A recuperação de danos estruturais em fachadas: Grande desafio aos síndicos

Escrito por 

“Retrofit” na fachada é um processo que está no horizonte de um condomínio administrado pela síndica profissional Mariza Carvalho Alves de Mello, no bairro do Paraíso, em São Paulo.

Engenheiro Claudio Estephan em condomínio na região do Paraíso (SP), que apresenta vícios construtivos estruturais na fachada e vigas

O prédio, de 26 unidades, foi entregue em 1970 com pastilhas predominando em boa parte da fachada, que possui ainda faces com acabamento em concreto aparente. Manifestação patológica bastante comum nas edificações com revestimento cerâmico, o descolamento já vinha, há muito, mobilizando reparos paliativos por parte da administração, de forma a evitar que novas quedas do material atingissem as áreas comuns.

Entretanto, ao contratar um laudo de inspeção e, na sequência, uma perícia para as vigas e pilares de sustentação localizadas no pavimento térreo, os condôminos se depararam com a necessidade de praticamente refazer o sistema da fachada, não sem antes recuperar e reforçar a estrutura de concreto armado. Segundo o engenheiro civil Claudio Estephan, autor do laudo e consultor do condomínio, as fachadas apresentam vícios construtivos com a infiltração de água e desplacamentos, e, as vigas e os pilares, “cobrimento insuficiente ou até inexistente de concreto”.

No caso dos vícios, em síntese, eles estão relacionados ao modelo construtivo da parte da fachada com pastilha, um pano longo, inteiriço e retangular, sem juntas de dilatação verticais e horizontais (hoje obrigatórias pela NBR ABNT 13755/2017 para superfícies com revestimento cerâmico). No lugar delas, foram executados frisos horizontais ao longo do pano, com utilização de perfis tipo U de alumínio, um material rígido, impróprio para o sistema. Todo esse desenho gerou infiltrações, contribuiu para se formarem os bolsões entre as pastilhas e a base e provocou fissuras, umidades e queda de reboco nas paredes internas das unidades.

Além dessas características construtivas, o quadro teve o agravante de a estrutura em concreto armado do prédio ter ficado exposta e sem proteção durante sete anos, período em que a obra ficou embargada. “A estrutura ficou exposta, desprotegida. A argamassa e a pintura, ou demais tipos de revestimentos, têm a função de dar estanqueidade e proteção à estrutura”, explica o engenheiro. E mesmo depois da implantação do condomínio, houve longos períodos sem manutenção, afirma a síndica Mariza Mello.

“Mexeram na parte estética do prédio. Muita gente se preocupa com a maquiagem e esquece do corpinho. A maquiagem sai, cai, e a conta fica.” No caso, assembleia de moradores realizada no início deste mês iria definir as estratégias de viabilização da obra, orçada, no mínimo, em R$ 1 milhão. Segundo o engenheiro Claudio Estephan, haverá necessidade de remover toda pastilha e, se o condomínio optar por novo material cerâmico, terão que ser executadas as juntas verticais e horizontais de dilatação.


Matéria publicada na edição - 236 - julho/2018 da Revista Direcional Condomínios

Não reproduza o conteúdo sem autorização do Grupo Direcional. Este site está protegido pela Lei de Direitos Autorais. (Lei 9610 de 19/02/1998), sua reprodução total ou parcial é proibida nos termos da Lei.