9 de junho, Dia do Porteiro: À caminho da especialização

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Em homenagem ao Dia do Porteiro, comemorado em 9 de junho, a Direcional Condomínios revisita o papel que esses profissionais exercem atualmente junto a condomínios cada vez mais complexos. O setor demanda aperfeiçoamento contínuo, além da tradicional atenção e dedicação.

A presença de mulheres como porteiras de edifícios comerciais e residenciais indica que, definitivamente, os condomínios estão mudando de perfil, assim como a própria sociedade. No entanto, as transformações registradas na profissão extrapolam questões de gênero e entram no campo da expertise tecnológica e comportamental. Afinal, o porteiro contemporâneo controla, simultaneamente, aparelhos de aberturas dos portões; alarmes; chamadas de rádio, de telefone fixo, da central de monitoramento, celular e de vários interfones (para as unidades, as áreas comuns e os acessos sociais e de serviço dos pedestres). Ao mesmo tempo, acompanha um monitor com imagens geradas por cada uma das câmeras do prédio, faz cadastro de prestador de serviço, tirando fotos e conferindo documentos, e recebe correspondências e encomendas.

O porteiro representa um verdadeiro “filtro do prédio”, define a síndica profissional Mariza Carvalho Alves de Mello. É o caso de uma de suas mais recentes contratações, Maria Lúcia de Lima Santos, que exerce com esmero e profissionalismo tamanho desafio. Ex-gerente predial e ex-recepcionista de condomínio comercial, Maria Lúcia atua em um residencial de alto padrão localizado próximo ao Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Fez curso de qualificação para a função, escolhendo o cargo por causa da disponibilidade proporcionada pela jornada de 12 horas de trabalho por 36 de folga, o que lhe permite cuidar dos assuntos pessoais e familiares. Maria Lúcia tem 45 anos, duas filhas e um neto e, de acordo com Mariza Carvalho, demonstra que as mulheres vêm apresentando a firmeza necessária para cumprir com todas as exigências da profissão.

A porteira trabalha durante o dia em uma guarita blindada com oito interfones, quatro aparelhos para liberação dos portões de acesso ao condomínio, telefone do monitoramento, além do fixo, celular e rádio. Precisa ficar atenta ainda ao cadastro dos prestadores de serviços, aos veículos de moradores (visualizados e identificados em equipamento próprio), ao monitor do CFTV e aos alarmes perimetrais. E deve registrar toda movimentação em um diário. Mas não se queixa, pelo contrário: “Para mim, a profissão de porteira foi a melhor coisa que aconteceu, porque possibilita conciliá-la com a vida pessoal”, reforça. O único senão fica por conta das escalas que caem aos domingos, dia em que o tempo parece demorar um pouco mais para passar, explica Maria Lúcia.

Quando contratada, ela recebeu treinamento durante uma semana do zelador Paulo Alves dos Santos, ele próprio casado com outra porteira, Maria Aparecida Raimunda da Silva, de um residencial na mesma região. Paulo Alves se apoia em algumas ferramentas de gestão, como as avaliações mensais da equipe, para dar o devido feedback aos funcionários (todos próprios, sendo duas mulheres na função). Ele anota tudo em planilhas (assiduidade, cumprimento de horário, postura pessoal, relacionamento interpessoal e desempenho na função); orienta, aprova ou corrige falhas. Sobre Maria Lúcia, o zelador afirma que está aprovada como profissional “caprichosa, detalhista e disciplinada com as normas”.

Segundo o administrador de condomínios Marcelo Mahtuk, que costuma selecionar candidatos aos prédios que atende, a atual geração se encontra mais bem preparada que os antigos porteiros. De maior nível de escolaridade, eles apresentam melhor domínio de ferramentas tecnológicas. Pelo menos, ressalva, aqueles que procuram o emprego como oportunidade de se estabelecer e não como mero trampolim para outros tipos de trabalho, em especial os contratados diretamente pelos condomínios.

TRABALHO EM EQUIPE

Outra mudança reside na inserção do profissional como parte de uma equipe maior de segurança. No Condomínio Portal da Cidade, localizado no bairro do Morumbi, zona Sul de São Paulo, Iailton Ferreira de Araújo supervisiona seis funcionários durante toda a noite, dos quais três porteiros (além disso, há um líder e rondistas). Ele conta ainda com um folguista. Já a turma do dia totaliza nove trabalhadores, para atender às necessidades do empreendimento de oito torres, 328 unidades e extensa área social e de lazer. De acordo com Iailton, “hoje os porteiros interagem mais”, têm “mais qualidade”, são treinados e se comprometem com o emprego, pelo menos boa parte da equipe do Portal, alguns com mais de dez anos de serviço no local. O próprio Iailton está há quase duas décadas na equipe de segurança do condomínio, compondo já parte de sua história.

PROFISSIONAL NOTA 10

Habilidades e atributos comportamentais exigidos de um candidato ao cargo de porteiro (a)*:

- Ter postura profissional: Agir como funcionário do condomínio e não do morador;

- Ser responsável, comprometido e manter atenção permanente, especialmente os que trabalham no turno da noite;

- Ter disciplina;

- Ser educado, cordial, prestativo e atencioso, mas não servil. O porteiro não deve perder de perspectiva as normas do condomínio, que são prioritárias;

- Saber escutar, se comunicar, mas ter discrição;

- Ter iniciativa e ser proativo, adotando medidas em caso de emergência, por exemplo;

- Demonstrar agilidade e poder de decisão: Um porteiro atende simultaneamente a diferentes demandas;

- Apresentar flexibilidade e bom humor, principalmente no trato com crianças, adolescentes e idosos.

“Esse seria o porteiro dos nossos sonhos”, arremata Mariza Carvalho. A síndica ressalva, no entanto, que o profissional deve saber que conta com apoio dos gestores (síndico e zelador), ou seja, ele precisa ter esse respaldo, além de acompanhamento e feedback diário.

*Fontes: Mariza Carvalho, Marcelo Mahtuk, Maria Lúcia de Lima, Maria Aparecida da Silva, Iailton Ferreira e Paulo Alves

Matéria publicada na edição - 202 de jun/2015 da Revista Direcional Condomínios

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