No Dia Internacional da Mulher, nossa homenagem às Síndicas - Um jeito especial de administrar os condomínios

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As mulheres ocupam hoje os mais diferentes espaços da vida contemporânea – inclusive os condomínios. Chefiam famílias, escolas, empresas, prefeituras, Estados e até a Presidência. E nos condomínios exercem uma liderança marcada pela grande disponibilidade em melhorar a qualidade de vida e a funcionalidade dos serviços e sistemas. Além, é claro, de apostar em uma mudança, para melhor, dos padrões de relacionamento e convívio humano.

Nesses 16 anos da revista Direcional Condomínios, pioneira na cobertura especializada do segmento, muitas dessas síndicas foram grandes colaboradoras, nos ensinando sobre as particularidades e os imensos desafios que envolvem essa coletividade.

Barulho, cachorro, gato, papagaio, intervenções indevidas nas fachadas, lixo atirado pelas janelas, vagas de garagens transformadas em depósitos, portas de elevadores presas com papelão à espera que todos se arrumem para sair.... enfim, o brasileiro ainda está aprendendo a dividir um espaço coletivo e, elas, as síndicas, têm deixado grande contribuição para esse desenvolvimento.

A seguir, breves depoimentos de algumas síndicas que se tornaram inestimáveis fontes-parceiras da Direcional Condomínios.

Edição: Rosali Figueiredo

Ana Josefa Severino Pereira – Graduada em Engenharia Civil, é síndica há quase 9 anos do Condomínio Piazza Di Toscana, na Zona Leste de São Paulo, e se profissionalizou na função

Já entrei como síndica no condomínio, há oito anos e cinco meses. Mas estou no cargo de síndica há 14 anos e meio. No Piazza, minhas três principais realizações foram a criação do Espaço Mulher, a implantação das festas de confraternização e do hábito de promovermos a decoração padrão no Natal. Mas temos ainda que fazer uma boa coleta de reciclagem de lixo. E a maior gratificação pessoal e profissional trazida pela função é que cada elogio, para mim, torna-se muito gratificante. Pois é muito difícil lidar com pessoas, em que cada uma tem um pensamento. Mas com fé e carinho resolvemos todos os problemas!

Ângela Merici Grzybowski – Fotógrafa, é síndica do Residencial Maresias há quase dez anos, em Perdizes, na zona Oeste de São Paulo. Também se profissionalizou na função

Antes de ser síndica, fui conselheira e depois subsíndica. Acho importante que a pessoa comece a conhecer como funciona o condomínio como conselheiro ou mesmo subsíndico antes de se candidatar a síndico. Estou no cargo há seis anos e meio, período em que coloquei o condomínio e as contas em ordem. Quando assumi, o valor da taxa mensal era relativamente alto e o prédio estava abandonado. Depois, por quatro anos não precisei aumentar a taxa e consegui colocar tudo em dia, inclusive pintar o prédio. Hoje a taxa é justa, o condomínio está em dia, tem dinheiro em Caixa e aplicado, e o valor mensal é baixo para a região.

A unidade está bem valorizada no mercado, o tempo de venda e locação é rápido, temos fila de espera para locação.

Acho que serei lembrada por colocar ordem na casa, revolucionar o condomínio, organizando e "impondo" certa disciplina. No início as pessoas estranharam, depois perceberam as vantagens disso, as coisas funcionam, quem sai daqui sente falta da nossa organização.

Mas há sempre o que se fazer em condomínio. A modernização dos elevadores e a reforma das churrasqueiras são nossos maiores e mais caros desafios.

Sobre a gratificação pessoal e profissional, não se consegue agradar a todos, mas já ouvi de várias pessoas comentários positivos. O mais recompensador foi de uma condômina que desistiu de vender sua unidade, pois ao procurar algo para comprar, se deparou com condomínios muito diferentes do nosso, administrativamente falando, bem menos organizados. Segundo ela, deixavam muito a desejar, o que a fez desistir de sair daqui.

Cleusa Camillo –Síndica há seis anos do Condomínio Edifício Alvorada, localizado no bairro da Liberdade, região central de São Paulo

Em março de 2013 completo a 3ª gestão como síndica, completando seis anos. De tudo o que fiz, se destacam a melhoria do prédio e a honestidade de minha gestão. Mas ainda há muita coisa para fazer, como a impermeabilização do térreo (estamos com infiltração na garagem do subsolo). E a gratificação pessoal fica por conta dos elogios que recebo pelo que estou fazendo e a profissional pelo aprendizado.

Cybele Belschansky – Militar aposentada da Aeronáutica, fonoaudióloga, artesã e apreciadora de culinária, é síndica desde 2010 do Condomínio Edifício Residencial Jupiá, localizado no bairro Santa Teresinha, zona Norte de São paulo

Fui Conselheira e subsíndica antes deste segundo "mandato", ou seja, já participo da administração desde 2008, quando retornei ao Condomínio (era proprietária mas não morava). Estou como síndica desde junho de 2010. O que se destaca em minha gestão é a transparência na administração, o cuidado com os recursos materiais e a retomada de obras de urgência que haviam sido deixadas de lado ("cobertas com um cobertor, para que ninguém visse o estrago"). Meu condomínio precisa de MUITA manutenção, pois este ano completa 40 anos e ainda há obras necessárias, como uma cobertura entre os dois blocos que compõem o Condomínio e a readequação/relocação de quatro vagas de garagem que estão inadequadas (atrapalham a circulação quando ocupadas). No momento, estou consertando trincas nas áreas externas de lavanderia, que estão causando infiltrações nos apartamento. Depois disso, aí sim virão as obras de valorização estética e de lazer. A gratificação pessoal e profissional que sinto é a certeza de estar fazendo o meu dinheiro (como moradora) e a dos demais condôminos ser empregado de maneira racional e funcional, melhorando meu lar. Apesar de apenas 36 unidades habitacionais, as pessoas deste Condomínio são, na maioria, individualistas e pouco participam das ações comuns. Alguns até sabotam a administração, outros chegam a dizer que a única obrigação é pagar o condomínio e não vão às reuniões, depois comentam sobre o preço do condomínio. Embora tenhamos sempre deixado aberta a todos os moradores a oportunidade de apresentarem orçamentos e ideias para abater os custos, ninguém o faz. Hoje conto com um ótimo subsíndico e dois Conselheiros bem centrados, que participam.

Fernanda Parnes Teixeira – Síndica há dois anos do Edifício Residencial Indiana Garden, localizado no bairro do Butantã, zona Oeste de São Paulo

Fui subsíndica durante 10 anos e em março completa dois anos como síndica. Entre minhas principais realizações no prédio estão a impermeabilização, que está sendo feita, a reforma da churrasqueira e a mudança do sistema de segurança. Mas quero mudar o sistema de elevadores, colocar gerador, trocar as janelas do prédio.... A maior gratificação é que eu consigo me dar bem com todos, tanto com os funcionários como com os moradores. Tento fazer o melhor, estou sempre presente, isso que ajuda.

Mariza Carvalho Alves de Mello – síndica profissional em três condomínios. Mas chegou a comandar sete condomínios, entre eles o Athenas Garden, onde reside, na Vila Clementino, zona Sul de São Paulo

Sou síndica desde 1977, só que não no mesmo condomínio. Nunca fui subsíndica, mas cheguei a fazer parte do conselho. Minhas principais realizações são executar as reformas necessárias sem sobrecarregar o condomínio e promover a mudança de atitude dos funcionários no tratamento com os condôminos. Quero sempre o melhor para os condôminos. E minha maior gratificação, tanto no lado pessoal quanto profissional, é saber que estão satisfeitos com meu trabalho.

Nelza Gava de Huerta – Síndica há 15 cinco anos do Condomínio Edifício Maison Du Rhone, localizado no bairro de Campo Belo, zona Sul de São Paulo

Estou no cargo há 15 anos e entre minhas principais realizações estão as intervenções no jardim, poço artesiano, caixas de reuso de água, troca de todas as colunas (recalque, agua pluvial, esgoto e gás), além da modernização do salão de festa e hall social. Mas o prédio ainda está todo em obras, continua em andamento a reforma do salão de festa, hall Social e de serviço, e do acesso para cadeirante. Os próximos trabalhos serão na guarita, entrada social e de serviço, churrasqueira e academia. O que fazer a mais pelo condomínio? É continuar com todo esse processo de modernização. A maior gratificação vem pelo reconhecimento dos condôminos.

Rejane de Albuquerque - Síndica há quase 20 anos do Condomínio Edifício Ana Carolina, localizado no bairro de Santana, zona Norte de São Paulo

Assumi como síndica em 19 de outubro de 1993, portanto há 19 anos e 4 meses. Fui conselheira na gestão do síndico anterior. Um das grandes realizações no período foi a realização do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), o que significou colocar toda a infraestrutura de incêndio em ordem. Também destaco a implantação da reunião de integração na recepção aos novos moradores, onde explico o funcionamento do condomínio, faço o cadastro destes com telefones de emergência e dou esclarecimentos de dúvidas sobre as normas e regulamentos. Promovi ainda reformas nas instalações de energia elétrica, de gás, implantei demonstrativos do cálculo do valor do condomínio e, principalmente, agora estamos com reformas: na impermeabilização das lajes das áreas de estacionamento; do piscinão para conter as inundações constantes neste período de verão; da nova guarita; e dos novos portões de veículos e pedestres. Implantamos a copa e vestiário para os funcionários e o salão de ginástica. Agora falta toda a parte do paisagismo e da jardinagem, já que a atual vai ser retirada para a impermeabilização da área de laje.

Rosana Candreva – Síndica há quatro anos do Condomínio Camburi, localizado na Vila Mascote, zona Sul de São Paulo

Antes de assumir como síndica, fui do conselho. Este é o quarto ano no cargo. Três de minhas principais realizações no período foram a reforma completa de cozinha, dos banheiros e salas para os funcionários; a reforma da calçada nos moldes da Prefeitura, com desenho e cores; e, e agora, além da regulagem da válvula de pressão que poderia ter estourado (e eu desconhecia), vamos falar de algo leve: lancei moda na minha região, sou a síndica das orquídeas. Comecei a amarrar orquídeas nas árvores que ficam na calçada, no jardim. Elas estão florindo, lindas, um charme. Tem gente que para na calçada ao caminhar e fica observando as flores. Já tem outros condomínios adotando, gostoso, não é? Mas há muito que fazer pelo condomínio, como acertar o problema da garagem: a construtora ficou com vagas na garagem, que teoricamente não podem ser utilizadas. Contratei uma arquiteta especializada e iremos juntas para uma reunião com a construtora, para definitivamente resolver essa pendência. Vou ainda fazer um curso de síndica profissional, para melhorar a cara das reuniões. Minha maior gratificação pessoal e profissional é ver o lugar onde moramos em ordem. É muito bom ainda promover a participação da subsíndica e do conselho, com moradores, e o relacionamento humano, essa parte, que é tão "delicada" , fluindo é o melhor.