Drogas no Condomínio

Nesta parte da entrevista, Luís Renato Mendonça Davini fala sobre as condições que favorecem o uso de drogas pelos adolescentes nos condomínios; sua relação com amigos de fora que os abastecem com entorpecentes, e; sobre medidas que poderão ser tomadas pelo síndico para desestimular o encontro deles nas áreas comuns para o consumo.

Algumas administradoras costumam orientar os síndicos a não interferirem nos casos em que um morador reclama do “cheiro da maconha” proveniente da vizinhança? O delegado Luís Renato Mendonça Davini questiona e rebate esta postura em entrevista neste vídeo. Segundo ele, o síndico possui representação legal para agir e deve acionar a autoridade policial.

Quais as medidas preventivas o síndico pode adotar para barrar o consumo de entorpecentes nas áreas comuns? O direito à propriedade protege um usuário de drogas dentro de casa? O que fazer quando há pontos de consumo e tráfico perto do condomínio? Essas são questões recorrentes entre os síndicos, abordadas na reportagem a seguir.

O bairro da Vila Leopoldina, na zona Oeste de São Paulo, possui hoje o 3º maior número de usuários de crack em alguns bolsões nas imediações da Ceagesp, afirma o síndico e jornalista Eduardo Fiora. São cerca de 400 pessoas, um número flutuante, observa.

Psicólogo especialista em tratamento de dependentes químicos, Nelson Luiz Raspes disponibiliza inúmeros artigos sobre drogadição no site da Direcional Condomínios, com o intuito de municiar síndicos e familiares de informações que os auxiliem a enfrentar potenciais conflitos decorrentes do consumo de drogas nesses ambientes coletivos. E abaixo, em entrevista exclusiva à Direcional, Nelson volta a abordar o assunto com novos elementos. Confira.

O consumo de drogas dentro do condomínio não permite ao gestor ser displicente, é necessário saber agir rapidamente e com rigor.

O consumo de drogas representa um dos problemas mais delicados que os síndicos enfrentam nos condomínios. Sua abordagem junto aos moradores (usuários e/ou familiares) é complexa e demanda conhecimento mínimo das implicações do vício.

“Muitos pais não têm percebido o que consomem seus filhos. E o início da dependência química é cada vez mais precoce, hoje entre 11 e 12 anos. O álcool é uma droga psicotrópica e funciona como porta de entrada para o consumo das demais. Entre os jovens e adolescentes adictos (dependentes químicos), há registros de consumo de álcool gel, de álcool de produtos de limpeza, de álcool puro diluído em um pouco de água etc.”

Não é raro dentro de condomínios haver problemas envolvendo o uso de drogas. Em alguns edifícios, há, inclusive, a reclamação de uso e descarte de entorpecentes na área comum, seja estacionamento e até mesmo o espaço destinado às crianças. O inconveniente traz dúvidas de como os gestores devem agir mediante tal situação.

Os condomínios se tornaram um dos principais espaços sociais de convívio dos adolescentes, por isso abordaremos a questão da ansiedade, sentimento tão em alta nos dias atuais, aliada à depressão. Antigamente finalizava-se esta etapa da vida aos 18, 19 anos de idade, e hoje, encerra-se por volta dos 24 ou 25 anos. Ansiedade e depressão são temas altamente explorados em todo o mundo, não havendo distinção de classes socioeconômicas e culturais, e vale dizer, não há mais idade em que se possa acometer a população dos males do século atual.

Continuando nossa série de artigos sobre alcoolismo, abordaremos agora uma série de fatores relacionados ao consumo de álcool no Brasil. Lembraremos e reforçaremos alguns pontos já citados nos artigos anteriores.

O texto a seguir é a continuação do material apresentado no artigo anterior referente aos efeitos do álcool no organismo humano.

Vale lembrar que o material apresentado está diretamente relacionado aos estudos executados pelo SENAD (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas), em conjunto com a UNIFESP (Universidade Federal do Estado de São Paulo) e o SUPERA (Sistema para Detecção do Uso Abusivo e Dependência de Substâncias Psicoativas).

Continuando a série de artigos sobre Dependência Química que visam a orientar os síndicos, onde procuramos mostrar a importância de que eles abordem o assunto com os pais e demais condôminos, torna-se necessário agora apresentar-lhes as causas e consequências da utilização dessas substâncias pelos dependentes, desde as mais usadas, até as menos usadas.

Até o presente momento, nos artigos anteriores foram apresentadas aos internautas algumas noções sobre a dependência química: definição, causas, consequências e, principalmente, os malefícios.

A mobilização contra um problema sério que atinge as famílias, mas que também afeta uma coletividade como os condomínios, precisa estar orientada por parâmetros sólidos, de maneira a subsidiar positivamente os responsáveis, por exemplo, nas ações para trabalhar a dependência química. Em sequência aos artigos que temos publicados sobre a questão, falaremos a seguir sobre as fases e sintomas de recaída.

A ABSTINÊNCIA TOTAL é necessária para recuperação da DEPENDÊNCIA QUÍMICA. Promessas para diminuir o consumo de entorpecentes não podem ser mantidas. Qualquer uso, mínimo que seja, manterá a adicção ativa.

“É de suma importância realizar um trabalho de treinamento especializado junto aos seguranças do condomínio, transmitindo a esses profissionais noções e conhecimentos práticos e teóricos sobre dependência química.”

Quando pensamos num eventual consumo de drogas em nossos condomínios, o que normalmente nos vem à mente são as drogas ilícitas, como maconha, cocaína e, mais recentemente, o crack. Uma das causas de fazermos essa associação tão espontânea é que vemos pelas ruas, praças e parques grupos de jovens fumando maconha livres de qualquer coerção ou orientação.

Eles insistem em consumir drogas nas áreas comuns, e agora?

Ser síndico hoje é um desafio maior do que em outros tempos, pois as problemáticas de um condomínio superaram e muito eventos corriqueiros como barulho, brigas entre vizinhos etc. É o caso do consumo de drogas, que cresce dia a dia e diante do qual muita gente não sabe o que fazer, perguntando-se, entre outros, como abordar o condômino em questão, como falar com seus responsáveis? Como veem, é uma lista enorme de questionamentos, que precisam encontrar respostas para que o síndico se posicione e tome uma atitude. Eles envolvem moradores em situação infracional, delicada, principalmente quando inclui menores de idade, quadro que exige a interlocução com os responsáveis pelos mesmos.

Uso das áreas comuns não pode prejudicar terceiros e deve zelar pela convivência pacífica entre condôminos. Conforme a lei federal antidrogas, síndico pode ser penalizado e responsabilizado “nas mesmas penas que o infrator”.

Gerente predial durante oito anos de um edifício residencial, Marcos Carvalho sentiu na pele como o uso de drogas pode afetar a vida em condomínio. Um morador jovem fazia uso de drogas nas áreas comuns. Por consequência, problemas de comportamento do rapaz também incomodavam os vizinhos. O gerente lembra que ele costumava usar o elevador social sem camisa e que o cheiro de maconha vindo do apartamento incomodava especialmente o vizinho do andar de cima. “Investi na conversa. Não foi nada fácil, levei uns três meses só para conseguir começar a dialogar. Também procurei o pai do rapaz, que admitiu não saber mais o que fazer com o filho. Cheguei a ir à delegacia, e o delegado me orientou que eu não tinha muito mais o que fazer. Só poderia chamar a polícia se estivesse configurado tráfico de drogas no apartamento”, lembra.

Durante sua apresentação no 4º Direcional Condomínios, realizado no final de maio, o delegado de polícia e consultor operacional em segurança, Luís Mendonça Davini, abordou formas de prevenção e de enfrentamento das situações que envolvem consumo e venda de drogas no interior dos condomínios.

Investir em medidas preventivas, como câmeras e campanhas de conscientização, é o mais indicado na luta contra as drogas. Mas algumas vezes a atuação do síndico é necessária.

Levantamento nacional realizado junto às escolas públicas pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), vinculado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) aponta que o contato com as drogas lícitas, principalmente o álcool, representa a porta de entrada de jovens e adolescentes no vício das ilícitas.

Nunca é cedo ou tarde demais para prevenir. Muitos fatores determinantes, como por exemplo juízo de valores e auto-estima, vão se formando desde a mais tenra idade