Homenagem: Zelador “faz tudo” resiste ao tempo

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Aposentado e com 62 anos, Enoque Reis Freitas continua na ativa e fazendo toda diferença na rotina do Edifício Juruá, assim como Giovani Justino de Souza, de 38 anos, no Edifício Itacema. Ambos dão expediente em seus condomínios há 18 anos e comemoram o Dia do Zelador em 11 de fevereiro.

Da conferência da luz piloto na cobertura à observação dos reservatórios de água nos subsolos, compete aos zeladores orientar ou mesmo realizar um tour periódico em todos as instalações e pavimentos das edificações, rotina essencial para a manutenção e o funcionamento dos condomínios, analisa Carlos Alberto Santos, consultor em gestão de riscos prediais. A função demanda o pentefino constante e exige desses profissionais muita persistência aliada à paciência. Mas não tem jeito, uma de suas missões é esta mesmo, a de “evitar problemas futuros”.

Para Enoque Reis Freitas, que chegou ao Condomínio Edifício Juruá há 18 anos como porteiro, no Morumbi, o trabalho de zelador deve estar pautado em um planejamento mensal de tarefas, contemplando a vistoria sistemática do prédio (da casa de máquinas dos elevadores, bombas d’água, portões, luz de emergência, portaria etc.). Ele coordena ainda uma equipe de quatro funcionários (portaria, limpeza e manutenção), controla a locação do salão de festas e zela pelo regulamento, descreve a síndica Maria Isabel Sarno de Oliveira.

Nada escapa ao olhar do zelador, que ajuda a identificar vazamentos, sugere reparos e dá sugestões nas obras. “Sr. Enoque conhece todos ‘os buracos’ por onde passam os canos no prédio, tem iniciativa, e é isso o que um síndico precisa desse profissional. Uma pessoa em que se possa confiar, que tenha jogo de cintura e saiba lidar com as pessoas, que trabalhe junto, esteja atento aos problemas e tome providências, constituindo sobretudo uma relação de lealdade”, completa Maria Isabel.

Enoque reconhece que um zelador jamais conseguirá agradar a todos, mas precisa do respaldo dos gestores do condomínio, já que muitas de suas posturas atendem às normas internas, de disciplina. Cabe a ele, por exemplo, garantir que os moradores do Juruá não deixem roupas penduradas nas janelas e varandas.

Ele reside com sua família em casa própria e dá expediente no condomínio de segunda-feira a sábado, das 7h às 15h20. E prefere assim, para recarregar as baterias e conscientizar os moradores de que o zelador não é um “plantonista” que está à disposição 24h.

Mas para Giovani Justino de Souza, pai de um bebê e de uma menina de 9 anos, morar no Condomínio Edifício Itacema é indispensável, já que ele se define como um “faz tudo”. Giovani está no prédio há 18 anos, começou como porteiro e há muito é zelador, onde acompanha a manutenção e limpeza, cobre folga de porteiros, monitora obra, programa a agenda dos prestadores de serviços, entre outros. “Aqui, os síndicos praticamente somente assinam papel”, ilustra. “Tem que fazer um pouco de tudo. Até defunto já tirei de apartamento!”

O expediente de Giovani no prédio de 40 anos, localizado no Jardim América, vai de segunda-feira a sábado, entre 7h e 16h. Não raro, porém, ele tem que acudir moradores em seu almoço ou descanso noturno. E mesmo férias já foram suspensas para cobrir a portaria. O segredo para garantir uma boa relação com todos é “procurar ter postura para que eles possam te respeitar”, acredita Giovani, que já possui casa própria no Jardim Planalto, zona Leste de São Paulo. “Vida de zelador é assim, ele nunca sabe se continuará no cargo com as mudanças de síndicos!”

Matéria publicada na edição - 198 de fev/2015 da Revista Direcional Condomínios