Responsabilidades

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O engenheiro eletricista e mecânico Duílio Moreira Leite sentiu na própria pele o descaso dos condomínios em relação às instalações elétricas. O prédio em que mora teve a energia cortada pela Eletropaulo por não ter realizado as reformas solicitadas pela concessionária. Com a interferência do engenheiro, o condomínio deixou a parte elétrica em ordem e teve o problema resolvido. “Os condôminos acham que as reformas de elétrica são caras. Para meu espanto, logo depois desse fato, uma assembléia no meu prédio aprovou rapidamente a reforma do salão de festas, que tinha um valor muito mais alto do que a elétrica”, conta Duílio.

Segundo o especialista, prédios construídos há mais de 20 anos estão com as instalações elétricas no fim da vida. “As cargas aumentaram, já que hoje existem muito mais aparelhos elétricos. O resultado é o aquecimento dos condutores e a deterioração da isolação”, diz. De acordo com Duílio, se um acidente for causado por falha na instalação elétrica, o engenheiro que fez o projeto e assinou a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) será responsabilizado civil e criminalmente. Se o síndico chamou alguém não autorizado, ele próprio será o responsável. Duílio lembra do incêndio no Edifício Joelma, causado por um eletricista que instalou indevidamente um aparelho de ar condicionado.

Para o engenheiro Milton Lucas, que durante 23 anos trabalhou na Eletropaulo, é importante que os condomínios solicitem um estudo de carga a uma empresa especializada. “Através do estudo de carga podemos avaliar o dimensionamento elétrico de uma edificação”, explica, ressaltando que o procedimento é necessário tanto para prédios novos como antigos. Em caso de carga excessiva, o aquecimento dos fios prejudica sua condutibilidade e resistência de isolação, causando também a perda de energia ao longo dos circuitos. “Curto-circuitos podem ser gerados por sobrecargas e cargas ligadas inadequadamente no sistema”, completa. Vale lembrar que, segundo o Corpo de Bombeiros, as instalações elétricas inadequadas são a segunda causa de incêndios no Estado de São Paulo.

São Paulo, 3 de novembro de 2009