Modernização de elevadores: Investimento na economia e segurança dos usuários

Escrito por 

O sonho de muitos síndicos de prédios com cerca de 20 anos ou mais é substituir as portas externas de eixo vertical dos elevadores (com acionamento manual pelo usuário) pelas automáticas de abertura lateral. Pois a síndica Maria José da Silva conseguiu a façanha: no processo de modernização dos 16 elevadores de seu condomínio, o Residencial Buena Vista, todas as portas do térreo vêm sendo trocadas, uma operação que serviu como um piloto da empresa contratada para os trabalhos.

Localizado no Capão Redondo, zona Sul de São Paulo, o condomínio possui oito torres entre 33 e 28 anos de idade, totalizando 400 unidades. Dois fabricantes distintos faziam a manutenção periódica das máquinas, mas a condição dos elevadores não atendia mais às necessidades dos moradores. Assim, há três anos foi contratada a modernização com outro prestador de serviço, orçamento que chegou a quase R$ 1 milhão.

A empresa concordou em incluir a substituição das portas térreas externas no projeto, uma inovação, o que tem gerado visita de outros síndicos ao local para conhecer o resultado. Maria José diz que acompanhou de perto todo o processo, chegou a manter contato direto com o fabricante das portas para se certificar de que tudo daria certo, pois as peças teriam que ser produzidas na medida certa. Atualmente, faltam dois elevadores para a conclusão dos trabalhos.

 

“Nós teríamos que fazer a troca das portas de qualquer jeito, mesmo que por outras de eixo vertical. Elas estavam enroscando no chão.” O condomínio apostou na mudança do tipo de abertura, o que deu certo não apenas do ponto de vista técnico, mas estético e de segurança também. Maria José lamenta apenas a inviabilidade econômica para a substituição das portas de todos os pavimentos, pois teria que comprar duas peças para cada um dos doze pavimentos das oito torres. De qualquer maneira, ela está satisfeita com o resultado do serviço no térreo.

De acordo com a síndica, a modernização foi sugerida pelas empresas que cuidavam da manutenção. “Chegamos a ficar um mês com elevador parado, convivendo com quebras muito frequentes e até três visitas do técnico em um mesmo dia.” Esses fatores, junto com o desgaste natural, a dificuldade de encontrar peças de reposição no mercado e a necessidade de reduzir o consumo de energia e baixar o custo da manutenção, levou o condomínio a encarar a modernização.

A síndica levantou orçamentos, visitou obras das empresas consultadas e fechou um contrato para três anos de trabalho. O condomínio preferiu modernizar um equipamento de cada vez, começando pelos elevadores de serviços. “O prazo acordado era de 90 dias para cada, mas fora o primeiro, que atrasou um pouquinho, os demais foram concluídos em dois meses.” Com o custo rateado em 36 parcelas entre os condôminos, Maria José combinou pagamento gradual com o prestador. Ela diz que 90% do contrato estão quitados.

Além da substituição das portas externas do térreo, a modernização incluiu a instalação de comando eletrônico com chamada inteligente, entre outros dispositivos. E o gasto com energia caiu 30%, contabiliza a síndica. Ela teve apenas um revés, a queima de uma placa de um inversor de frequência, ocasionada “por uma descarga elétrica num poste da AES Eletropaulo”. O condomínio, que não tem geradores, ficou 60 horas sem energia depois dessa ocorrência.

HORA DA REFORMA

Para o consultor Sérgio Rodrigues, engenheiro mecânico e técnico em eletrônica, as quebras recorrentes enfrentadas pela síndica Maria José são bem características do momento em que as manutenções periódicas corretivas não conseguem mais garantir a eficiência do elevador. Ele diz que se houver mais de seis chamadas anuais por paradas do equipamento, “é sintoma de que alguma coisa está comprometendo seu desempenho”. Além disso, a frequência de troca das peças antigas e a dificuldade de encontrá- -las configuram transtornos suficientes para convencer os condôminos da necessidade de modernização.

Sérgio Rodrigues destaca ainda que a manutenção dos equipamentos antigos é mais complexa e demorada. Soma-se a isso o desconforto da viagem, com trancos e solavancos gerados pelo desequilíbrio na aceleração e desaceleração da máquina. Por fim, a modernização acaba sendo imposta pela necessidade de se acatar algumas normas atuais de segurança, não apenas para o técnico que faz a manutenção, quanto do usuário. O guarda- -corpo sobre a cabina é item obrigatório, até mesmo de responsabilidade da manutenção, mas se não foi instalado, essa providência ficará a cargo da modernização.

 

O QUE MODERNIZAR

A concepção mecânica básica dos elevadores tem sido mantida ao longo do tempo, com suas polias, sistema de tração, motor, freio e redutores, itens que formam a máquina de cada equipamento. Quanto mais antigo, inclusive, mais robusto se torna o conjunto desde que tenha sido feita a manutenção adequada. A modernização usual visa à parte elétrica e eletrônica, afirma Sérgio Rodrigues. “Ela é o cérebro do elevador”, setor que evoluiu e que responde pelo conforto das viagens, a segurança e a economia de energia. “Ela é substituída 100%.”

A peça central desse novo cérebro é o inversor de frequência, o qual confere equilíbrio ao sistema, com a redução dos trancos de partida e ajuda no nivelamento do piso das cabinas com o pavimento (norma de segurança). O componente responde ainda por menor consumo de energia do elevador (cerca de 40%) e contribui para aumentar a vida útil das máquinas, elenca o consultor.

Mas Sérgio Rodrigues alerta que a inserção do novo componente exige que se instalem proteções contra as variações na rede elétrica. Ele observa que algumas modernizações foram realizadas em condomínios de São Paulo sem as proteções, tornando o equipamento mais suscetível aos picos de tensão e queda de energia. São elementos como chaves de proteção e dispositivos contra surtos, os quais podem ser acondicionados fora do comando do elevador, “em caixinhas instaladas na casa de máquinas”. “Hoje os quadros de comando não vivem sem essas proteções.”

Segundo Fábio Aranha, diretor do Seciesp e presidente da Associação de Elevadores do Mercosul, as empresas devem incluí-las no contrato de modernização. E explica: “Há várias situações de agentes externos elétricos que podem dar problemas no elevador. Um deles é o raio – claro que tem para-raios, mas às vezes há descargas que podem ser muito fortes, então existem riscos mesmo com essas proteções. Elas têm limites”.

Ele diz que as ocorrências mais comuns de queima do inversor acontecem na volta da energia, depois de uma queda. “Ela retorna com uma tensão mais alta. A própria legislação fala que a tensão não pode oscilar mais que 7%”, observa. Uma alternativa é o síndico incluir na modernização um temporizador que retarde o reinício da operação do elevador após o restabelecimento da energia. “Ele protege para essa situação, mas não para todas possíveis variações elétricas que possam ter.”

Quanto à cabina, a modernização preserva boa parte da estrutura, do chamado gabinete, exceto se tiver madeira infestada por cupins. A atualização ocorrerá em seus componentes internos, como botoeiras, corrimãos etc., diz Sérgio Rodrigues. Aqui entra a necessidade de se adequar o equipamento às normas de acessibilidade e a alguns itens de segurança (Reportagem sobre o assunto será publicada na edição de junho da revista Direcional Condomínios).

AJUSTES FINAIS

Mesmo que componentes das máquinas tenham sido preservados na modernização, é indispensável que os técnicos façam um ajuste dos freios e guias, entre outros, destaca Rodrigues. Esse trabalho final garante a segurança, pois evita que os elevadores desçam com as portas abertas quando estão com carga total, ou que haja impacto de componentes da cabina nos de pavimento, ocorrências que ele tem visto com alguma frequência.

 

Matéria publicada na edição - 201 de mai/2015 da Revista Direcional Condomínios

Não reproduza o conteúdo sem autorização do Grupo Direcional. Este site está protegido pela Lei de Direitos Autorais. (Lei 9610 de 19/02/1998), sua reprodução total ou parcial é proibida nos termos da Lei.