Revestimentos: hora de pensar também na acústica

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O síndico Roger Prospero promoveu ampla reforma na academia do condomínio em que vive e atua como orgânico, em 2015, visando à modernização total do espaço.

Condomínios novos dispõem, em geral, de piso vinílico básico na academia, instalado em réguas ou placas (Foto à dir.). No residencial Mont Blanc, porém, o revestimento apresenta versão mais robusta, com de 3 mm de espessura (Foto à esq.)

 

Publicitário dedicado hoje à sindicância profissional, Roger diz que o processo demandou dois anos até que fosse aprovado pela assembleia de moradores do Magic Condominium Resort, um complexo de três torres e 268 unidades localizado no Jardim do Golf, em Santo Amaro, região Sul de São Paulo.

E seguindo uma tendência identificada entre os empreendimentos, a superfície recebeu um acabamento misto. “Instalamos um vinílico de qualidade superior ao original, além do emborrachado na área onde fica a musculação, acatando sugestão de moradora que vive no andar acima da academia e que reclamou de barulho”, afirma Roger.

Além da segurança, a necessidade de atenuação acústica começa a fazer parte das preocupações e critérios considerados na hora de se definir o piso das academias. No Magic Condominium, a escolha recaiu sobre um emborrachado fabricado a partir da reciclagem de pneus. “Diminuiu em 95% o problema”, diz o síndico (Leia mais sobre acústica nas academias na pág. 20). Segundo Roger, uma comissão formada por condôminos voluntários o auxiliou no projeto e processo de reforma. “Visitamos academias e prédios, escolhemos as melhores marcas do mercado e desenvolvemos um projeto pensando em um circuito para os exercícios, de forma que o usuário possa desenvolver todo o percurso na academia.”

No Condomínio Residencial Maison Mont Blanc, localizado em Alphaville, município de Barueri, a academia dispõe de um piso vinílico mais robusto que o usual, com espessura de 3mm, em régua, atendendo satisfatoriamente às necessidades do usuário e também da manutenção, afirma a gerente predial Denise Zucarone. Esta versão tem sido uma das mais procuradas junto ao mercado pelos condomínios que buscam adequar os revestimentos, pois além da variação de cores e texturas, o fabricante oferece 15 anos de garantia, além de “conforto acústico e térmico”. Por enquanto, no Mont Blanc, o piso vem atendendo a essa especificação, completa Denise.

Além do layout e equipamentos, modernização chega ao piso

Um dos aspectos mais estudados na hora de se modernizar o espaço de fitness do condomínio está no escopo dos equipamentos, mas, de acordo com as arquitetas Camila Rentes e Patrícia Contini, isso deve envolver também revestimentos e layout. “No momento de projetar o ambiente da academia, alguns pontos são de extrema importância, como a segurança (na área de levantamento de peso, é preciso ter o amortecimento de impacto), o conforto e a manutenção (um local que recebe pessoas em vários momentos do dia deve ser de fácil limpeza). Considerando-se todos esses pontos, é importante pensar no tipo de piso a ser instalado, já que ele deve transmitir segurança a quem utiliza o local, evitando quedas e protegendo as articulações e o próprio piso original”, justificam as profissionais.

Portanto, em síntese, “na hora de escolher o piso mais adequado, o síndico precisa pensar na sua resistência, durabilidade e amortecimento de impacto, pois o intuito é reduzir o choque causado pela queda de equipamentos e demais acessórios”. Nos locais com aparelhos de musculação, por exemplo, as arquitetas indicam o uso de revestimentos de borracha. “Além de antiderrapantes, eles possibilitam o amortecimento. E quanto maior a espessura, maior será a preservação do contrapiso”, completam.

Em relação aos pisos vinílicos, elas destacam a capacidade deste material em “proporcionar sensação de conforto acústico, aderência, manutenção fácil e econômica, e absorção de impacto”. Tudo, é claro, dependendo das especificações. Esses revestimentos estão disponíveis no mercado em diferentes versões (de 2mm a 5 mm de espessura) e aqueles comercializados em manta têm como um de seus principais atrativos a “capacidade de formar um revestimento monolítico, inclusive fazendo sua junção com o rodapé como se fosse uma peça única, sem formar o efeito conhecido como ‘canto vivo’”. “Escolher um piso para academia vai além da estética e beleza, pois quem utiliza o ambiente procura conforto, acessibilidade e segurança.”

ABNT revisa norma sobre acústica. Academias podem se adaptar

Com o aumento do uso das academias nos condomínios, os síndicos começam a enfrentar queixas de moradores de andares próximos em relação aos ruídos provocados pela queda de pesos e até pela movimentação das pessoas. Segundo o engenheiro civil Marcus Vinícius Fernandes Grossi, o item é “complexo”, “pois se trata de um ruído de impacto que gera vibração da estrutura”. E até novembro passado, quando entrou em vigor a revisão da norma da ABNT sobre o assunto, não havia como exigir muito do construtor em relação ao assunto, destaca.

De qualquer maneira, Marcus Grossi pontua que o condomínio pode trabalhar essa questão, através do apoio de um profissional especializado na área, que irá “projetar o isolamento acústico” da academia. “Uma solução que funciona bem é o contrapiso flutuante, com o uso de mantas acústicas de polietileno, borracha etc.”, sugere o engenheiro. Nesse sistema, a manta acústica é instalada sobre a laje, em seguida coloca-se o contrapiso (como uma argamassa intermediária e não aderida à laje) e, somente depois, o revestimento. O engenheiro acrescenta que a aplicação de revestimentos superficiais de borracha “não atenua o suficiente, serve somente para evitar danos aos equipamentos e ao acabamento do piso”.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) publicou em novembro passado a revisão da norma NBR 10152/2017. De acordo com o portal da entidade, a NBR recomenda “procedimentos para execução de medições acústicas em ambientes internos da edificação, bem como os limites para avaliação dos resultados em função da finalidade” do espaço. Esses parâmetros visam à “preservação da saúde e do bem-estar humano” e devem ser adotados “para o adequado uso dos diferentes ambientes internos de uma edificação”.

O engenheiro Marcus Grossi ressalva, porém, que apesar da nova versão da norma cobrir a questão de ruídos de impacto de maneira mais adequada, muitas vezes, por serem pouco intensos, eles poderão estar dentro dos níveis aceitáveis pela NBR (de 5dB), mesmo que os usuários os escutem e sintam incômodo.

Emborrachados nas áreas de musculação podem diminuir danos ao revestimento e melhorar o amortecimento, mas é necessário haver projeto acústico para atenuar ruídos

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Matéria complementar:

- Fitness: Modernização das academias inclui troca do piso


Matéria publicada na edição - 230 - janeiro/2018 da Revista Direcional Condomínios

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