Quarta, 26 Março 2014 00:00

Instalações elétricas: seu condomínio está seguro? Saiba como verificar o sistema (1)

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“Há muito mais requisitos para uma instalação elétrica segura do que uma simples tomada.”

No artigo de inauguração desta coluna, falamos da importância da verificação periódica da instalação elétrica (de cinco em cinco anos), com o propósito de avaliar as condições da rede e de seus componentes em relação ao uso. Nesta avaliação deverão ser observados os equipamentos utilizados e, principalmente, as condições dos componentes.

Ainda no artigo anterior, falamos das características dos condutores, um dos principais componentes da instalação elétrica, e de como eles reagem às variações. Continuando na linha dos componentes, vamos prosseguir nossa conversa, tratando das proteções que uma instalação elétrica deve ter. Estas proteções deverão estar presentes e, principalmente, atuando, ou em condições de atuar, cada vez que uma falha existir, conforme mostramos a seguir:

Proteções indispensáveis às instalações elétricas

  • Proteção contra sobrecorrente: para casos de sobrecarga e curto-circuito;
  • Proteção contra choques: em situações de contato direto ou indireto (Básica, supletiva ou complementar);
  • Proteção contra sobretensão: para surto de tensão.

Teremos a oportunidade de discorrer sobre cada uma destas proteções neste artigo e nos posteriores. Vamos iniciar com a proteção contra sobrecorrente.

Proteção contra sobrecorrente

A sobrecorrente é dividida em sobrecarga e curto-circuito. Ambos são prejudiciais à integridade da instalação elétrica e também aos usuários.

Vejamos:

Uma sobrecarga acontece quando se ultrapassa a capacidade de condução de corrente de um condutor, ou seja, é quando colocamos mais passageiros em um carro do que a capacidade nominal dele. Este condutor irá esquentar e, consequentemente, poderá danificar seu isolamento, chegando ao ponto de perder esta característica, deixando o condutor exposto e vulnerável.

O aquecimento gerado pela sobrecorrente também poderá iniciar um incêndio. A diferença entre a sobrecarga e o curto-circuito é que, na sobrecarga, há um aumento pequeno da corrente acima da capacidade do condutor, que poderá ser suportado por este condutor por um determinado tempo (o que vai de alguns minutos até algumas horas). Cada condutor tem sua curva de trabalho, que indica qual é este tempo, e um dispositivo de proteção deverá desligar a energia excedida dentro destes limites.

Já o curto-circuito é um aumento muito grande desta corrente em um curto espaço de tempo. E o dano é muito maior, portanto, a rede deverá ser desligada imediatamente. Os dispositivos usados para esta proteção são o fusível ou o disjuntor, que possuem a característica de seccionar (interromper a passagem da corrente elétrica pelo condutor) dentro dos limites de segurança. Para que esta proteção ocorra, o dispositivo (disjuntor ou fusível) deverá estar coordenado entre si, ou seja, o disjuntor, por exemplo, deverá ser adequado e atuar dentro de um determinado tempo para que a proteção do condutor esteja garantida, seja nos casos de sobrecarga ou curto-circuito. Esta coordenação deverá ser executada por um profissional habilitado, ou seja, por um engenheiro ou técnico que possa avaliar qual o melhor dispositivo de proteção para aquele condutor.

Alerta: Nos casos clássicos de grandes incêndios do passado – Joelma, Andraus, Grande Rio, entre outros -, a coordenação dos disjuntores não foi observada e foram substituídos sem critério, causando o princípio do incêndio. Infelizmente, esta prática ainda é realizada diariamente, ou seja, leigos sem este conhecimento substituem disjuntores ou fusíveis sem antes avaliar a capacidade de corrente do condutor.

Voltando ao disjuntor: além da capacidade de corrente e coordenação com o condutor, o disjuntor tem, pelo menos, mais cinco parâmetros que devem ser definidos antes de serem aplicados, e todos dependem da instalação elétrica.
Veja abaixo:

Parâmetros mínimos para se escolher um disjuntor

  • Tensão nominal: o valor da tensão onde o disjuntor será utilizado;
  • Capacidade de interrupção em curto-circuito: capacidade de interromper o curto-circuito máximo que aquela instalação poderá apresentar;
  • Curva de atuação do curto circuito: para cada grupo de cargas (tipo de equipamento), há uma curva de atuação. O erro nesta especificação poderá fazer o dispositivo atuar sem necessariamente estar com problemas;
  • Tensão de impulso: deve estar íntegro mesmo com a ocorrência de um surto e tensão;
  • Certificação dos disjuntores de uso predial.

Como podemos ver, há muito mais requisitos para uma instalação elétrica segura do que uma simples tomada. No próximo artigo falaremos da importância da proteção contra choques elétricos, e também voltaremos a falar dos disjuntores e fusível, então até lá!

São Paulo, 26 de março de 2014

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Edson Martinho

Engenheiro Eletricista, é diretor-executivo da Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade). Professor, palestrante e articulista. Escreveu e publicou o livro "Distúrbios da Energia Elétrica" (Editora Érica, 2009)
Mais informações: edson@lambdaconsultoria.com.br