Villa Nova Conceição: Charme e qualidade de vida

Escrito por 

Ao lado do Parque do Ibirapuera, bairro se firma como o mais estrelado da cidade.

Quem passa pelas ruas da Vila Nova Conceição se sente em um país de primeiro mundo. Um bairro tranqüilo, com ruas arborizadas e prédios luxuosos, e que reúne o que há de mais moderno com um certo ar tradicional de vila do passado. A vizinhança é formada por nomes badalados, como artistas, jornalistas e banqueiros. O casal formado pela milionária Athina Onassis e o cavaleiro Doda também tem apartamento lá. Mas o vizinho mais ilustre é o Parque do Ibirapuera, onde se pode ir tranquilamente a pé. Mas é claro que tudo isso tem um preço. Entre os 172 prédios do bairro, pode-se encontrar alguns em que o metro quadrado chega a custar 17 mil reais. Mas, segundo corretores que atuam no bairro, o preço médio praticado fica entre 8 mil e 12 mil reais o metro quadrado.

Hoje, a Vila Nova é referência na cidade, principalmente pela qualidade de vida. Mas, nem sempre foi assim. O local era desconhecido até a década de 70. O empresário Alfredo Saldiva foi um dos moradores dos primeiros prédios, em 1975. "Era um lugar que ninguém sabia onde ficava. Tínhamos que dar como referência o Parque do Ibirapuera. O pouco comércio do bairro estava na Rua Afonso Braz. Eu morava em um edifício que nem tinha muro. Colocávamos uma corrente para cercar", lembra Saldiva.

O bairro foi oficializado em 1972, com a Lei de Zoneamento da cidade de São Paulo. Até essa época, a Vila Nova não despertava a atenção dos paulistanos. O cenário era composto por grandes terrenos e ruas de terra. O presidente da Associação dos Moradores da Vila Nova Conceição, Abrahão Badra, explica que, com a lei, muitas pessoas passaram a procurar o local para morar. "A prefeitura instituiu a Lei em alguns bairros porque era uma tendência moderna de planejamento urbano, a fim de se proteger locais residenciais mas que permitiam pequenos comércios, como cabeleireiros, açougues, padarias. E isso atraiu muita gente", comenta.

O crescimento demográfico do bairro ocorreu a partir da década de 80. No entanto, a expansão trouxe alguns problemas. Com o aumento do número de casas e prédios, o pequeno comércio local vislumbrou um potencial de crescimento dos negócios. O caso mais conhecido é o da Daslu. "As donas tinham uma lojinha em uma garagem. Aos poucos, o lugar passou a ser freqüentado pelas senhoras do bairro que queriam comprar artigos importados. Da garagem, a Daslu ocupou toda a casa. Depois, passou para outras casas que se interligavam. Por fim, criaram uma loja de mil metros quadrados, sendo que o limite de área permitida era de 250 metros quadrados", critica Badra. 

A retirada dos estabelecimentos ilegais da Vila Nova é uma das reivindicações da Associação. O presidente alerta que o comércio, em geral, provoca um aumento da movimentação dos carros, que danifica a estrutura das ruas, além de poluir o ar e fazer barulho: "Formam-se congestionamentos que até impedem o trânsito dos moradores dentro do bairro. A situação também incentiva o comércio ambulante e o surgimento de outros tipos de estabelecimentos clandestinos." A maior parte dos moradores reclama, principalmente, do aumento do trânsito na região. "As ruas da Vila Nova se transformaram em corredores alternativos para motoristas fugirem do fluxo na Avenida Santo Amaro. Também faltam locais para estacionar. As pessoas vão para o Ibirapuera e deixam o carro no bairro", explica Saldiva.

Mesmo com os problemas da urbanização, o setor imobiliário ainda cresce vertiginosamente no bairro. O presidente do Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), José Augusto Viana Neto, afirma que ainda há espaço para quem quiser morar no local. "O único impeditivo é o preço. Ficou muito restrito ao público com alto poder aquisitivo", diz. Morar na Vila Nova Conceição ainda é o sonho de muitos paulistanos. "A Vila Nova tem um charme especial e procuramos manter essa qualidade de vida. Eu não troco por outro bairro", conclui Badra.

Matéria publicada na Edição 126 de julho de 2008 da Revista Direcional Condomínios.