Segunda, 23 Fevereiro 2015 17:34

Crise d’água: como os condomínios e condôminos devem proceder?

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Da noite para o dia, como num passe de mágica, o paulistano acordou em meio a uma crise hídrica. Uma crise que chegou do nada, já em estado crítico. Mas de onde veio? O que fizeram de errado? Ou o que fizemos de errado? Foi banho demais? Chuva de menos? Falta de informação? Falta de conscientização?

O problema do abastecimento de água na Região Metropolitana de São Paulo não é novidade. O primeiro sinal veio em 2004, quando a estrutura dos reservatórios se mostrou insuficiente para atender à crescente demanda populacional. “A população cresce, mas o volume de água não.” E o pior, o volume anual vem diminuindo a cada ano em decorrência das mudanças climáticas.  O problema é que aprendemos durante nossas vidas que o Brasil é o País com o maior volume de água do planeta, com a maior bacia hidrográfica do mundo (Bacia Amazônica), ou seja, aqui água é o que não falta. Sim, temos água em abundância, mas ela é mal distribuída. Existem locais que têm água demais e locais que têm água de menos.

Este desequilíbrio, somado a uma cultura de desperdício e à falta de planejamento e de gestão por parte do governo, nos levou à situação em que nos encontramos hoje.

Estamos vivendo com o fantasma do racionamento. Em uma cidade de 12 milhões de pessoas isto é extremamente preocupante. A estiagem não foi de uma hora para a outra.

Desde 2013, a chuva já estava abaixo da média na região. De acordo com os planos da Sabesp, a cidade de São Paulo ficaria bastante dependente do Sistema Cantareira, o que era preocupante. Se a água dos tanques do sistema acabasse, seria o caos. E foi. Em julho de 2014, o volume útil da Cantareira, que atende a 8,8 milhões de pessoas na Grande SP, esgotou. Com o esvaziamento do reservatório e as previsões pessimistas de falta de chuva, São Paulo se afogou na maior crise hídrica dos últimos 80 anos.

Portanto, a culpa desta crise na maior cidade deste País não é só de São Pedro. A culpa é uma somatória de fatores, dentre eles: (1) falta de planejamento e de gestão por parte dos governos estadual e federal; (2) consumo desenfreado; (3) falta de conscientização da população frente ao assunto; (4) baixa qualidade do sistema de abastecimento (ocorrendo perdas de aproximadamente 30% no caminho entre a distribuidora e as torneiras das casas); (5) alto índice de urbanização; (6) impermeabilização do solo, com a perda da capacidade de absorção de água pelo sistema; entre outros.

Como devemos então proceder perante toda esta situação? O que os condomínios e os condôminos devem fazer? Seguem algumas dicas para ambos:

Condomínios:

  • Fazer uma boa manutenção, verificando se existem vazamentos ou falhas no sistema;
  • Pesquisar soluções de reuso de água e de captação de água de chuva;
  • Orientar os condôminos quanto a um consumo racional;
  • Criar campanhas de conscientização no condomínio;
  • Substituir a válvula hidra por sistema de caixa acoplada (de preferência com duplo acionamento);
  • Substituir torneiras giratórias por sistema de acionamento por pressão ou por sensor.

Condôminos:

  • Ficar atento aos vazamentos;
  • Substituir válvula hidra por sistema de caixa acoplada (de preferência com duplo acionamento);
  • Substituir torneiras giratórias por sistema de acionamento por pressão ou por sensor;
  • Utilizar baldes ou bacias para captar a água do banho e reutilizá-la para outros fins como descarga, lavagem de pisos e limpeza em geral;
  • Reutilizar a água da máquina de lavar roupa para outros fins;
  • Diminuir o tempo no banho;
  • Fechar a torneira enquanto se ensaboa ou enquanto escova os dentes.
Adriana Jazzar

Geógrafa graduada pela PUC de São Paulo com MBA em Gestão Ambiental e Mestre em Tecnologia Ambiental pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). Especializada em gerenciamento de resíduos sólidos e gestão para a sustentabilidade, é sócia-diretora da consultoria Ecoação (Gestão Ambiental e Sustentabilidade), juntamente com Adriana Barros. Realiza ainda palestras e é docente em Gestão Ambiental.
Mais informações: adriana.jazzar@ecoacao.eco.br / adriana.barros@ecoacao.eco.br