Quarta, 29 Março 2017 00:00

Proteção Contra descargas Atmosféricas e a função do para-raios nas edificações

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"As águas de março vão embora, mas as descargas atmosféricas continuam."

A época de tempestades traz sempre os problemas das descargas atmosféricas, os famosos raios, período em que temos que arcar com os prejuízos de queima de equipamento, rompimento de parte da alvenaria e outros problemas inerentes à descarga. Pois bem, vamos colocar os pingos nos “is” aqui.

A descarga atmosférica é algo que acontece sempre, pois é considerado um fenômeno aleatório e transitório, ou seja, não é possível prever onde ela vai cair, pois isso depende muito do ar (conseguimos definir a região, mas não o exato local). Se não sabemos em que local o raio vai cair, devemos prevenir, e para isto é importante instalarmos as proteções contra descargas atmosféricas, previstas na norma técnica ABNT NBR 5.419/2015 que prevê o Sistema de Proteção contra Descarga Atmosférica (SPDA), que conhecemos como os para-raios, e também as medidas de proteção contra surtos (MPS). Essas são nada mais que parâmetros de instalação de dispositivos de proteção contra surtos (DPS) no prédio ou edificação.

Os dois sistemas compõem a proteção. O SPDA (para-raios) irá proteger a edificação e as pessoas e animais que nela se encontrem, garantindo que nenhum raio os atinja. O sistema é composto por (a) captores, que ficam no topo do prédio; (b) descidas, que podem ser por cabos externos ou pelas ferragens da estrutura; e (c) aterramento que fica no solo. Este conjunto, ao ser atingido, conduz para a terra a energia do raio, protegendo, assim, como já citei, as pessoas que estiverem dentro da edificação.

Proteção total?

Mas o para-raios não protege equipamentos eletrônicos. Estes devem ser protegidos pelos DPS corretamente instalados junto aos componentes da rede elétrica, para desviar o surto de tensão para a terra. Com isso, um pico de tensão causado pela descarga atmosférica, ao atingir a rede em qualquer ponto, acaba sendo transmitida pelos condutores, sem sobrecarregar os equipamentos. O DPS também deve ser instalado em sistemas de comunicação como interfones, antenas de TV, centrais telefônicas, entre outros.

Em resumo, para uma segurança maior, você deve instalar DPS em todas as entradas de condutores metálicos (seja de sinal ou energia) da edificação. Aproveite agora que as águas de março estão fechando o verão e contrate uma revisão completa do SPDA de seu prédio. Contrate junto um projeto de MPS para proteger seus equipamentos, assim quando o verão voltar, sua edificação estará protegida.

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Edson Martinho

Engenheiro Eletricista, é diretor-executivo da Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade). Professor, palestrante e articulista. Escreveu e publicou o livro "Distúrbios da Energia Elétrica" (Editora Érica, 2009)
Mais informações: edson@lambdaconsultoria.com.br



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