Os efeitos silenciosos e perigosos da água nas estruturas de concreto das edificações

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A carbonatação no concreto representa fenômeno comum nas construções e edificações, ela constitui um tipo de manifestação patológica que contribui para diminuir “a vida útil das edificações”, aponta o engenheiro civil Eduardo Araki.

estruturas de concreto das edificações

Eng. Civil Eduardo Araki

“A carbonatação avançada demonstra que a vida útil da construção está sendo afetada, o que a princípio traz implicações financeiras, pois demanda reparos de fissuras e tratamento da estrutura, além de provocar a desvalorização do imóvel. Porém, quanto mais tempo se levar para realizar seu tratamento, maior será o estrago a ser reparado. Em estágio avançado, a carbonatação traz sérias implicações de segurança para a edificação e seus usuários, com risco de ruptura numa situação extrema”, alerta.

Na prática, este fenômeno está entre as principais causas das fissuras que abrem passagem para que a água encontre caminho desde a superfície até uma laje, por exemplo. Segundo Eduardo Araki, o processo resulta dos processos químicos gerados após o contato da água com o gás carbônico. Pelo fato de o concreto possuir pequenos poros e não ser 100% impermeável, a água consegue penetrar em sua composição. Se houver também o gás carbônico, a reação química decorrente irá alterar o pH do material, o que afetará a armadura (o aço), oxidando-a e fazendo com que a mesma se expanda até que caia o revestimento ou a “capa” da estrutura do concreto, explica.

Os efeitos do processo químico não são, portanto, aparentes em um primeiro momento. Eles se tornarão visíveis aos síndicos quando houver o surgimento de fissuras ou o desplacamento do concreto. Isso significa que a umidade já estava afetando a estrutura havia algum tempo sem que o fenômeno pudesse ter sido "observado a olho nu". É possível, pontua o especialista, determinar a existência da carbonatação através de ensaio específico, bem como seu grau de intensidade e determinar a vida útil restante da estrutura de concreto.

Pilares, vigas, paredes de reservatórios, lajes e cortinas podem ser afetados pelo processo. A concentração do gás carbônico nas garagens dos subsolos contribui bastante para a ocorrência dessas manifestações patológicas, aponta. Portanto, a umidade decorrente da infiltração, somada ao gás liberado pelos escapamentos dos automóveis, potencializam o risco de o condomínio vir a ter problemas com esse tipo de estrutura.

RESERVATÓRIOS D’ÁGUA

No caso das paredes dos reservatórios, cujos síndicos costumam contratar a impermeabilização das paredes internas, é importante também observar os fundos das caixas d‘água (pela sua face externa), destaca o engenheiro. Eduardo Araki explica que esta base se encontra constantemente submetida a uma “flexão de carga”, causada por um constante esvaziamento e enchimento do reservatório, fator que também influencia na carbonatação, “aumentando a umidade e entrada de gases”. Ele explica que o fenômeno contribui para a perda da vida útil dessa estrutura de concreto e provoca o aparecimento de microfissuras na face externa, “que se não forem tratadas, irão permitir a entrada de umidade”.

A falta de manutenção do sistema impermeabilizante da caixa d’água gera perdas, risco de infiltração em instalações como a casa de máquinas de elevadores e fossos, além de umidade ou até inundação nos apartamentos próximos da cobertura.

 

estruturas de concreto das edificações

Situações extremas de degradação das estruturas


Matéria publicada na edição - 233 - abril/2018 da Revista Direcional Condomínios

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