Medidas de prevenção a curtos e incêndio no condomínio

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Segurança e economia de energia são duas fortes razões para que os síndicos busquem atualizar e/ou adequar as instalações elétricas do prédio.

Fusíveis das caixas porta-base deram lugar a disjuntores termomagnéticos na reforma promovida pela síndica

No caso da gestora Elizabeth Bonetto, ela resolveu promover o que está chamando de “um retrofit preventivo” nos quadros de energia do Condomínio Edifício Glória Jardim Vitti, localizado no bairro da Freguesia do Ó, zona Norte de São Paulo.

Síndica

Síndica Elizabeth Bonetto: “Retrofit preventivo”

A edificação de 72 unidades irá completar 30 anos e Elizabeth ocupa a função há mais de duas décadas. “Já é de nosso perfil fazer obras preventivas. Com isso, os problemas tendem a diminuir, pois há maior conservação e consequente valorização do patrimônio comum.” Quando se espera muito, segundo Elizabeth, as anomalias surgem de forma repentina, com “urgência de regularização, acarretando gastos maiores”.

As adequações foram realizadas no final do ano passado, com a substituição de estruturas e dispositivos obsoletos em todos os quadros, instalando-se ainda de sistemas de proteção, afirma o engenheiro eletricista Valmir Ferreira Nascimento, responsável pelos trabalhos. A ideia da síndica Elizabeth era não somente garantir a segurança dos sistemas quanto o atendimento às legislações e normas técnicas. Por exemplo, houve a troca dos fundos de madeira por chapa metálica e de disjuntores termomagnéticos no lugar dos fusíveis.

De acordo com o engenheiro eletricista, os serviços envolveram os cinco quadros tipo porta-base do condomínio, o quadro da bomba de incêndio, o de distribuição e o de proteção geral da administração, os de distribuição de ambos os subsolos e o da casa de máquinas dos elevadores. Pelo fato de o prédio ser antigo, Valmir Ferreira encontrou “chaves tipo seca” em alguns quadros, as quais, segundo ele, geram mais riscos que a presença de fusíveis, “pois elas não desarmam em caso de curto circuito”. Houve ainda instalação de kit barramento isolado para interligação dos circuitos nos painéis, reorganização da fiação, limpeza e identificação dos circuitos elétricos, entre outros.

Um aspecto importante da reforma elétrica reside na logística de execução dos serviços, destaca Elizabeth Bonetto. Em seu condomínio, eles foram organizados de forma que os moradores não ficassem mais que dez horas sem energia, divididos em dois dias.

ECONOMIA ENTRA COMO BENEFÍCIO SECUNDÁRIO

Um dos pontos que costumam entrar na contabilidade dos gestores na hora de decidir pela reforma elétrica está uma possível economia de energia gerada pela reorganização e atualização dos dispositivos. Mas segundo o engenheiro Ayrton Barros, o mais importante é “atender às normas e legislação em vigor”. Nesse sentido, ele propõe uma “inspeção elétrica anual”, especialmente às edificações mais antigas, pois o trabalho “aponta as não conformidades e também detecta alterações geralmente implantadas ao longo do tempo por eletricistas práticos, que não detêm o conhecimento técnico necessário para um correto dimensionamento dos circuitos”.

Quanto à economia de energia, esta surge como efeito secundário por duas razões:

1. “A falta de manutenção, sem um reaperto anual dos dispositivos, pode geral mau contato entre os fios e chaves seccionadoras e/ou disjuntores. É esse mau contato que gera perda de energia, como aquecimento por efeito joule [efeito térmico], que chega a derreter a capa isolante dos fios junto aos conectores/terminais”. Nesse caso, a eliminação da perda por efeito joule gera economia”;

2. “Outro fator que também gera aquecimento das fiações é o dimensionamento inadequado da bitola dos fios de um circuito, o que, além de colocar em risco a edificação, aumenta o consumo de energia por não a conduzir adequadamente.”

O engenheiro destaca que todos os quadros das áreas comuns fora de norma técnica devem ser atualizados. “Desde a entrada em vigor da ABNT NBR 5.419/2015, a não conformidade mais usual é a ausência de DPS (Dispositivo de Proteção de Surto)”. A norma traz requisitos de proteção contra descargas atmosféricas.

“E não se pode esquecer que todos os quadros devem estar identificados externamente e adequadamente dimensionados, assim como os circuitos internos (com uma identificação indelével, que não gere dúvidas no seu manuseio). Os quadros devem ainda possuir o diagrama unifilar [representação dos circuitos] e estar com as sinalizações de advertência de manuseio interno e de advertência de risco de choque externo instaladas.”

Por fim, Ayrton Barros chama atenção para os quadros de energia dos elevadores: “A cabina do elevador deve ser energizada por circuito diferente do que energiza a máquina de tração”, entre outros requisitos estabelecidos pela NBR NM 207/99.


Matéria publicada na edição - 231 - fevereiro/2018 da Revista Direcional Condomínios

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