O mercado do GLP junto aos condomínios: tendências, armazenamento, segurança e modernização

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O presidente do Sindigás, Sergio Bandeira de Mello, que representa o segmento do GLP, apresenta a seguir, em entrevista à Direcional Condomínios, um balanço da expansão do mercado de Gás Liquefeito de Petróleo de uso nos domicílios residenciais e aborda a modernização dos serviços nesta área.

Direcional Condomínios – Há previsão de quantos condomínios sejam atendidos pelo GLP no município de São Paulo? O segmento discute estratégias para sua expansão?

Sergio Bandeira de Mello - Não existem dados sobre quantos condomínios são atendidos em São Paulo, mas é importante frisar que mesmo em áreas em que o gás natural é ofertado abundantemente, o gás LP ainda tem presença predominante no segmento residencial, pois independe de uma rede especial de distribuição e está sempre à mão do consumidor, já que pode ser entregue de forma ágil e rápida em qualquer local.

As estratégias de expansão do setor estão ligadas ao desenvolvimento de alguns usos além da cocção, como aquecimento de água para o banho, máquinas secadoras de roupas, sistemas de ar condicionado movidos a gás LP, além de outros equipamentos, inclusive churrasqueiras das varandas gourmet.

O setor enxerga oportunidade de incrementar os volumes de vendas a partir da substituição gradativa do chuveiro elétrico no banho e da redução no uso da lenha na matriz energética residencial - que abastece 32% das residências brasileiras – de acordo com dados da EPE (Empresa de Pesquisa Energética do MME – Ministério de Minas e Energia).

O uso em larga escala de chuveiros elétricos é um anacronismo, pois os sistemas de fornecimento e distribuição de energia elétrica estão saturados e as restrições ambientais para novos projetos de construção de usinas hidrelétricas são cada vez mais rígidos. O Brasil precisa urgentemente olhar para outras formas de aquecimento de água para banho. Recentemente o MME lançou um selo de eficiência energética para edificações comerciais, residenciais e de administração pública. Essa categorização de A a E, igualmente usada em eletrodomésticos, em breve deve ser mandatória.

Em relação à lenha, não se trata daquela certificada e corretamente extraída e tratada, mas sim a que é coletada no lixo ou nos restos de feiras. Esse tipo de lenha emite alta quantidade de fuligem e de gases de efeito estufa. De acordo com Organização Mundial de Saúde (OMS), a chamada indoor pollution (poluição dentro de casa) mata mais de 1,6 milhão de pessoas anualmente. Essa fuligem causa, entre outros males, asma, bronquite e pneumonia, entre tantos outros.

Direcional Condomínios – O segmento do gás, de forma geral,  observa tendência à individualização dos serviços de medição nas unidades autônomas. No GLP como isso está acontecendo?

Sergio Bandeira de Mello - A busca pela medição individualizada está em expansão no País. Em 2011 foram comercializadas 7,1 milhões de toneladas de gás LP no Brasil, sendo 2 milhões no formato a granel. Ressalto que as mais de 47 mil revendas de gás LP espalhadas por todo o Brasil também estão sempre prontas para apresentar soluções individualizadas ou centralizadas para os condomínios.

Direcional Condomínios – Esses equipamentos precisam ser certificados pelo Inmetro e atender a alguma norma ABNT?

Sergio Bandeira de Mello - Os equipamentos são certificados e devem atender aos requisitos mínimos estabelecidos na norma NBR 13.128 – medidor de gás tipo diafragma para instalações residenciais — determinação das características — método de ensaio.

Vale lembrar que para leitura e faturamento do valor consumido, os veículos tanques que comercializam gás LP a granel possuem um sistema de medição, aprovado compulsoriamente pelo Inmetro, conforme Portaria nº. 265/2009.

Reitero que a instalação de uma central de gás exige afastamento, ventilação e acesso adequado ao tamanho e à capacidade de armazenamento. As revendas ou distribuidoras de gás legalizadas sempre apresentarão um laudo ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) assinado por um engenheiro. O síndico deve exigir esse laudo.

Direcional Condomínios – Qual o tamanho do mercado do GLP em São Paulo?

Sergio Bandeira de Mello - Não temos dados porcentuais, mas acreditamos que é um mercado com potencial de crescimento. Os botijões (de 13 kg, 5, 7 e 8 kg) representam 85% a 90% das vendas residenciais.

Direcional Condomínios – Ainda sobre os medidores, a que especificações técnicas mínimas os síndicos devem estar atentos para que haja confiabilidade nos dados coletados?

Sergio Bandeira de Mello – É essencial que os síndicos conheçam a frequência de medição e os métodos de aferição do consumo. Cabe destacar que existem dois tipos de fatura, a individualizadas ou a do condomínio, cuja cobrança pro rata deve ser feita entre as unidades familiares, de acordo com os medidores individuais de cada uma delas.

Direcional Condomínios – Como deve ser feita a leitura e/ou transmissão desses dados: via rádio ou leitura visual pelo funcionário da empresa? Ou ambas as possibilidades?

Sergio Bandeira de Mello - As duas formas são viáveis.A leitura é realizada visualmente por um funcionário da distribuidora ou do condomínio.

Direcional Condomínios – Com a proibição em São Paulo da presença de botijões de GLP (nos apartamentos, os condomínios devem armazenar cilindros com o gás em áreas comuns: como devem ser essas áreas para efeitos de segurança tanto do condômino quanto dos técnicos que manipulam a reposição  desses cilindros?

Sergio Bandeira de Mello - O manuseio de gás LP é uma das fontes de energia mais seguras, mas destacamos três cuidados essenciais:

Manuseio do GLP

  1. 1. Fique atento a qualquer indício de vazamento

Cheque frequentemente se instalações, mangueiras, equipamentos (fogões, aquecedores, secadoras etc.) estão em perfeito estado de funcionamento. Datas de validade devem ser observadas e só utilize equipamentos certificados pelo Inmetro.

  1. Se o vazamento já estiver em curso, é fundamental que o gás se dissipe para a natureza

Por isso é importante que equipamentos, mangueiras, botijões, tanques, cilindros, e baterias de cilindros estejam instalados em locais com ventilação mínima, distantes pelo menos 1,5m de ralos ou bueiros e com fácil acesso em casos de emergência. Vale lembrar que se o gás LP vazar em local arejado, ele se dissipa sem causa quaisquer danos à natureza. O gás LP é atóxico, mas é asfixiante e por isso deve estar concentrado em local confinado.

  1. 3. Sentindo cheiro, chame quem entende

O gás LP é dotado de um odor peculiar e facilmente identificável. Ao detectar qualquer cheiro, feche as válvulas, amplie a ventilação não forçada do local, desligue as fontes de ignição (como interruptores ou outros equipamentos eletroeletrônicos) e chame a revenda ou distribuidora de gás ou os bombeiros.

Direcional Condomínios – Como devem ser as instalações elétricas nas proximidades dessas áreas?

Sergio Bandeira de Mello - Os recipientes da central de gás LP devem ser instalados em áreas que permitam a circulação de ar, distantes 3 metros de fontes de ignição. Os equipamentos elétricos e a iluminação da área da central de gás LP, quando necessária, devem ser instalados atendendo à classificação de área de risco (nos itens 5.11.4 e 5.11.5 da NBR 13523, relativa à Central de Gás Liquefeito de Petróleo - Gás LP), estando, quando aplicável, de acordo com as normas ABNT 5636, 5418, 5419 e 8447. Se houver dúvida, consulte o Sindigás ou uma revenda/distribuidor.

Direcional Condomínios – Como devem ser as instalações para distribuição desse gás em cada apartamento? Como deve ser a distribuição dessa tubulação e qual o  material apropriado para essa tubulação?

Sergio Bandeira de Mello - As instalações para distribuição de gases em cada apartamento devem seguir a norma NBR 15526 – Redes de distribuição interna para gases combustíveis em instalações residenciais e comerciais - Projeto e execução. Essa norma estabelece os requisitos mínimos exigíveis para o projeto e a execução de redes de distribuição interna para gases combustíveis em instalações residenciais e comerciais que não excedam a pressão de operação de 150 kPa (1,53 kgf/cm2) e que possam ser abastecidas tanto por canalização de rua (conforme ABNT NBR 12712 e ABNT NBR 14461), como por uma central de gás (conforme ABNT NBR 13523 ou outra norma aplicável). O gás deve ser conduzido até os pontos de utilização através de um sistema de tubulações, cujos materiais construtivos encontram-se estabelecidos na Norma NBR 13523, não sendo permitida a utilização de tubos e acessórios de ferro fundido cinzento.

Direcional Condomínios – Quais os benefícios do GLP para o usuário?

Sergio Bandeira de Mello - Primeiramente o gás LP é armazenável, não tem risco de interrupção de suprimento. Em situações recentes como tsunami no Japão, terremoto no Chile, chuvas na região serrana do Rio de Janeiro, tempestades em Santa Catarina, somente o gás LP não teve corte de suprimento e pôde ser rapidamente entregue, seja em caminhões, barcos ou até no “lombo” de burros.

Outra vantagem fundamental é que o consumidor conta com uma rede de 47 mil revendas e 23 distribuidoras que, pela própria questão concorrencial, são desafiadas a prestar serviços melhores. Assim, não é surpresa que o gás LP ou as distribuidoras e revendedoras (9 mil em São Paulo) não constem na lista dos 50 principais problemas e queixas dos consumidores, em todas as categorias, ranqueados pela Fundação Procon. A qualidade de serviço é absolutamente elevada.

Outra vantagem é o preço, sobretudo para uso doméstico. O gás LP é mais barato que o natural e a razão para tal é simples: o gás LP tem um modal de transporte mais barato do que o gás natural e não exige a instalação de complexas redes de distribuição. O gás LP chega em botijão ou é armazenado em tanques. Em São Paulo o custo final do gás LP chega a ser 50% menor do que do gás natural.

São Paulo, 13 de maio de 2012