Renovação estética dos elevadores: Aposta na valorização dos imóveis

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Cena comum em São Paulo é o visitante chegar a um condomínio bem localizado, bonito, com hall social amplo, áreas ajardinadas, unidades confortáveis, fachadas revestidas, mas se surpreender negativamente com a demora do elevador e com viagens cheias de solavancos e paradas bruscas. Contrastando com o bom estado geral do prédio, os elevadores denunciam que nem tudo anda bem no quesito da manutenção local. Boa parte desses problemas é resolvida através da modernização dos comandos elétricos e eletrônicos, entre outros. Mas a empreitada demanda também a atualização estética dos componentes da cabina, formando um conjunto mais harmonioso com a edificação.

A síndica Mila Fernandes Rocha, do Condomínio Edifício Sucre, localizado em Santa Cecília, acompanha a fase final da modernização de ambos os elevadores do empreendimetno erguido em 1967. Com 16 andares e 32 unidades, o edifício apresenta concepção de fachada moderna e passa por um programa de reformas gerais, iniciado em 2013 e previsto para um período de cinco anos. O elevadores representam um dos carros-chefes dos investimentos.

“Contratamos uma modernização técnica e mecânica, substituímos o comando a relê pelo eletrônico e trocamos até mesmo os cabos de aço, que estavam desgastados. Estamos fazendo agora as mudanças nas cabinas, não apenas por uma questão estética, mas para adequá-las às normas de acessibilidade”, afirma Mila Fernandes. Os investimentos em toda reforma totalizam R$ 160 mil, foram aprovados em assembleia geral extraordinária e rateados em 18 meses. As botoeiras internas e externas dos elevadores já estão modernizadas, acentuando a obsolescência das paredes revestidas em fórmica. Elas cederão lugar ao aço inox escovado, assim como o piso receberá granito novo e o espelho, em meia altura, dará lugar a um de corpo inteiro. A ideia é “ampliar a sensação de espaço dentro da cabina”. As portas internas já foram substituídas por modelos em aço.

Segundo Mila Fernandes, é importante observar que as novas botoeiras internas, pela sua posição e componentes embutidos (como comando de voz, intercomunicadores etc.), adequam o condomínio às normas de acessibilidade. Outra adaptação recai sobre os ventiladores; os antigos foram descartados por um sistema mais seguro. Por fim, as paredes externas contíguas às portas dos elevadores nos halls do térreo receberão novo acabamento. Da cabina original, restará apenas a estrutura de madeira, robusta e em bom estado.

A síndica acredita que toda modernização, incluindo o embelezamento, reverterá em valorização patrimonial dos apartamentos. Com área útil superior a 100 m2 e localizados em um dos pontos mais descolados do bairro de Santa Cecília, os imóveis poderão ganhar um upgrade no valor de mercado, acrescenta. Mila Fernandes lembra que os próprios condôminos vinham se queixando do “desconforto estético” proporcionado pelos “elevadores feios e defasados”. Porém, a síndica diz que o fator preponderante para a remodelação completa das cabinas foi a necessidade de adequá-las à acessibilidade.

MUDANÇAS

O consultor Sérgio Rodrigues orienta que, em geral, a modernização da cabina envolve os componentes internos. Engenheiro mecânico e técnico em eletrônica, Sérgio ressalva que as estruturas, na maioria em madeira, devem ser trocadas somente em caso de infestação de cupim. Entre os componentes, a principal propriedade agregada ao elevador está na melhora da funcionalidade, a exemplo dos intercomunicadores embutidos na botoeira, além da identificação sonora e visual do pavimento. E se o condomínio quiser dar um toque a mais de sofisticação, poderá escolher o sistema de codificação de chamadas, em que somente o usuário, mediante senha, consegue acessar o seu pavimento. Mas Sérgio Rodrigues chama atenção para a baixa funcionalidade de modelos de botoeiras touch, que, apesar de bonitas e modernas, podem falhar na sensibilidade e na hora de indicar as coordenadas da movimentação do elevador.

Quesito fundamental para a acessibilidade de alguns elevadores, o espelho deve ser incorporado por todos, recomenda o engenheiro, lembrando que isso permite ao cadeirante fazer manobras, usando-o como referência. Os espelhos, no entanto, precisam ser “inestilhaçáveis”, ressalva. O corrimão completa a lista de recursos de acessibilidade.

ALERTA IMPORTANTE

Depois que um condomínio conclui a modernização, ele precisa ficar atento aos ajustes finais dos sistemas de operação dos elevadores com o novo peso da cabina. “Nos elevadores do Edifício Sucre, a empresa que fez as intervenções na parte mecânica e eletroeletrônica promoverá ajustes, pois a parede em aço inox deixará a cabina mais pesada”, justifica a síndica Mila Fernandes. De acordo com o engenheiro Sérgio Rodrigues, durante as reformas, revestimentos mais modernos costumam ser instalados sobre os antigos, o que, somado ao corrimão, espelho, guarda-corpo e piso, gera um sobrepeso equivalente ao acréscimo de três passageiros na cabina, ou seja, de cerca de 200 kg. “Isso tem que ser compensado no contrapeso”, assevera.

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ANTES & DEPOIS DO RESIDENCIAL BUENA VISTA 

A modernização dos 16 elevadores do Residencial Buena Vista, no Capão Redondo, deu novo perfil à ambientação dos halls sociais de suas oito torres. Além de maior segurança e conforto aos usuários, a repaginação dos equipamentos estimulou a remodelação dos espaços. Assim, conforme as estruturas antigas têm sido substituídas, são providenciados serviços de alvenaria e pintura para o arremate em torno das novas portas e renovação de toda área. A síndica Maria José da Silva iniciou os trabalhos de reforma geral dos elevadores em março de 2012, a um custo próximo a R$ 1 milhão e prazo total de três anos. As mudanças foram radicais, incluindo a substituição das portas externas de eixo vertical do hall térreo por automáticas de abertura lateral.

Por Rosali Figueiredo (Texto e fotos)

Matéria publicada na edição - 202 de jun/2015 da Revista Direcional Condomínios

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