Controle de Pragas: RATOS! ARGH!

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Ratazanas, ratos de telhado, camundongos. É possível encontrar ratos dentro dos apartamentos e das áreas comuns dos condomínios. Saiba os hábitos desses animais e como evitar sua indesejada presença.

Os Moradores de um apartamento no 2º andar de um prédio em Moema jamais irão se esquecer da visita que receberam certa noite: um rato. Sem que ninguém o notasse, ele entrou no apartamento pelo terraço, passando pela porta de correr e entrando na sala. Parou na cozinha, onde comeu uma pêra que estava em cima da pia. De volta pelo mesmo caminho por onde havia entrado, deixou seus rastros de fezes e urina, denunciando sua presença no dia seguinte, quando todos acordaram e o rato já havia ido embora. Eliana Fernandes Pavani Werneck, bióloga da empresa que faz o controle de pragas do condomínio, foi chamada e constatou: o animal provavelmente seria pertencente à espécie rato de telhado e teria facilmente entrado pelo apartamento subindo por um coqueiro do jardim. As folhas, bem próximas ao terraço, serviram de atalho para que ele alcançasse o apartamento.

Para evitar surpresas como essas, vale conhecer um pouco mais sobre os hábitos do rato e as espécies mais comuns encontradas na cidade. Segundo a bióloga Maria das Graças Soares dos Santos, coordenadora do Programa Municipal de Controle de Roedores de São Paulo, dados da Prefeitura mostram que, em 2007, 16% dos imóveis da cidade apresentavam sinais da presença de roedores. A taxa caiu, pois em 2005 cerca de 22% de imóveis tinham indícios de ratos. Essa queda aconteceu provavelmente pelo controle preventivo de roedores, realizado pela Prefeitura, que acontece em áreas com maior risco de ocorrência da leptospirose (doença infecciosa causada pela bactéria Leptospira presente na urina do rato). A doença, conforme Maria das Graças, tem uma letalidade em torno de 20%.

O uso de luvas é a condição mínima para garantir a saúde dos funcionários do condomínio em tarefas rotineiras de manutenção. “É necessário essa prevenção ao manusear, por exemplo, lixo úmido, ao limpar ralos, canaletas e grelhas com terra úmida, ou ainda ao desentupir caixas de gordura. Na lama a bactéria da leptospirose pode sobreviver. Pequenos machucados na pele servem de porta de entrada para essa bactéria”, esclarece. A especialista frisa que a bactéria se mantém viva apenas no ambiente úmido. “Quando a urina do rato seca, a bactéria morre”, diz. Ela recomenda a lavagem de pisos e ambientes onde podem ter circulado ratos com solução de água sanitária diluída a 2 a 2,5% (um copo do produto em um balde de 20 litros de água), deixando agir por cerca de 20 minutos. Deve se tomar cuidado ainda ao limpar as fezes do rato, já que ele urina e defeca ao mesmo tempo. “Muitas pessoas limpam as fezes sem cuidado por acharem que está seca”, completa.

O ideal, portanto, é prevenir efetivamente a presença dos roedores. Para isso, medidas essenciais devem ser tomadas. Maria das Graças comenta que algumas lendas rondam os ratos. Uma deles é que eles comem lixo. “Na verdade, o rato seleciona no lixo o que é aproveitável. Por ser um mamífero, ele escolhe o que vai comer”, afirma. Por isso, é fundamental não deixar sobras de comida em bom estado de conservação à disposição. Nos condomínios, as lixeiras são um dos pontos mais vulneráveis à presença dos ratos. Esses locais devem ser fechados ou telados (as telas metálicas são as únicas que os ratos não conseguem roer; é indicada uma malha de 6 mm). O lixo deve estar acondicionado em sacos plásticos ou em latas com tampas. As lixeiras devem ser limpas periodicamente e o lixo nunca deve ficar diretamente em contato com o solo. Outras dicas são nunca jogar o lixo a céu aberto nem em terrenos baldios e dispor o lixo na rua apenas na hora que o coletor passa para recolher.

Os ratos são animais de hábitos noturnos. “Eles têm dois horários de pico de suas atividades: às 22 horas e às 2 horas da manhã, quando saem para acasalar e procurar comida. Durante o dia, eles dormem o mais próximo de onde conseguem comida. Num raio de 30 a 50 metros eles procuram água limpa, que pode ser a do cachorro, do tanque, do passarinho. Outra lenda dos ratos é que eles andam até um quilômetro procurando alimento”, orienta Maria das Graças. Conforme a bióloga, o rato precisa de alimento, abrigo e água para sobreviver. Portanto, deve-se dificultar que ele encontre no ambiente suas fontes de sobrevivência. O abrigo para dormir geralmente são locais pouco utilizados, como quartos de despejo, repletos de livros, revistas ou material de construção. Se o condomínio possuir locais como esse, recomenda-se limpeza freqüente. Forros de gesso utilizados para rebaixar tetos, que criam vãos de 20 a 30 centímetros, também servem como abrigo. Já os ratos de esgoto constroem seu próprio abrigo, cavando tocas no jardim, comunicadas através de uma rede de túneis. A entrada da toca são buracos com oito a 10 centímetros, em locais com vegetação densa e alta, o que dificulta a visualização do esconderijo. A bióloga explica que os camundongos (10 vezes menor que as outras espécies) procuram viver na cozinha ou despensa, atrás da geladeira ou do fogão. “Como as fezes do camundongo são pequenas, as pessoas tendem a confundi-las com as das baratas”, aponta. Os camundongos costumam entrar nos apartamentos através do transporte passivo, ou seja, em caixas de compras.

Já para impedir a entrada do rato de telhado, uma das recomendações é a poda de galhos de árvores próximos às varandas, já que ele consegue dar saltos de até um metro. Outra habilidade do rato de telhado é escalar paredes com vegetação tipo unha de gato, ou paredes mais ásperas, como as revestidas com tijolo aparente, ou ainda subir por calhas. Colocar anteparos em vãos de portas também é prudente: vãos com um a dois centímetros já são suficientes para a passagem de um rato adulto, informa a bióloga da Prefeitura. As habilidades dos ratos de esgoto, conhecidos como ratazanas, são caminhar com facilidade pela água. “As ratazanas são espécies fisicamente mais fortes do que os ratos de telhado e os camundongos. Andam pelo subterrâneo da cidade e podem entrar numa residência até mesmo pelo vaso sanitário”, aponta.

Limitar a oferta de alimento, água e abrigo reduz significativamente a infestação de roedores. “Recomendo vigilância sempre, incluindo medidas adequadas de manejo do lixo e de descarte de alimentos. O rato é comodista, ele quer comodidade de encontrar o que precisa”, sustenta Maria das Graças. Porém, o controle de pragas periódico também é indicado. A bióloga aconselha que o síndico procure empresas com o registro em dia no Centro de Vigilância Sanitária do estado. “Empresas sem registro implicam em risco para os usuários. Desconfie ainda da idoneidade de empresas que dão orçamentos sem ir ao local para verificar a infestação. A empresa deve também informar o nome do produto aplicado para saber como proceder em caso de acidentes”, arremata.

Matéria publicada na Edição 129 de outubro de 2008 da Revista Direcional Condomínios.