Protegendo a fachada: Por que impermeabilizar?

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Mesmo que não seja obrigatória, “a proteção vertical ou impermeabilização de fachada aumenta a resistência das superfícies contra a penetração de agentes agressivos, aumentando a vida útil da estrutura”, afirma o engenheiro civil José Miguel Farinha Morgado, diretor-executivo do Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI).

O procedimento deve ser aplicado “após a recuperação e tratamento do concreto ou revestimento”, recomenda o especialista. “A impermeabilização protege o sistema das batidas de chuva, não só em fachadas como em muros de arrimo”. “Muitos dos produtos, por serem elásticos, possuem elevado alongamento à tração, evitando que haja fissuras e trincas na fachada”, completa José Miguel.

Segundo ele, entre os produtos, destacam-se os hidrorrepelentes e vernizes.

“Os hidrorrepelentes (hidrofugantes) são agentes ‘impregnantes’ e podem ser aplicados sobre o substrato não uniforme e com fissuras ou poros menores que 3mm. Eles não formam filme, não alteram as características naturais do substrato, aceitam alguma porosidade residual do substrato e reduzem a penetração de cloretos. Mas não são eficazes contra a carbonatação nem contra chuvas ácidas (lixiviação).”

O engenheiro afirma que o hidrorrepelente incolor disperso em solvente ou água vem pronto para aplicação, em sistemas como:

  • Concreto;
  • Fachadas de tijolo aparente ou de revestimentos tipo Fulget;
  • Muros;
  • Pedras decorativas; e,
  • Argamassa raspada.

“Já os vernizes são formadores de película e são resistentes à carbonatação, à fuligem, à lixiviação e água, à fotodegradação, no entanto, dependem de um substrato uniforme e sem fissuras/poros. Esses produtos podem ser acrílicos, em poliuretano alifático, antipichação, epóxi e sistemas duplo - epóxi-poliuretano. O verniz antipichação é uma solução de alto desempenho, um protetor contra a tinta de pichação.”

José Miguel observa que suas principais vantagens são:

  • Permitem facilmente sucessivas remoções com qualquer thinner (diluente) comercial;
  • Alta resistência às intempéries, pois não amarela e não perde o brilho;
  • Protege as superfícies contra a ação de chuvas e agentes agressivos presentes na atmosfera (chuvas ácidas, poluição, penetração por cloretos ou outros sais, etc.);
  • Impede a impregnação das superfícies por óleos e graxas, bem como a formação de fungos e microrganismos.

Protegendo a fachada: Rufos

Falta de rufos e calhas acelera degradação – Os chamados rufos pingadeiras (ausentes na foto ao lado), que são instalados sobre o topo das paredes, muros e guarda-corpos, compõem, juntamente com as calhas, parte do sistema de cobertura e impermeabilização, afirma o engenheiro civil Eduardo Araki. “As calhas recolhem a água da chuva que cai nos telhados e a direciona para a rede de esgotamento de águas pluviais. Os rufos protegem o encontro de coberturas e paredes para que a água da chuva não penetre nestes locais.”

Eduardo Araki explica que “a função primordial do rufo pingadeira é proteger o topo da fachada, já que, em uma chuva com vento, é certo que haverá água escorrendo pela superfície”. Em geral, essas estruturas são metálicas (principalmente para a junção de parede e cobertura) ou de concreto, entre outros. O engenheiro orienta que os rufos pingadeiras tenham “uma projeção um pouco maior que a da face da parede, para permitir que a água ‘pingue’ fora da fachada”. Segundo ele, “a falta do rufo causa a infiltração da água por baixo das camadas do revestimento, seja pastilha, cerâmica, textura etc. No caso de revestimento, a infiltração causa lixiviação na argamassa de assentamento, levando ao surgimento de eflorescências e ao desplacamento. No caso de textura ou pintura, surgem fissuras e infiltrações.”

CONDÔMINOS ESCOLHEM NOVAS CORES - A síndica Rosana Nichio está promovendo a recuperação da fachada do Condomínio Edifício Siena Tower (fotos acima), em Santana, paralelamente à reforma da frente do prédio (mudança de gradil, acessibilidade, impermeabilização e calçada externa). O escopo dos serviços na fachada também é amplo, pois envolve a mudança das cores, selecionadas após duas opções estudadas pelo arquiteto Marcus Vinícius Abrantes e apresentadas para escolha entre os condôminos. Foram cotadas 15 empresas para a execução da obra e se buscou a de melhor preço e serviço, afirma Rosana. Havia 13 anos que a fachada, em textura, não passava por manutenção, obra viabilizada agora com a reorganização financeira do prédio e com recebimentos de dívidas de uma unidade que foi a leilão para pagar dívidas da taxa de rateio.

Matéria publicada na edição - 235 - junho/2018 da Revista Direcional Condomínios

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