Confusão no condomínio (3): A “encrenca do bem”

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A síndica profissional Marta Girardin já esteve nos dois lados do caldeirão de conflitos de um condomínio. Antes de se tornar síndica, na posição de condômina, foi aguerrida no acompanhamento das contas, que estavam elevadas enquanto o condomínio via sua manutenção se deteriorar dia a dia. Ao se eleger síndica, até o gerador estava penhorado por falta de pagamentos. “Fazia uma encrenca do bem”, comenta Marta, que depois, na posição de síndica, colocou a casa em ordem, mas começou a ter de lidar com moradores que gostam de uma confusão. “É preciso dar limites, para que o síndico garanta sua privacidade.”

ANTÍDOTOS

Para o advogado Rodrigo Karpat, também da área de condomínios e atual síndico do prédio onde mora, os conflitos estão latentes, extrapolam nas assembleias e muitos têm origem em ações de represália, seja de antigo síndico que acabou derrotado em votação ou de alguém que recebeu multa. A saída, diz ele, é o síndico dar “máxima transparência à prestação de contas”, porque esse é o primeiro ponto que será questionado por um condômino movido pelo sentimento de revanche. O gestor não deverá ainda abrir mão de precauções básicas, como:

- Obter três orçamentos de toda obra que for realizar;

- Ter aprovação prévia das assembleias e ratificação do conselho para despesas extraordinárias;

- Tornar pública a prestação de contas ordinárias e extraordinárias;

- Atualizar a Convenção e o Regulamento Interno, especialmente no item relativo a notificações e aplicação de multas;

- Contar com uma administradora de primeira linha, que mantenha tudo em ordem, evitando falhas e conflitos; e,

- Envolver o conselho e os próprios condôminos com a vida local, “pois o encrenqueiro vai tentar derrubar o síndico em uma assembleia”, justifica o advogado, lembrando que esse tipo de comportamento acaba se tornando “obsessivo”.

Por fim, se não houver jeito, é preciso utilizar a “força coercitiva” dos instrumentos legais do condomínio, como notificar, aplicar multa e, em último caso, recorrer ao Judiciário.

 

Matéria publicada na edição - 194 de set/2014 da Revista Direcional Condomínios