Segurança: Tecnologia em rede muda cultura nos condomínios

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A confiança e o domínio de novas tecnologias pelos usuários vêm alterando a visão dos condomínios sobre segurança. A presença humana continua importante nos controles de acesso, mas estes incorporam cada vez mais soluções online de atendimento e monitoramento, como portaria virtual, híbrida ou automatizada.

Lucas Rossetto Espindola, gerente de condomínio e o prédio que automatizou a portaria

O avanço tecnológico introduziu novos paradigmas na vida moderna, a exemplo das áreas do trabalho, serviços, comércio, comunicações, transporte, saúde, turismo, hospedagem, lazer e diversão etc. E chega aos condomínios alterando uma cultura muito forte no Brasil: A de que é preciso haver a presença do porteiro ou controlador de acesso na entrada do prédio para que os moradores tenham sensação de segurança. Pressionados pelo custo na manutenção desta mão de obra, gestores e condôminos começam a repensar o conceito e aderir à automação, portaria virtual ou soluções híbridas, de acordo com o perfil do empreendimento.

“O processo de convencimento é longo. Mas hoje os condomínios estão mais palatáveis ao assunto, diminuiu a resistência”, afirma Lucas Rossetto Espindola, gestor de um prédio de 16 unidades localizado na zona Oeste de São Paulo, que automatizou em março passado o acesso às portarias (pedestres e veículos). Houve a dispensa de três dos cinco funcionários e contratação de empresa externa somente para monitoramento das imagens à distância. Não há atendimento em tempo real das pessoas que acessam o prédio. Na portaria automatizada, quem atende os visitantes é o próprio morador; já na virtual, também conhecida como portaria remota ou à distância, o atendimento é realizado 24 horas por dia através da central de monitoramento. Existem ainda prédios que alternam o funcionamento da portaria (modelo híbrido), durante o dia com presença de funcionários e, após 20h ou 22h, somente com acesso eletrônico, atendido pelos moradores.

No condomínio administrado por Lucas Rossetto, o sistema foi implantado depois de pelo menos um ano e meio de conversas, pesquisas e negociações, envolvendo moradores e empresas. Inúmeros equipamentos foram adquiridos para reforçar a infraestrutura de segurança, condição essencial para esta transição:

- Troca dos interfones, de forma que os moradores possam se comunicar entre si e que haja um aparelho móvel, para o uso dos funcionários que permaneceram;

- Instalação de monitores nos apartamentos para visualização das imagens, as quais podem ser acessadas ainda via smartphone ou computador;

- Reforço significativo do sistema de câmeras, em modelos digitais;

- Implantação do sistema biométrico, de senhas e de nobreaks para portões, internet e biometria;

- Instalação de intertravamento nos portões e de botão de pânico no sistema de alarme;

- Troca da antiga cerca elétrica por uma versão industrial, mais robusta; e,

- Automatização de todas as portas de acesso à torre e às áreas comuns, como a academia.

Apesar dos investimentos, a expectativa é que se possa reduzir em 50% a taxa mensal de rateio, depois de um período de adaptação, estimado em 90 dias. De acordo com o gerente do condomínio, o retorno dado pelos moradores tem sido positivo. Ele acredita que esta seja uma tendência entre os residenciais de poucas unidades que estejam bem localizados, disponham de boa proteção perimetral e tenham uma população mais permanente. “A cultura dos condomínios está hoje mais favorável a isso”, reforça. O gestor observa que as pessoas acabam se adaptando ao formato quando entendem a lógica do sistema.

Essa é a aposta do síndico Carlos Mencio, há doze anos gestor de uma edificação residencial na Vila Mariana, em São Paulo, com 30 unidades. A ideia é estudar as possibilidades dadas pela tecnologia de forma a alterar o sistema de controle de acesso, hoje presencial. O principal motivador para a mudança está na necessidade de reduzir custos e agora o síndico está realizando pesquisas a empresas e visitas a condomínios para buscar segurança na futura decisão. De qualquer maneira, condomínios visitados pela reportagem da Direcional (além dos citados nesta reportagem) apostam que os novos equipamentos e controles dão confiança aos usuários e estão ajudando a quebrar barreiras, movimento favorecido pelo incremento dos serviços de internet (como velocidade e capacidade de armazenamento), o surgimento de câmeras com boa definição de imagem e protocolo TCP/IP, próprio para o envio e recebimento de dados via web, e os sistemas biométricos.


Matéria publicada na edição - 234 - maio/2018 da Revista Direcional Condomínios

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