Recuperação Estrutural - Empresas dão o beabá dos serviços em armações e fachadas

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No sentido estrito do termo, a recuperação estrutural prevê “a recomposição dos elementos de concreto de sustentação dos edifícios”, conforme pontua o engenheiro civil Antonio Carlos Gonçalves Burgos, proprietário da taji engenharia. Mas as empresas do segmento incorporaram um grande leque de serviços de manutenção predial, em que o cumprimento às normas técnicas, a seriedade e a qualidade tornaram-se parâmetros obrigatórios na execução dos trabalhos.

Segundo Paulo Maccaferri, diretor e sócio da adapt engenharia e tecnologia, inexiste um tempo certo para que as patologias se manifestem. “Como não são visíveis a olho nu, passamos muito mais a tratar com prevenção, fazendo as manutenções de fachada no devido tempo”, afirma. E ao se manifestar “qualquer sinal”, mesmo que aparentemente demande somente um pequeno reparo, é importante realizar testes e ensaios com empresas especializadas, para um diagnóstico preciso do problema, observa.

Em patologias como a oxidação das armaduras, “a rapidez com que se encara o problema é a única forma que o condomínio tem para evitar grandes problemas em termos de intervenção e custos”, diz. O empresário lembra que elas acabam acontecendo tanto em prédios antigos quanto novos por falta de manutenção periódica, pela ausência, quando da execução da obra, de um recobrimento mínimo da estrutura e também por falhas no acompanhamento e controle da construção. O recobrimento, por exemplo, é um procedimento que ganhou importância a partir da evolução das normas técnicas.

A Adapt Engenharia costuma trabalhar e propor soluções a partir da realização de um diagnóstico, com a retirada do “emboço em algumas partes para que possamos avaliar a dimensão do problema”, revela. As etapas de desenvolvimento do processo envolvem, segundo o diretor, a elaboração de uma ficha de antecedentes; levantamento dos dados e mapeamento da fachada; seleção das regiões para exame visual mais detalhado e retirada de amostras; escolha das técnicas de ensaio, medições e análises mais acuradas; definição dos locais onde serão aplicadas essas técnicas; e a execução dos testes, incluindo análises físico-químicas. Este ano a Adapt completa uma década de serviços, “sempre acompanhada pelos melhores consultores da área” e voltada à atualização e reciclagem de sua equipe, treinando-a para o uso de novos materiais e equipamentos.

Com 15 anos de mercado, a atala engenharia chama a atenção dos síndicos e administradores para a necessidade de manutenções periódicas como forma de evitar custos maiores no futuro. “Nas fachadas é aconselhável o restauro a cada 5 anos”, recomenda o engenheiro civil e perito Carim Atala Elmor Sobrinho. Já nas estruturas em concreto armado, ele diz que vistorias constantes ajudam a identificar patologias como fissuras, trincas e rachaduras. O engenheiro ressalta que é indispensável apresentar capacidade técnica e competência executiva para a realização dos trabalhos. “A empresa necessita, no mínimo, ter conhecimento de cálculo estrutural”, destaca. Segundo ele, um engenheiro experiente consegue, pelo diagnóstico visual, “ter uma boa noção do grau de comprometimento da estrutura”. Mas o cliente deve contratar um projeto com recolhimento de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica/veja Dica na página 20), “para que haja diretriz técnica e facilite a equalização das propostas”.

Os serviços executados pela Atala envolvem escoramento das peças em concreto; retirada do recobrimento do concreto solto ou com má-aderência devido à oxidação das armações; ‘desconfinamento’ das armações oxidadas, seguido de lixamento mecânico; checagem da perda da armação, para análise do comprometimento do coeficiente de segurança; quando necessária, inserção de novas barras, respeitando se as normas técnicas para restituir esse coeficiente; aplicação de produto inibidor de oxidação nas armações; e execução de novo recobrimento das armações. Carim Atala destaca que sua empresa utiliza materiais e equipamentos de primeira linha, sempre muito atenta ao cumprimento das normas técnicas brasileiras.

Na EB Engenharia o escopo dos serviços prestados inicia-se também pelo diagnóstico das patologias, por meio de um laudo pericial. O diretor da empresa, Marcelo Giannetto Moreira, enumera a seguir as principais atividades realizadas pela empresa: lavagem das fachadas; teste de percussão com martelo de borracha para remoção do revestimento comprometido; recomposição deste revestimento; tratamento das ferragens aparentes, com a remoção da ferrugem através do uso de uma escova de aço; aplicação de produtos antiferrugem; de fundo preparador; e pintura.

Entre as causas das patalogias, Marcelo Gianetto aponta que a utilização de argamassas de baixa qualidade durante a construção costuma tornar-se um agravante aos efeitos gerados pela ação do tempo. “O reboco que vai em cima dos estribos e ferragens deve ter uma espessura de 20 a 40 mm”, lembra. Com 21 anos de mercado, a EB Engenharia destaca como seu grande diferencial uma carteira de clientes que abrange museus, prefeituras, hospitais, obras do Metrô paulistano e a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE). “Temos todas as certidões negativas, seguro e sede própria”, acrescenta Marcelo Giannetto, informando que em 2010 ampliou seu departamento de engenharia, “nas áreas de pintura, restauração de fachadas e impermeabilização, conseqüentemente aumentando a equipe de orçamentos e supervisores de obra”.

Também Ronny Samuel Menasce, diretor comercial e técnico da Menacon, aponta que a necessidade de obras de recuperação estrutural está muito vinculada à forma como se deu a concretagem de vigas, pilares, lajes, paredes, entre outros, durante a construção da edificação. “É necessário um cobrimento mínimo, previsto nas normas técnicas e de acordo com as condições do meio ambiente”, diz. A empresa oferece aos clientes uma vistoria prévia de um engenheiro ou técnico em recuperação, “para avaliar, fotografar e diagnosticar o problema existente sem custo algum”. “Dependendo do caso, a Menacon fornecerá um projeto elaborado por um calculista para o reforço da peça afetada.”

Segundo o diretor, sua equipe trabalha com materiais de primeira linha, descritos em orçamento. “Nossa mão-de-obra é especializada e treinada para a recuperação de estruturas, inclusive em altura”, observa. As atividades da Menacon começaram em 1993, mas a experiência de seus gestores vem desde 1986, quando atuavam em outra construtora. Ronny Menasce destaca ainda que dá garantia de 5 anos aos clientes, que têm retornado com um “índice de satisfação e indicações muito alto”. “Antes de contratar uma empresa, o cliente deve sempre consultar a sua idoneidade e observar se é registrada no CREA, atende às qualificações técnicas exigidas e oferece seguro de responsabilidade civil e a terceiros, além de solicitar atestados de obras”, orienta.

O engenheiro civil Cláudio Travassos de Aquino, diretor e sócio da NVA Engenharia, diz que “as estruturas de concreto armado são como pessoas, nascem, crescem, maturam e envelhecem”. “Ou seja, o escopo do serviço é diferenciado, baseia-se em que fase da vida a estrutura apresenta a ‘doença’. Neste caso, demanda uma análise crítica da anomalia, para então, receitar a ‘cura’ ou ‘tratamento’.” Assim, as intervenções podem variar “desde o simples tratamento de uma trinca ou corrosão de armadura, até um reforço estrutural localizado ou global”.

De acordo com as normas técnicas atuais, que estipulam parâmetros para a longevidade e durabilidade, as estruturas mantêm-se por 50 anos caso sejam “bem projetadas e construídas”, estima Cláudio Travassos. “Mas naquelas que já nasceram com falhas de projeto ou construtivas, as ‘doenças’ poderão se manifestar antes do prazo estabelecido. Já executamos reparos em edifícios com menos de 6 meses de tempo de Habite-se, ou, ainda, durante a própria construção do prédio.” No caso das fachadas, comenta o engenheiro, a durabilidade deve levar em conta “o tipo de acabamento utilizado”. “Para revestimentos cerâmicos, é necessário realizar lavagens periódicas a cada 2 anos pelo menos, e isto inclui também revestimentos com acabamento de pintura.”

Cláudio Travassos explica que as lavagens combatem a contaminação gerada pelas chuvas ácidas e fuligem, que “se impregna sobre as superfícies dos revestimentos e da película da pintura”, provocando a sua deterioração e do rejunte e diminuindo a vida útil do material. As lavagens periódicas podem aumentá-la em pelo menos 40%, acrescenta. Por fim, Cláudio lembra que ocorre uma proliferação de fungos sobre a superfície umedecida pela chuva ou atingida pela fuligem (identificados pela propagação de uma coloração escura, verde ou marrom), os quais “se alimentam das resinas acrílicas presentes na película de pintura e nos materiais de rejuntamento cerâmico, diminuindo ainda mais a durabilidade destes materiais”. A lavagem é feita, segundo ele, pelo uso de água potável e detergente neutro.

Com 22 anos de existência, a NVA Engenharia também atua sob a realização de diagnósticos prévios. Segundo Cláudio Travassos, o “grande diferencial” da empresa está na execução de “uma obra de qualidade, no prazo adequado e com preço justo”, O diretor recomenda aos síndicos ou administradores evitar contratar os serviços com base nos orçamentos mais baixos, pois “o menor preço não significa o melhor serviço”.

Uma das empresas mais antigas do segmento, com 28 anos de trabalho, a Planeta Manutenção desenvolveu toda uma metodologia exclusiva na recuperação estrutural, afirma o diretor técnico Juraci Francisco de Almeida. Esta envolve desde demarcações das anomalias com giz de cera formando-se figuras geométricas aos reparos superficiais, semiprofundos e profundos, cada um com um tipo de procedimento diferenciado. Juraci de Almeida comenta que todo serviço realizado pela empresa pressupõe antes uma visita técnica no local e expedição de laudo técnico, com participação de um engenheiro e um calculista especializado na área. O projeto de execução surge deste laudo e prevê “o uso de materiais de primeira linha”, o atendimento às normas técnicas estabelecidas pela ABNT e a atuação de “engenheiros altamente qualificados, para que possamos ter qualidade e segurança na hora de dar garantia ao cliente”. O diretor pondera, entretanto, que os condomínios devem apostar na manutenção preventiva como “forma de baratear todo esse processo, contratando empresas especializadas”.

Finalmente, a Taji Engenharia também traz toda uma expertise nos serviços de recuperação estrutural. Segundo explica o engenheiro civil Antonio Carlos Gonçalves Burgos, proprietário e diretor da empresa, a intervenção demanda, antes, a análise do nível de importância que cada estrutura atingida tem sobre a edificação, “para posteriormente verificarmos o grau de comprometimento das mesmas”. Antonio Carlos refere-se aos pilares ou colunas, vigas e lajes. “Em nível de importância, é prioritária a realização de serviços nos pilares, depois nas vigas e por fim nas lajes. Isso quer dizer que se uma laje apresenta problemas de ‘desplacamento’ da carapaça de concreto, em princípio não traz maiores preocupações, entretanto se isto ocorre nas colunas de sustentação do edifício, aí sim precisará de maior atenção.”

Todo o trabalho da empresa baseia-se em vistorias, as quais indicarão o perfil da intervenção. Diante de pequenos problemas, como o comprometimento das estruturas nas garagens da edificação, elabora-se “uma proposta técnica com as informações pertinentes aos serviços a serem efetuados”. Mas se houver “grandes comprometimentos”, a empresa recomenda a contratação de laboratórios especializados para a realização de ensaios tecnológicos, observa o diretor. Com 19 anos de mercado, a Taji Engenharia atende ainda às demais obras relacionadas à manutenção predial, incluindo a restauração de fachadas, impermeabilização de lajes, recuperação estrutural de elementos construtivos e pintura. Seu grande diferencial, destaca o engenheiro Antonio Carlos, é atuar junto aos edifícios habitados, conforme as normas técnicas e também de segurança, em específico a NR-18, voltada a serviços em altura, “a qual ajudamos a formular em 2004”.

Matéria publicada na Edição 145 de abril de 2010 da Revista Direcional Condomínios.