Impermeabilização - Como escolher a técnica mais apropriada

Escrito por 

Antes de contratar, observe as necessidades do condomínio, a dimensão do problema e dos custos, e as características de execução de cada técnica

Depois de um longo tempo convivendo com inúmeros pontos de infiltração na garagem e demais instalações do subsolo, os condôminos do Edifício Firenze, na Mooca, e do Edifício La Paloma, no bairro dos Jardins, ambos em São Paulo, viram-se praticamente livres deste tipo de problema nos dias chuvosos. Nos últimos meses, os edifícios passaram por obras de impermeabilização, cada um deles optando por técnicas bem distintas. No Firenze foi realizado um trabalho com a substituição da manta asfáltica e no La Paloma, uma intervenção que utiliza a tecnologia de injeção de gel vinílico em trincas e fissuras. Os síndicos Francisco Aparecido Romanucci, do Firenze, e Sofia Macedo, do La Paloma, afirmam estar satisfeitos com os resultados apresentados pelas diferentes técnicas.

“O porte da obra com manta preocupava um pouco, porque tínhamos conhecimento do tipo da quebra que teria que ser feita. Mas há uma hora em que a situação fica insustentável, que temos que resolver. Hoje a expectativa é a de que nos próximos 30 anos não tenhamos mais problemas”, destaca o síndico Francisco Romanucci. Sofia Macedo, por sua vez, ressalta que após 20 anos convivendo com o problema e realizando obras paliativas, o serviço com injeção combateu 250 pontos de infiltração. “Mesmo os condôminos que se mostravam mais céticos em relação à técnica, reconhecem hoje a eficácia do trabalho”, observa Sofia.

No momento de decidir pelo tipo mais apropriado de impermeabilização, o condomínio deve ponderar se pretende remodelar a área externa, o seu tamanho, se há muitos pontos de infiltração, além dos custos, observa o engenheiro químico Raul Ferrari, um dos introdutores do sistema de injeção no Brasil. A técnica de vedação por injeção não envolve quebra de superfície, mas somente pode ser aplicada em estruturas de concreto. A aplicação é feita de baixo para cima nos pontos de infiltração, utilizando-se uma broca de meia polegada para furar a laje e permitir que um injetor introduza um produto formado por dois componentes, um gel vinílico e um catalisador. Ele apresenta a viscosidade da água e conforme avança nas trincas e fissuras, num sentido inverso ao da água, o composto se consolida e forma um gel com 300% de elasticidade, vedando os caminhos por onde possa haver infiltração.

Manta asfáltica - No caso do Edifício Firenze, as obras de impermeabilização abrangiam uma área de 1.200 metros quadrados e havia ainda o interesse do condomínio em remodelar a área comum do prédio, com reformas do espaço de circulação, da churrasqueira e da quadra, remanejando uma parte desta para a implantação de um playground com grama sintética. O prédio, com cerca de 30 anos, apresentava problemas de infiltração havia uma década. No início, relata o síndico, apareceram pingos localizados e esparsos em alguns pontos da garagem e nos quartos de dispensa, ambos no subsolo. “As gestões anteriores apenas acompanhavam, mas não resolviam, porque dependiam de uma decisão da maioria em assembleia.” A necessidade de intervenção abrangia a área de circulação, esportes, churrasqueira e piscina. “Fomos protelando, porque sabíamos que ficaríamos um tempo sem a área de lazer, além do desembolso extra a ser feito. Estávamos preocupados com a relação custo versus benefício e em escolher uma empresa idônea e de qualidade. Assim, formamos uma comissão de moradores, que durante três anos pesquisou as empresas e o serviço a ser executado”, diz.

Conforme detalha o engenheiro civil Carim Atala Elmor Sobrinho, responsável pela obra no Edifício Firenze, foi utilizada manta asfáltica de 4 milímetros de espessura e estruturada com tela de poliéster e, no espaço da jardineira, um material antiraiz. Segundo ele, depois de dimensionado o trabalho e acertados custos e cronograma, o trabalho (de oito meses) envolveu as seguintes etapas: retirada da manta antiga, por meio da quebra da superfície; regularização do piso, “com caimento de 1% para o ralo, atendendo às normas técnicas brasileiras”; aplicação do asfalto líquido e vulcanização; teste de 72 horas com água; implantação de uma camada separadora (sobre a qual é feita uma proteção mecânica primária com cimento e areia, numa espessura de 1 a 1,5 centímetro); piso final.

“O trabalho exigiu o envolvimento do condomínio como um todo”, destaca Francisco Romanucci. O síndico lembra que durante o período da intervenção, os moradores, especialmente os engenheiros, checavam constantemente o serviço executado.

Injeção - Já a necessidade do Edifício La Paloma era justamente contrária ao do prédio da Mooca. Os condôminos precisavam resolver um problema drástico de infiltração no subsolo, mas não queriam mexer em boa parte da superfície, especialmente no jardim frontal do imóvel, tomado por um verdadeiro pomar, com pés de jaca, pêssego e manga. A superfície do La Paloma apresenta cerca de 2.500 metros quadrados. O edifício tem mais de 40 anos de construção, metade dos quais conviveu com a infiltração na garagem. “Vivíamos com calha aqui dentro para não manchar os carros”, relata Sofia, lembrando ainda que as paredes da garagem apresentavam mofo. “Mas os moradores não queriam enfrentar uma obra que quebrasse o térreo, por isso optamos por trabalhar todo o teto da garagem, de concreto, de baixo para cima”, diz.

A questão do custo também pesou na decisão do condomínio. Com a sua grande área externa, a impermeabilização por meio da injeção custou cerca de um terço do orçamento levantado para a substituição da manta e remodelação da superfície. A expectativa é que sua eficácia seja mantida por pelo menos quinze anos. Nem sempre, entretanto, a técnica de vedação por injeção tem um custo menor, lembra o engenheiro químico Raul Ferrari. “Depende da quantidade de pontos de infiltração”, completa. O trabalho levou quatro meses e pôde ser programado de forma a não inutilizar toda a garagem.

O Instituto Brasileiro de Impermeabilização recomenda aos síndicos, antes de escolher o tipo de obra a ser executada, a contratação de um técnico para o diagnóstico preciso e qualificado do problema. Além disso, “um projeto específico de impermeabilização, um prestador de serviço bem recomendado e a fiscalização constante do contratante são as três precauções básicas para garantir um serviço confiável”, sugere o órgão, em uma série de recomendações publicadas em seu site (http://www.ibibrasil.org.br/?pagid=projeto).

Matéria publicada na Edição 133 de março de 2009 da Revista Direcional Condomínios