Centro: O coração da cidade

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Foi lá que tudo começou. O Centro continua se desenvolvendo, e atraindo cada vez mais moradores. 

SÃO PAULO não tem praia, seu ar é poluído e o trânsito é infernal. Apesar de tudo, a cidade tem seus atrativos. Um deles é o Centro, na verdade mais do que um bairro. A Subprefeitura da Sé engloba os distritos da Sé, República, Bom Retiro, Pari, Brás, Cambuci, Liberdade, Bela Vista, Consolação e Santa Cecília, contabilizando uma área total de 37,3 km2. Porém, é no centro velho (distrito Sé) e no centro novo (distrito República) que estão reunidos os prédios símbolos da cidade. “A distinção de Centro é um pouco elástica. Mas, para os mais bairristas, Sé e República definem o Centro. É nessas regiões que se concentram os bens de maior interesse arquitetônico e o maior número de imóveis tombados da cidade”, define Jorge Rubies, presidente da Associação Preserva São Paulo, associação de defesa do patrimônio histórico, arquitetônico, cultural e paisagístico da cidade de São Paulo.

No Centro, comenta Rubies, boa parte dos edifícios foi construída entre os anos 1920 e 1950. Do período colonial até cerca de 150 anos atrás, o atual Centro da cidade era a própria São Paulo. “A partir do século XIX a cidade se expandiu, criaram-se outros bairros residenciais, como Campos Elíseos e Higienópolis, e a função residencial do Centro foi se perdendo”, aponta. Depois de um período de degradação total da região, bolsões residenciais se recuperaram. Alguns se mantiveram incólumes mesmo durante a crise, acredita o presidente da Preserva São Paulo, caso dos apartamentos de alto padrão da Avenida São Luís. “Recentemente, também a classe média está percebendo que é um bom negócio morar no Centro. A região tem uma infra-estrutura subutilizada. Certamente, é a única região da cidade que não corre o risco de saturação de seus serviços”, acredita. Rubies cita a atual construção de um condomínio residencial no Largo do Arouche, o primeiro em muito tempo, e a tendência de retrofit, que tem convertido prédios comerciais para residenciais. “São prédios que estão sendo recuperados, restaurados e ocupados, atraindo moradores para o Centro”, constata.

O decorador Eduardo Stadnik é um dos paulistas que resolveu adotar o Centro. Há 10 anos mora no suntuoso Edifício São Tomás, na Praça da República, num apartamento de 400 metros quadrados. Construído há 58 anos, o prédio é tombado pelo Patrimônio Histórico e tem acabamentos sofisticados, como mármores italianos e fechaduras tchecas. “O que me atraiu no Centro foi a qualidade do imóvel e a facilidade de acessos”, diz. Eduardo comenta que preferiu comprar um apartamento grande no Centro a um pequeno nos Jardins – o valor investido seria o mesmo. “Mudei para cá quando a revitalização estava começando. Hoje, melhorou muito. A Praça da República foi reformada, mas ainda existem os camelôs, que desvalorizam muito a região. De qualquer forma, os prédios residenciais estão investindo em melhorias. O São Tomás já teve a parte mecânica dos elevadores trocada, as cabines restauradas e a fachada passará também por restauração”, comenta.

O Centro também tem seus antigos apaixonados. Apesar de residir no bairro do Paraíso, o advogado Antonio Carneiro Tavares da Silva passa a maior parte do tempo no Centro. Afinal, ele é síndico há 40 anos do Edifício Nova Brasília, na Praça João Mendes – praticamente, desde que o prédio existe. Tavares já modernizou o hall e prima por uma administração austera e cuidadosa com a manutenção. O síndico se orgulha da boa convivência entre proprietários, inquilinos e os 10 funcionários próprios do condomínio. “É um ambiente familiar, raro de acontecer”, admite. A boa administração tem valorizado os imóveis. Conforme o síndico, é muito difícil encontrar conjuntos para vender ou alugar no prédio. Os próprios condôminos acabam ficando com os conjuntos vagos. No edifício há uma agência bancária, outra dos Correios, um cartório e um tabelião de notas, além de inúmeros escritórios de advogados, de contabilidade e administradores de imóveis. “Aqui temos tudo perto, inclusive metrô. Não saberia viver em outro lugar”, completa.

Matéria publicada na Edição 126 de julho de 2008 da Revista Direcional Condomínios.     


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