Tudo no condomínio

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Nos condomínios repletos de serviços, comodidades facilitam a vida dos moradores.

É só descer até o térreo e está tudo lá: cabeleireiro, restaurante, lavanderia, até mesmo pet shop e escola, sem esquecer das inúmeras opções de lazer. O conceito de condomínios que oferecem facilidades para os moradores está cada vez mais difundido nas grandes cidades. Contando com diversos serviços dentro do condomínio o condômino economiza tempo, evita o stress com o trânsito e não se expõe a insegurança das ruas.

O Condomínio Ilha do Sul, localizado no bairro do Alto de Pinheiros, é precursor nessa tendência. O residencial, com seis torres reunindo 480 apartamentos, incrustadas numa área de 33 mil metros quadrados, reúne uma infinidade de serviços. O condomínio, finalizado em 1973, foi idealizado pelo engenheiro Yojiro Takaoka, que vislumbrou a possibilidade de construir um clube cercado de edifícios. 

Antonio Roberto Müller, síndico do Ilha do Sul, comenta que, com o passar dos anos, alguns dos serviços se transformaram. É o caso do teatro, com 225 lugares. “Quando foi construído, além do palco dispunha de cabine de projeção para filmes de 35mm. Depois dos primeiros vídeos cassetes e dos DVDs, esse equipamento não fazia mais sentido. Hoje, o teatro é utilizado principalmente para festas e apresentações dos alunos dos nossos cursos”, conta o síndico. Há casos em que houve adaptações, atendendo ao gosto dos moradores. Müller lembra que a sala com cinco mesas de snookers era muito grande, e os equipamentos nunca eram utilizados na totalidade. “Dividimos o espaço em dois. Um ficou com duas mesas de snooker, e criamos um auditório com 65 lugares, com ar condicionado, cadeiras estofadas e instalações para projeção. Ele é utilizado como cinema e também para reuniões e palestras”, diz. 

Administrar essa estrutura não é tarefa simples. O síndico explica que há uma preocupação em se proteger de eventuais problemas trabalhistas. O condomínio exige que todos os serviços terceirizados – restaurante, cabeleireiro e barbeiro – tenham seus funcionários registrados. Professores de educação física que utilizam as instalações da academia para aulas são contratados diretamente pelos moradores. Uma porcentagem é paga ao condomínio. Outro cuidado é garantir que os serviços oferecidos tenham um custo mais baixo do que os similares que se encontram no mercado. O valor do aluguel cobrado das empresas concessionárias é simbólico, mas todos arcam com as contas de luz e água. “Entendemos que o negócio deve ser viável também para o prestador de serviços”, afirma o síndico Müller.

Um dos diferenciais do Ilha do Sul é a escola de Educação Infantil. “Aqui, as crianças não precisam ir para a rua nem para ir à escola”, sustenta. A escola, que no início do condomínio funcionava mais como espaço de cuidados para bebês, atualmente é uma instituição de ensino legalizada, e conta com 15 professoras e uma diretora, todas funcionárias do condomínio. Carla Davidovich, moradora do Ilha há 12 anos, conta que seus dois filhos estudaram na escola, além de freqüentarem inúmeros outros cursos oferecidos no residencial. “Paga quem usa, o que é muito justo, e há facilidades para moradores de todas as idades. Aqui temos conforto e segurança. Não precisamos sair para ir à locadora, ao caixa eletrônico do banco, ao cabeleireiro”, comemora.

Em muitos condomínios da cidade, os serviços das áreas comuns valorizam os apartamentos. No Golden Towers, localizado no Morumbi, os 260 apartamentos dispõem de lavanderia, cabeleireiro e restaurante. Marli Almeida, gerente do condomínio, conta que há um ano o condomínio promoveu uma reforma no restaurante e substituiu o prestador de serviços. Hoje, o espaço só fecha às segundas feiras e mantém serviço de entrega para os apartamentos. No salão de beleza, a concessionária Cristina Vitorino atesta que o espaço é pequeno para a procura. “Atendemos até aos domingos se houver necessidade e se a cliente não quiser descer, nós podemos subir ao apartamento”, comenta. Uma lavanderia tem um posto de coleta no Golden Towers: as roupas são retiradas e entregues nos apartamentos por um funcionário da lavanderia. Há ainda um cinema, com programação de filmes sextas feiras à noite, e sábados e domingos em dois horários. “Alugo os filmes numa locadora e divulgo a programação por e-mail e nos quadros de avisos”, conta Marli, que ainda conta com a assessoria esportiva de uma empresa especializada na área do fitness.

A síndica Ana Josefa Severino Pereira é outra fã das comodidades nos condomínios. Síndica do Piazza di Toscana, na Vila Alpina, ela tem incrementado os serviços oferecidos. O condomínio foi entregue pela construtora com salão de festas, espaço gourmet, sala de ginástica e espaço infantil. Numa área até então inutilizada, Ana criou o Espaço Mulher, com serviços de cabeleireiro. Depois, em mais um espaço disponível, foi a vez do Espaço Estética, onde uma esteticista realiza serviços como drenagem linfática, limpeza facial e massagem. Até pãozinho fresco é possível comprar no condomínio. Das 6h30 às 7h45 da manhã, uma padaria próxima vende pão no salão de festas. “O condomínio não ganha nada sobre a venda, mas os moradores ganham facilidade”, afirma a síndica.

Para Luiz Fernando Moura, diretor da construtora e incorporadora Brascan Residential, a tendência de serviços nos condomínios é irreversível, especialmente para os consumidores das classes A e B. “Fomos precursores do conceito condominium club, que se caracteriza por empreendimentos com áreas de lazer que vão desde as mais tradicionais, como fitness center, spa e Espaço Goumert, até as mais exóticas, como Espaço Mulher, Put Green (mini campo de golf), Redário, dog walk, Jardim Fogueira, entre outras. O objetivo é propiciar lazer e entretenimento sem sair de casa, com um verdadeiro clube dentro do condomínio”, conta. Num empreendimento da Brascan no Morumbi, o Villa Amalfi Resort Residencial, o conceito é diferente: “A idéia é oferecer um condomínio com um clube dentro do empreendimento.” O local, o Tirreno Club, oferece piscinas, lanchonete, sauna, spa, fitness center e salão de jogos. Nas demais áreas do condomínio, há pistas de skate e de bicicross, além do dog walk, para os animais de estimação. Tudo distribuído em 70 mil m2 de terreno. “O objetivo é fazer com que o morador viva como se estivesse em férias”, finaliza.

Matéria publicada na Edição Nº 131 em dezembro de 2008 da Revista Direcional Condomínios