Terceira idade no condomínio

No dia 1º de outubro o Brasil comemorou o Dia do Idoso, população que vem crescendo e começa a despertar os condomínios para suas necessidades. É preciso garantir a inserção e apoio aos moradores da 3ª idade, auxiliando-os na autonomia e no exercício da cidadania.

Um novo tipo de equipamento começa a ocupar o cenário de áreas livres de condomínios e praças públicas: com estruturas em ferro e/ou madeira, eles são indicados para exercícios de alongamento, equilíbrio e resistência muscular dos praticantes de atividades físicas da 3ª Idade. O síndico Adolfo Luiz Asquino, do Condomínio Residencial Parque das Nações, diz que teve a ideia de montar uma área com essa finalidade ao observar o uso dos aparelhos em uma colônia de férias no Interior de São Paulo.

A síndica Railda Silva, moradora antiga do Condomínio Edifício Parque do Olimpo, no Jardim da Saúde, zona Sudeste de São Paulo, começou a observar há mais de sete anos muita gente solitária entre os moradores das 216 unidades e três torres do empreendimento. Em 2007, propôs a criação do Grupo de Amor à Melhor Idade. Com festas dos aniversariantes e confraternização de final de ano, o Gami se constituiu num ponto de apoio e amizade. “As pessoas antes ficavam no seu quadrado, não tinham liberdade para falar com o vizinho. Agora, com o Gami, elas conversam mais e pedem até auxílio”, afirma Railda. A iniciativa deu tão certo que o condomínio deve se mobilizar para reunir os pais das crianças pequenas, entre 3 a 6 anos, em novo grupo de amigos.

Os momentos de reforma e modernização dos condomínios representam ótima oportunidade para adaptar as áreas comuns às normas de acessibilidade. No entanto, como promover ampla acessibilidade em prédios feitos há cerca de quarenta anos, por exemplo, muitos sem elevadores, com apartamentos em subsolo e três andares acima do térreo, além de escadas em caracol? “Simplesmente as pessoas se mudam quando começam a envelhecer”, comenta a síndica Cybele Belschansky, do Condomínio Edifício Residencial Jupiá, construção de quatro décadas e 36 unidades localizada em Santa Terezinha, na zona Norte de São Paulo.

Os idosos podem e devem aproveitar a segurança e a infra-estrutura dos condomínios para ter uma vida mais ativa e feliz.

O apartamento é pequeno mas acolhe, generosamente, o suntuoso piano de cauda de Zeila São João, 82 anos, pianista com uma biografia cheia de fatos marcantes e que, certamente, dariam um livro. Venceu as dificuldades de uma paralisia infantil, foi assistente da pianista Magda Tagliaferro, ganhou uma bolsa de estudos, ainda mocinha, para estudar piano em Paris; emocionou-se ao tocar no piano que pertenceu a Frederic Chopin e deu uma audição ao compositor Villa-Lobos. Suas histórias estão guardadas numa memória brilhante e também num livro cuidadosamente encadernado, com seu nome gravado em letras douradas na capa de couro vermelha, e que ocupa lugar de honra na sala de visitas do apartamento. Hoje, Zeïla ainda toca, mas seu principal passatempo é se dedicar às atividades do prédio, onde mora há 14 anos, o Plaza 50, um residencial com serviços, localizado nos Jardins.