Festas no Condomínio

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Bazares, chegadas do papai Noel, jantares, partidas de futebol, amigos secretos, corais...

Tudo é válido para se reunir os vizinhos - pais, jovens, crianças e adolescentes - na celebração do Natal e da chegada do Ano Novo. 

Um grupo de vinte mulheres costuma se reunir três tardes por semana ao longo do ano no salão de festas do Condomínio Residencial Parque dos Pássaros II , em Interlagos, zona sul de São Paulo. São artesãs de habilidades diversas, que têm ali uma boa oportunidade para produzir, ensinar umas às outras e tomar o café vespertino, regado a muita conversa. Neste final de ano não poderia faltar o bazar do grupo, tampouco a já tradicional brincadeira de amigo secreto e o jantar de confraternização como forma de comemorar a chegada das festas, diz uma de suas organizadoras, a dona de casa e artesã Ione Cipollini. O bazar e o amigo secreto aconteceram há poucos dias; as mulheres se preparam agora para o jantar que irá selar um ano inteiro de convívio.

Bazares, jantares e momentos de chegada do papai Noel estão entre os principais momentos de celebração coletiva que os condomínios costumam promover nesta época, muitas vezes em caráter mais informal, quando o rateio de verba acontece entre os próprios participantes, como o jantar das artesãs do Parque dos Pássaros II . Mas há locais que se organizam durante o semestre para levantar recursos extras, definir temas de decoração natalina e organizar a programação. Especialmente nos chamados condomínios clube, de alto padrão, que chegam a destinar até R$ 60 mil somente para essas atividades.

DJs e show de fogos

O professor de Educação Física e coordenador de eventos de uma escola de esportes, Marcelo Mancini, diz que está trabalhando com verbas entre R$ 10 mil e R$ 60 mil para organizar as confraternizações neste final de ano nos condomínios que fazem parte de sua clientela. São atividades que servem para marcar o encerramento de aulas de diferentes modalidades esportivas e recreativas, dadas ao longo do ano para todas as faixas etárias. O caixa varia conforme a quantidade de condôminos, mas a programação em geral inclui brincadeiras com partidas de futebol (casados versus solteiros, por exemplo), chegada do papai Noel, apresentação de coral infantil, balé e sapateado, gincanas envolvendo pais e filhos e fechamento com um jantar animado por música ao vivo e contratado junto a um buffet. Em um dos condomínios que atende, o papai Noel chegará de carruagem. Em outro, haverá a simulação de uma fábrica de brinquedos, em que as crianças montarão kits adquiridos pelos organizadores com a verba extra da festa. Eles serão embalados para presente e entregues ao papai Noel, que os encaminhará a instituições que acolhem menores carentes.

A solidariedade também marca as ações do Condomínio Edifício Tulipas, na Mooca, zona leste da cidade, que no início deste mês promoveu um jantar de confraternização entre seus moradores e, uma semana depois, uma rodada de pizza como forma de arrecadar alimentos não perecíveis e entregá-los a uma entidade. Segundo a gerente geral de condomínios, Vânia Dalmaso, que trabalha há 16 anos no segmento e possui uma carteira de 130 clientes, o mais comum é que festas bem estruturadas, como essas, aconteçam nos chamados condomínios clube, com mais de 300 unidades, ou nos de veraneio.

“Existe uma tendência para que se realizem confraternizações de Natal coletivas nos grandes condomínios, mas isso ainda não acontece com facilidade, pois os administradores não conseguem um consenso entre os moradores”, observa por sua vez Neusa Di Fore, da área comercial de um buffet em São Paulo. A empresa promoverá um jantar com cardápio de degustação em um residencial da zona sul de São Paulo, para cerca de 300 pessoas, a um custo de R$ 27 mil. Além disso, o condomínio contratou a apresentação de um DJ. “Neste ano, é o único para nós com este perfil”, diz.

Já nos condomínios de veraneio, as festas acabam ousando um pouco mais, conforme relata a gerente Vânia Dalmaso. Alguns deles contratam shows de fogos, apresentação de DJs e buffets. A organização do evento se inicia por volta dos meses de agosto e setembro, diz, com aprovação de rateio extra por parte da assembleia geral dos condôminos. “Acabamos providenciando até a licença junto ao Corpo de Bombeiros para o show de fogos”, ressalta.

Decoração como ponto de encontro

Mas na maioria dos condomínios residenciais as atividades são mais simples, de baixo custo, observa Vânia. É o caso da chegada do papai Noel que está sendo preparada pela síndica Renata Payá, do Condomínio Grand Garden, da Vila Prudente, zona leste de São Paulo. A programação incluiu ainda um bazar com 27 expositores, entre artesãos e vendedores de produtos por catálogo, todos residentes no local. Com cerca de mil moradores, quatro torres com apartamentos de três e quatro dormitórios, o Gran Garden simboliza assim a chegada do Natal, como forma de “promover a integração entre as pessoas e dar uma oportunidade para que se conheçam”.

Os eventos contribuem também para envolver mais a comunidade com o próprio condomínio, “motiva uma participação maior e inibe o vandalismo”, destaca Renata. Por fim, ajudam a levantar uma verba extra, pois cada expositor pagou uma taxa de R$ 20,00, dinheiro usado para locação de mesas e custeio da própria festa de Natal. Aliás, este é um procedimento usual do Grand Garden, que costuma levantar recursos com as atividades que realiza, como a festa junina e do dia das crianças. A festa junina deste ano, por exemplo, rendeu o suficiente para que a administração pudesse equipar a sala de jogos frequentada pelos jovens e adolescentes com DVD, karaokê e tevê de LCD.

Outro local que optou pelo bazar de Natal é o Condomínio Piazza Di Toscana, no Jardim Avelino, zona leste de São Paulo. “O momento propicia a confraternização entre os moradores”, afirma a síndica Ana Josefa Severino Pereira, há cinco anos no cargo. Mas Ana Pereira aposta principalmente na decoração de Natal como forma de “mobilizar um encontro maior entre as pessoas”. Seu condomínio chegou a conquistar em 2006 o troféu Natal Iluminado, concurso promovido pela São Paulo Turismo (SPTuris).

Neste ano, as fachadas estão enfeitadas com estrelas de luzes, em três colunas penduradas em cada um dos prédios, os quais abrigam 168 apartamentos e cerca de 500 moradores. Uma árvore de Natal de quatro metros de altura, produzida com embalagem PET e colocada sobre o espelho d’água, enfeita a entrada do local. Cortinas de luzes e demais motivos natalinos ornam a portaria e os jardins do Piazza. “A árvore acaba se tornando um ponto de encontro”, comenta a síndica. Segundo ela, foram investidos R$ 8 mil na decoração neste ano, sem que houvesse, entretanto, necessidade de rateio extra. Muitos materiais são reaproveitados de um ano para outro, como a cortina de luzes, que em 2008 esteve nas fachadas dos edifícios.

Com um orçamento bem mais modesto, o Condomínio Edifício Morumbi Garden, na zona sul da cidade, também encontra na ornamentação uma maneira de celebrar a chegada das festas do final de ano. A própria síndica Nélia Rosane é quem se dispõe a confeccionar muitos enfeites, reaproveitando materiais dos anos anteriores. Com a ajuda do zelador, Nélia montou no começo de dezembro “uma árvore enorme”, com motivos nas cores vermelho e dourado, decorou os jardins e afixou mensagens nos elevadores, a um custo irrisório. “Não gastei R$ 500,00”, diz, destacando que “nunca” repete os enfeites, mas os reaproveita de maneira criativa.

E para quem pretende caprichar no próximo ano, a decoradora Rosely Pignataro, tricampeã consecutiva do concurso Natal Iluminado, recomenda que comece a se organizar até o meio do ano, principalmente se for trabalhar com materiais recicláveis. É preciso juntar as peças, lavar, definir o tema, cortar e pintar, lembra Rosely. A decoradora observa uma procura cada vez maior pelo uso dos recicláveis e das lâmpadas econômicas do tipo LED, itens que podem ajudar os síndicos e administradores a garantir um ambiente festivo sem a necessidade de desembolsar uma soma elevada do orçamento ou recorrer a rateio extra. 

Matéria publicada na Edição 142 de dezembro de 2009 da Revista Direcional Condomínios.