Condomínios e vizinhança: impactos

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Um olhar para a cidade

Retrofit, organização do tráfego local de veículos, reciclagem do lixo, reuso da água, paisagismo integrado a um bom projeto com grades intercaladas aos muros, e muito mais: os condomínios podem contribuir para a qualidade de vida em sua região.

O sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi - SP) acaba de lançar, em conjunto com a Fundação Dom Cabral, de Minas Gerais, a “Pesquisa de Indicadores de Sustentabilidade no Desenvolvimento Imobiliário Urbano”, fornecendo indicadores a serem adotados pelos diferentes agentes que atuam no segmento. O estudo dedica um capítulo especial aos “usos e operações” dos condomínios que impactam sobre a qualidade de vida do seu entorno e sobre o meio ambiente. Conforme propõe o documento, o reaproveitamento de águas pluviais gera economia benéfica não apenas para o bolso dos condôminos, mas para a disponibilidade do insumo na região. Por outro lado, um bom sistema de drenagem contribui para diminuir transbordamentos em épocas de chuva. Também o retrofit é citado, “como forma de contribuir à renovação e preservação das áreas urbanas”. A lista é extensa e inclui biodiversidade, índice de arborização, ilhas de calor, energia, poluição sonora e do ar, produção e coleta de lixo, comunicação visual urbana, entre muitos outros.

“Há necessidade de os condomínios mexerem o mínimo possível com o ambiente, o que envolve, por exemplo, menor consumo de energia e água, reuso e tratamento de esgoto”, afirma Geraldo Bernardes Silva Filho, diretor de Sustentabilidade de Condomínios do Secovi. Os parâmetros da “Pesquisa de Indicadores”, segundo ele, foram definidos para as novas edificações, mas o sindicato iniciou estudo voltado aos condomínios já estabelecidos, o que deverá estar concluído em 2012. “A ideia é entrar com medidas e mostrar o mínimo de eficiência que os equipamentos disponíveis no mercado devem apresentar”, afirma o diretor. É o caso da descarga de um e dois fluxos, dos arejadores nas torneiras, das lâmpadas incandescentes e fluorescentes, ou seja, das soluções que as empresas apresentam para a economia, diz Geraldo. O diretor lembra que o brasileiro consome água em dobro por apartamento em relação à Europa. Portanto, está na hora de mudar, de “ferir o mínimo possível o meio ambiente”, o que, por extensão, pode gerar outros benefícios, como a queda do custo condominial e a valorização do imóvel.

PAISAGEM, RUAS VIVAS E SEGURANÇA

O arquiteto Luiz Frederico Rangel, ligado à AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura), destaca que os impactos dos condomínios sobre uma rua ou bairro envolve também “a poluição aérea, que gera desconforto e sombra”. Luiz Frederico se refere ao adensamento de quarteirões inteiros por grandes empreendimentos, que se isolaram do espaço público e se transformaram em minicidades. “Temos hoje ruas e quadras inteiras somente de muros altos, como se formassem túneis a céu aberto”, descreve. E o pior reflexo que isso pode trazer é sobre um dos itens mais caros aos condomínios e moradores das grandes cidades: a segurança. “As ruas têm que ter vida, ser ocupadas por uma miscigenação de usos, pois quando permanecem desertas, geram violência.” Luiz Frederico sugere que os condomínios substituam seus muros altos por gradis vazados, aliviando um pouco uma paisagem que se tornou “muito agressiva”. Outra proposta é utilizar ao máximo a infraestrutura local de serviços e comércio.

Em um balanço que faz dos pouco mais de dez anos de implantação do Residencial Guignard, na zona leste da Capital paulista, o síndico Maurício Jovino acredita que o condomínio venha, de certa forma, atendendo ao quesito da sustentabilidade em muitas de suas ações. Com sete blocos e 140 apartamentos, cerca de 600 moradores, o Guignard implantou a individualização da água, a coleta seletiva do lixo e do óleo de cozinha, além de equipamentos economizadores de energia. Promoveu ainda o plantio de árvores e o reuso da água. E partirá agora para uma obra mais ousada, já aprovada em assembleia, e que poderá melhorar o impacto sobre o trânsito do seu entorno. Orçada em R$ 350 mil, será promovida uma grande remarcação das vagas de garagem, construção de outras trinta e eliminação de dois dos quatro portões de acesso à rua. Segundo Jovino, atualmente as vagas são presas e mal organizadas, o que chega a conturbar o trânsito na via pública. “Estamos planejando até vagas para visitantes, de forma a minimizar o impacto sobre o tráfego interno e externo”, finaliza o síndico.


Matéria publicada na Edição 161 - set/11 da Revista Direcional Condomínios.


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