Posse responsável dos animais: uma questão de saúde

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Os animais de estimação ganharam espaço como amigos do homem e importantes aliados no combate ao estresse da vida contemporânea. Mas eles necessitam de tratamento adequado à sua natureza, tanto pela própria saúde quanto pela da vizinhança, dentro e fora do condomínio.

Tendência: Condomínios aproveitam espaços para recreação dos cães, como no Parque Residencial Nossa Senhora do Sabará

A posse consciente dos animais de estimação faz bem ao homem, o ajuda a combater o estresse, afirma o médico veterinário Gerson Batista. De outro modo, porém, nessa relação, alguns pets vêm ocupando o lugar da agitação e ansiedade humana e estão absorvendo e desenvolvendo com frequência maior algumas doenças, como as psicogênicas. “Ao morar em um apartamento, o animal poderá ficar estressado, mas o que mais falta é orientação e não espaço”, alerta Gerson, também biomédico, biólogo, especialista em Gestão Ambiental e pós-graduando em Animais Silvestres.

Gerson Batista observa entre seus pacientes muitos casos de mordeduras e lambeduras persistentes nas patas, principalmente em cães, que podem causar dermatite e automutilação, às vezes nervosismo ou apatia, além de “apetite caprichoso” - o animal se alimenta somente quando o dono está em casa. Segundo o médico veterinário, por agregar uma extensa variedade de portes e pesos, os cães se diferenciam não apenas por suas características morfológicas, mas também por variações fisiológicas e metabólicas: “A humanização, por vezes, não tem sido positiva para o animal”. Isso não significa abrir mão deles, mas desenvolver a posse responsável, através de cuidados como:

- Evitar comprar o animal por impulso;

- Ter conhecimento sobre a raça adquirida ou adotada, observando características próprias da raça, índole, além da forma de manejo e criação, e se optando por um porte compatível ao espaço físico disponível;

- Planejar a vida de maneira a evitar ausências prolongadas ou definitivas junto ao animal. “Ele tem um ciclo de vida, as pessoas esquecem que eles serão bebês, jovens, adultos e idosos”;

- Verificar o custo desta criação, já que “a posse responsável envolve gastos que poderão previsíveis”;

- Cuidar da saúde do animal com visitas preventivas junto ao médico veterinário; e,

- Observar limites quanto à excessiva “humanização” do pet. “O problema é projetar e idealizar um padrão no animal que não é da sua natureza, esquecendo-se das características básicas dos animais”, alerta Gerson.

COMBATE AO ESTRESSE E BARULHO

É claro que os síndicos não podem interferir na maneira como os donos dispõem de seus bichos de estimação, exceto nas situações previstas pelo Código Civil em termos de ameaça à saúde, salubridade e sossego da coletividade. Mas está ao seu alcance propor medidas que facilitem o convívio do pet no condomínio, conforme experiência relatada pela síndica Patrícia Branco, do Parque Residencial Nossa Senhora do Sabará, na zona Sul de São Paulo. A gestora afirma que a implantação há dois anos de um espaço de recreação para os cães trouxe importante benefício: Ao ganharem uma grande área para correr e brincar, eles se tornaram menos estressados e ansiosos, diminuindo as queixas de barulhos.

“O pet place mudou muito a cultura no condomínio. Antes havia pessoas simplesmente pedindo a proibição da posse de animais”, lembra a síndica. Hoje as áreas comuns estão mais limpas, há dispensers que disponibilizam saquinhos para coleta da sujeira, os cães diminuíram o estresse e latem menos. “Em termos de custo e benefício, foi o melhor investimento feito pela gestão, o que teve mais impacto. E agora virão melhorias, como a instalação de um pergolado para oferecer um pouco de sombra e brinquedos de recreação”, relata Patrícia.

Para o síndico profissional Adriano Santos, que atua em seis empreendimentos, uma boa alternativa aos gestores é promover palestras de especialistas para orientação dos moradores, como ele fez em novembro passado no Condomínio Scenário Jardim Prudência, na zona Sul de São Paulo. Um dos pontos abordados recaiu sobre as causas dos latidos excessivos. Outro problema comum está na sujeira, afirma Adriano. “Todos têm pets hoje em dia, mas as pessoas precisam tomar um pouco mais de cuidado, por isso estamos promovendo palestras”, arremata.

LIMPEZA & CONDUÇÃO

Em São Paulo, Capital, vigoram leis que imputam responsabilidades aos donos dos pets em relação à sujeira, condução e tratamento, como as destacadas a seguir:

- Limites ao número de animais por moradia (Lei 13.131/2001): Não poderá haver mais que 10 cães ou gatos coabitando um mesmo ambiente com idades acima de 90 dias;

- Limpeza das instalações (Lei 13.725/2004 - Código Sanitário de São Paulo): Elas devem “obedecer aos princípios de bem-estar animal e adequar-se às exigências da espécie abrigada no local". O Código obriga ainda à vacinação antirrábica e ao registro de cães e gatos;

- Condução dos animais (Lei 13.131/2001): É preciso colocar coleiras e guias adequadas ao tamanho e porte dos pets, bem como "porta plaqueta de identificação devidamente posicionada na coleira". A lei determina sua permanência "em locais onde fiquem impedidos de fugirem e agredirem terceiros ou outros animais".


Matéria publicada na edição - 230 - janeiro/2018 da Revista Direcional Condomínios

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