadores desafia síndicos

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O Condomínio Edifício The Point foi entregue em 1994 com 23 paradas de elevadores (3 subsolos, térreo e 19 andares), sem que isso beneficiasse o acesso à área de lazer, com piscina, solário e churrasqueira, localizada na cobertura.

A síndica Rosa Braghin, acompanhada do subsíndico Roberto Sbrissa (à esq.) e do Eng. Antonio Luiz Caldeira: Elevadores agora chegam à cobertura de lazer do prédio

Até que uma assembleia de condôminos aprovou, em agosto de 2015, a elevação de patamar de ambos os elevadores, de forma a tornar o ambiente acessível aos moradores das 76 unidades. A empreitada demandou grande logística, afirma a síndica Rosa Braghin, condômina que atua como profissional desde 2009 no prédio localizado em Moema, na zona Sul de São Paulo.

Na verdade, o processo todo começou em 2014, quando a síndica, o subsíndico Roberto Ronnie Vieira Sbrissa e uma comissão de obras realizaram pesquisas de valores junto ao mercado. Depois da aprovação em assembleia, foi assinado contrato, mas os serviços começaram na prática somente entre os meses de março e abril de 2016. E em 9 de dezembro de 2016 ambas as máquinas estavam funcionando com a nova configuração, chegando até o 20º andar. O condomínio preferiu manter ambas iguais, sem distinção no acabamento, exceto por um detalhe: Uma delas foi preparada para receber protetores de superfície em caso de transporte de carga e/ou mudanças.

ESCOPO DOS SERVIÇOS

O engenheiro responsável pelas obras civis e pelo acompanhamento dos serviços mecânicos, Antonio Luiz Caldeira, resume o trabalho executado:

- A modernização foi parcial em ambas as máquinas, com elevação de um patamar;

- Para subir as cabinas ao 20º pavimento, aproveitou-se um bom espaço que havia na parte superior do vão dos elevadores, conduzindo-os por estrutura metálica até o ambiente da antiga casa de máquinas, na altura do 20º andar;

- Como a casa de máquinas era bem espaçosa, com pé direito elevado, foi possível abrigar a chegada das cabinas e construir uma nova plataforma para se instalar os motores, comandos e demais componentes;

- A parte da modernização propriamente dita envolveu: troca de portas em alguns andares (de abertura de eixo vertical para a automática) e de cabos; substituição do sistema de comando; acréscimo de guias para a elevação de patamar; e reforma estética das cabinas com novas botoeiras.

O investimento total chegou a R$ 250 mil. Pouco mais de 50% dessa verba já havia sido levantada pelo condomínio quando assinou o contrato com a empresa responsável pela modernização e elevação do patamar, no final de 2015. O restante está sendo arrecadado por meio de um rateio extra, equivalente a 10% do valor do ordinário.

FÔLEGO

A síndica Rosa Braghin relata que dez empresas estiveram envolvidas em toda operação. “E, com cada uma delas, verificamos os contratos com os trabalhadores, seguro, fornecimento de EPI (Equipamentos de Proteção Individual) etc.” Segundo a gestora, o sucesso de uma modernização como esta depende que:

1º) Haja inicialmente “grande suporte jurídico”, tanto para a análise dos contratos que serão celebrados quanto para que o síndico consiga “fazer com que suas cláusulas sejam efetivamente aplicadas”;

2º) O próprio gestor “conheça e domine em detalhes o processo, de forma a agilizar o jurídico quando e se houver necessidade”;

3º) Ele esteja atento ao cumprimento estrito do cronograma, “sabendo quando começa e quando termina cada etapa”;

4º) Empresa e gestor se comprometam em agilizar o processo, “porque o prédio fica somente com uma máquina funcionando, a qual, inclusive, terá que atender à obra”;

5º) O síndico certifique-se quanto à legalidade e qualidade da mão de obra terceira que venha a ser contratada pelo prestador de serviço; e,

6º) Renegocie o prazo de atendimento técnico caso a única máquina que se encontra em operação, enquanto a outra moderniza, venha a sofrer alguma parada. “Conseguimos com a empresa que o prazo limite de atendimento técnico seria de duas horas e não 24”, observa a síndica.

Isso chegou a acontecer durante os 455 dias de serviços e, nesse contexto, o subsíndico Roberto Sbrissa cumpriu com um papel “fundamental”: “Coube a ele atender aos moradores, ouvi-los e explicar, ficando, portanto, na retaguarda, no amortecimento”, destaca Rosa.

Nova casa de máquinas do Edifício The Point. Na imagem do alto, hall dos elevadores em um dos subsolos, com portas substituídas

REQUISITOS PARA ACRÉSCIMO DE PARADAS

É comum encontrar em São Paulo prédios em que alguns elevadores não descem aos subsolos de garagem ou, como no exemplo do The Point, não chegam até a cobertura de lazer. De acordo com o engenheiro Antonio Luiz Caldeira, é possível aumentar o número de patamares especialmente quando as máquinas compartilham uma estrutura única de fosso, diminuindo (e muito) o vulto das obras civis. Mas a viabilidade técnica e financeira depende do estudo de cada caso. No Condomínio The Point, a síndica Rosa Braghin estima que investiu 30% a mais no processo de modernização com a elevação do patamar das duas máquinas.

Os casos que envolvem paradas na descida deverão ter mais dificuldades se for preciso implantar estruturas físicas, como sapatas. Já na subida, eventualmente será preciso anular a casa de máquinas original. E ainda que seja viabilizado o projeto, a execução exigirá uma logística precisa, que iniciará com a desmontagem da casa de máquinas original (motores, quadros de comando e componentes). De qualquer maneira, a experiência do The Point não foi única. Neste momento, na Capital Paulista, há inúmeros exemplos de prédios às voltas com a elevação de patamar, diz o engenheiro Antonio Luiz Caldeira.

Matéria publicada na edição - 228 - outubro/2017 da Revista Direcional Condomínios

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