Organize o condomínio para as situações de rotina e emergências

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A sinalização e comunicação no condomínio serve à identificação das instalações e equipamentos; às advertências de uso das áreas comuns; à orientação de deslocamento, especialmente a rota de fuga em caso de incêndio; e à acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida, portadoras de deficiência visual ou cadeirantes, entre outros.

A síndica Mila Fernandes Rocha conseguiu aval dos bombeiros para um projeto bem complexo de AVCB. E na pauta de adequações, está a sinalização

Entretanto, os erros mais comuns observados nos condomínios estão na sinalização dos equipamentos de incêndio e rota de fuga, aponta o gestor de riscos Carlos Alberto dos Santos.

Em visita ao Condomínio Edifício Ignácio Tavares Leite, uma edificação de 1967 hoje administrada pela síndica profissional Mila Fernandes Rocha, Carlos Alberto pontuou desde falhas básicas (como a ausência de identificação na central do gás, localizada no hall social) a inadequações em relação aos equipamentos de combate ao fogo. O prédio, localizado no bairro de Higienópolis, área central de São Paulo, acaba de aprovar um projeto de AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros), o qual será executado em conjunto com o Edifício Lupércio de Camargo, com um supermercado e quatro outros pontos comerciais.

De acordo com Mila Fernandes, há um ano na gestão do Condomínio Ignácio, as edificações fazem parte do Conjunto Angélica e foram desmembradas após sua construção, mas algumas das instalações ainda são comuns. O Ignácio possui 100 unidades, sendo 96 residenciais e 4 comerciais, e nunca teve AVCB. Houve várias tentativas sem sucesso de se obter o documento, comenta a síndica, que ao assumir fez um amplo levantamento do histórico do edifício.

Em termos de sinalização de incêndio, Carlos Alberto encontrou no local placas relativas aos equipamentos em altura inadequada, algumas sem informações obrigatórias, outras sem luminescência. Segundo ele, as identificações dos andares devem ser hoje também feitas em material luminescente. “Toda a sinalização do condomínio precisará ser refeita”, indica, sugerindo que haja uma padronização. Na verdade, de acordo com a síndica Mila, as placas analisadas pelo consultor foram instaladas “sem que tivesse havido um planejamento, um projeto anterior, como estamos fazendo agora”.

SINALIZAÇÃO DE INCÊNDIO

Modelos de plaquetas de identificação de equipamentos de combate ao fogo (as mais escuras) e dos registros e válvulas do barrilete, propostos pelo consultor Carlos Alberto dos Santos

As placas relativas aos equipamentos de prevenção e combate ao fogo, assim como de orientação de rota de fuga, devem atender à ABNT NBR 13.434-1/2004 (Norma de Sinalização de Segurança Contra Incêndio e Pânico), a qual baliza, de forma geral, as legislações brasileiras relativas ao assunto. A NBR prevê, por exemplo, que cada sinalização traga informações como o nome do fabricante (ou CNPJ), mês e ano de produção, o grau de luminescência do material, além de propriedades de cor e atenuação. Em São Paulo, o assunto é regulamentado pela IT 20 (Instrução Técnica do Corpo de Bombeiros de São Paulo). Carlos Alberto lembra que a luminescência tem vida útil, obrigando a testes periódicos nas placas. Em relação às demais instalações dos prédios, o consultor chama atenção para os barriletes, pois é comum observar registros e válvulas sem identificação, além de tubulações pintadas num padrão fora da norma técnica (ABNT NBR 6493/1994). De qualquer forma, existem muitas outras áreas que demandam esse trabalho, desde a informação de renovação do RIA para os elevadores às orientações de tráfego de veículos e de deslocamento de pedestres, passando pelas regras de uso dos espaços comuns (como playgrounds, piscinas, churrasqueiras, academias e salões de festas etc.).

ACESSIBILIDADE: COMUNICAÇÃO EM TRÊS FORMATOS

A sinalização e comunicação voltadas à acessibilidade estão previstas na ABNT NBR 9050/2015, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, e prevê três tipos de recursos para atender aos portadores de deficiências e/ou mobilidade reduzida: o visual, tátil e sonoro. E no sistema de prevenção e combate a incêndio, por exemplo, esses três formatos precisam ser disponibilizados simultaneamente.

Além disso, a norma estabelece que a sinalização visual deve ser perceptível a pessoas de baixa visão, estabelecendo, para isso, as dimensões, tipos e cores das letras e números. A linguagem em braile deve acompanhar as sinalizações que indiquem orientações, instruções de uso de áreas, objetos ou equipamentos, regulamentos e normas etc. Demais elementos táteis terão que ser instalados em batentes de portas, de elevadores, em corrimãos e rampas, assim como no piso (como no início e término de escadas e rampas e junto à porta do elevador).

Um dos aspectos que mais gera discussão é sobre os locais do condomínio em que é obrigatório dispor desses elementos. A arquiteta urbanista Guiomar Leitão recomenda que o síndico busque sempre a consultoria de um profissional para orientá-lo, pois ambientes que tenham balizadores que sirvam como guias aos portadores de deficiência visual poderão dispensar o piso tátil. Importante ainda, destaca, é providenciar mapas táteis e sinalizações que orientem a localização das torres e equipamentos


Matéria publicada na edição - 230 - janeiro/2018 da Revista Direcional Condomínios

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