Sexta, 17 Janeiro 2020 00:00

Redes sociais no condomínio: Por que o app de mensagens gera ansiedade

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Na edição impressa da Direcional Condomínios de janeiro 2020, falo rapidamente sobre a ansiedade e os efeitos que as ferramentas TICs (de Tecnologia da Informação e Comunicação), a exemplo dos aplicativos de mensagens dos celulares, como o WhatsApp, provocam na interação comunicacional das pessoas.

Com a criação das novas “rodovias” de comunicação que a Internet oportunizou, sistemas e modelos inovaram e mudaram o comportamento de comunicação entre as pessoas. Foram criados e-mail, chat, WhatsApp, videoconferências, fóruns, comunidades virtuais, entre tantos outros, de forma que esses mecanismos denominados como TICs podem ser definidos como síncronos ou assíncronos

Ferramenta síncrona é aquela em que a comunicação ocorre em tempo real, ao menos a ferramenta proporciona essa comunicação instantânea, como, por exemplo chat, webconferência ou facetime. Por outro lado, na ferramenta assíncrona a comunicação não ocorre em tempo real, pois ela de fato será completada com a resposta do receptor ao emissor no tempo determinado pelo primeiro. É o caso do e-mail e do WhatsApp, que são consideradas TICs assíncronos, o receptor não responde sincronicamente ao emissor.

E aí residem os impactos da tecnologia humanizada ou da humanização da tecnologia, alterando e impactando nosso comportamento de comunicação.

Quando enviamos uma mensagem por WhatsApp, quantos de nós ficamos ansiosos aguardando o tal do “marcador azul” ou até mesmo se a mensagem já chegou ao seu destino? E então ficamos com os olhos fixados no celular ou na tela no computador aguardando a resposta, o comentário, a foto ou uma gravação em tempo real. Não importa onde e o que aquela pessoa esteja fazendo em que enviamos a mensagem.

A provocação que deixo aqui é lhes perguntar se precisamos responder a todo e qualquer momento, instantaneamente, às mensagens no WhatsApp

Notem, essa ansiedade e a conduta da obrigatoriedade auto imposta de responder imediatamente pode nos levar a escrever ou gravar um áudio de forma impulsiva, além de invadir a nossa privacidade e a autonomia de nos comunicarmos no tempo e espaço que desejarmos ou pudermos.

Em tese, o WhatsApp é uma ferramenta de comunicação assíncrona, ou seja, a interação não é em tempo real, porém, na prática, não é o que tem acontecido com essa TIC.

Consideremos os grupos de WhatsApp: Muitos são criados com um conjunto de regras e políticas, determinando os horários para postagem, os temas que podem ser postados e por aí vai, porém, muitas vezes são canais que acabam gerando desentendimentos, opiniões que desqualifiquem o interlocutor e até agressões verbais. Esses conflitos, na sua maioria, são gerados pelo imediatismo e por essa impulsividade, que provoca o distanciamento da privacidade. Será que estamos perdendo o modo, o conteúdo, o tempo e o espaço no qual desejamos nos comunicar? 

O bom senso e o respeito devem prevalecer, premissas para continuarmos e nos adaptarmos a tanta tecnologia que está inovando nossas vidas e assim continuará com certeza.


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Celeida M. C. Laporta

Mestre em Direito, advogada, bacharel na área e em outros cursos de nível superior, como Matemática Pura e Análise de Sistemas, tendo publicado livros nesses segmentos. Hoje atua no Direito, com pós-graduação em Direito do Trabalho e Direito Tributário, como mediadora judicial/extrajudicial e árbitra. Fez vários cursos internacionais em resolução de conflitos, é professora em curso de pós-graduação e palestrante. Instaurou e credenciou a Câmara CS Views de Mediação e Arbitragem junto ao TJ SP, organizou e patrocinou o livro "Mediação de conflitos na prática - Estudos de casos concretos" (pela Editora Lumen Juris, 2019), obra coorganizada também por Sabrina Nagib de Sales Borges. No mês de março de 2020 Celeida M. C. Laporta irá lançar obra inédita sobre Resolução de Conflitos em plataforma online: "ODR Resolução de Conflitos online" (Editora Lumen Juris, 2020). Mais informações: advogada@celeidalaporta.adv.br; www.csviews.com.br.