Férias, Confraternizações & Pontos de Encontro: Vida social no condomínio

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A expansão dos condomínios nas cidades estimula novos tipos de relações sociais nesses ambientes e amplia laços de amizade. Festas como o Dia das Crianças ou o Halloween, neste mês, ganham cada vez mais adeptos e alguns residenciais já têm pontos de encontros semanais de happy hour.

O Censo Demográfico de 2010 indicou que a cidade de São Paulo possuía, no início da década, 1,8 milhão de apartamentos e que o crescimento desse tipo de moradia cresceu 43% no País nos primeiros dez anos do atual século. Considerando-se a média de 3,3 pessoas residentes por domicílio, apurada pelo IBGE, a Capital teria hoje pelo menos seis milhões de moradores em condomínios. “Em geral, são empreendimentos com áreas comuns de lazer e entretenimento, tema bastante relevante em uma cidade como São Paulo. É uma população que tem o desejo de usufruir destes lugares de forma saudável, sossegada e segura”, analisa o advogado Michel Rosenthal Wagner, pós-graduado em questões de vizinhança e sustentabilidade, autor de livro sobre o assunto.

“A boa relação se dá através do convívio presencial nestas áreas, e quanto mais os encontros são ocorrentes, mais este conjunto de ocupantes constrói uma comunidade de vizinhança”, reitera o especialista. No Condomínio Paradiso Vila Romana, empreendimento com ampla área de lazer localizado na Vila Romana, zona Oeste de São Paulo, crianças, adolescentes, jovens e adultos usufruem de diversos momentos de encontro, como o “rachão” (futsal) dos homens às segundas-feiras à noite, o churrasco às quartas-feiras, o vôlei entre as mulheres, bazares periódicos, os almoços aos sábados e domingos no bar da piscina, e as festas de Carnaval, Páscoa, Junina, Halloween e Réveillon.

Parte das atividades é organizada pelas moradoras Cíntia Costa e Silva, conselheira, e Fátima Cardosi, esposa do síndico, que neste mês de outubro estão preparando o Halloween; outras acontecem pela mobilização dos próprios moradores, mas estão sempre abertas a novos participantes. “Procuramos envolver todo mundo, principalmente as crianças, são muitas”, afirma Cíntia.

Desta forma, a monitoria de férias é contratada nos meses de julho e janeiro pelo condomínio. Afora isso, pais se organizam para pagar professores para as aulas semanais de futsal e tênis. Já nas confraternizações coletivas, o condomínio de três torres e 168 unidades chega a formar grupos de dança de quadrilha nas festas juninas, entre outras iniciativas que têm grande adesão.

“Os eventos favorecem a amizade, são importantes para que as pessoas se conheçam e tenham conforto e segurança de estar entre amigos dentro do próprio condomínio”, observa Fátima. O espaço formado pela academia, piscinas e o bar, próximo das quadras e da churrasqueira do Paradiso, adquire contornos de praça e chega a receber até 90 pessoas simultaneamente num final de semana ensolarado e quente. “Cria-se um ambiente acolhedor e saudável, forma-se uma identidade maior das pessoas com o condomínio, o que as leva a cuidar desses espaços com carinho, como a própria casa”, arremata Cíntia.

HAPPY-HOUR NA BARRACA DO PASTEL

No Condomínio Collina Parque dos Príncipes, empreendimento-clube de 51 mil m2 localizado no Rio Pequeno, zona Oeste de São Paulo, a área é tão extensa e rica em equipamentos que a síndica Maria Estela Bicudo planeja contratar um serviço de monitoria permanente para esses ambientes (já fez experiência num final de semana com recreação de crianças e pais, em atividades coordenadas pela equipe de Caroline Gaudio, que comanda empresa especializada em acampamentos há 25 anos).

Implantado em uma região de pouco comércio, com seis torres e 448 apartamentos, o Collina resolveu oferecer outras comodidades aos moradores, como serviços de tosa e banho de animais através de um petmóvel, delivery de carnes, salão de beleza permanente, sessão de cinema e uma feira livre. Esta acontece às sextas-feiras, entre 11hs e 22hs, e encerra com happy hour nas barracas de pastel e doces. Ou seja, o que era conforto acabou se transformando em novos ambientes de integração. A ideia agora é formar uma comissão de lazer para potencializar o uso das áreas comuns. “Os grupos que se formam no condomínio são os de pais com filhos, esse é o ponto de partida para que se realizem outras atividades de interação”, diz Maria Estela. Neste mês de outubro, o condomínio promoverá a festa das crianças.

A comemoração também está na agenda do Condomínio Edifício Realeza, empreendimento de duas torres localizado na Penha, zona Leste de São Paulo. No Realeza, o síndico Gerson Fornari conta com o auxílio de dez a doze mães voluntárias, que se mobilizam para dividir as tarefas. Gerson voltou ao cargo de síndico no ano passado, depois de um intervalo de oito anos. Nesse período fora, o condomínio perdeu o gosto pelos encontros coletivos, “o ambiente ficou mais burocrático, frio”, observa. Ao reassumir, promoveu a festa das crianças de 2014, com ajuda de custo dos fornecedores do condomínio. Este foi o ponto de partida para que as mães voltassem a se mobilizar em torno das demais datas comemorativas, como o Natal e o Carnaval. “É um jeito de integrar as pessoas”, aponta Gerson. “Em um condomínio, é preciso ter mais noção do que é viver em comunidade, as pessoas devem se abrir mais para as relações sociais”, opina.

Segundo o advogado Michel Rosenthal Wagner, a própria realização de encontros coletivos contribui para gerar uma “cultura de convivência entre os vizinhos”. Mas assim como nas cidades, Michel Wagner destaca a necessidade de que haja “normas balizadoras dos usos e costumes dos integrantes” e que o compartilhamento sirva para “ver, ouvir, e conversar”. “Assim são construídas estas situações, pressupondo incômodo zero aos não frequentadores.” O advogado acha positivo que os síndicos busquem atender a este tipo de demanda, “bem como oferecê-la para que se construa uma comunidade participante e usuária destes espaços, com civilidade e maturidade cidadã.”

Fotos: Rosali Figueiredo

 

Matéria publicada na edição - 206 de out/2015 da Revista Direcional Condomínios

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