Condomínio, também “lugar de educar”

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Os síndicos podem “fazer a diferença” no processo de sociabilização e amadurecimento das crianças e adolescentes ao promoverem atividades coletivas, acredita a psicopedagoga e palestrante Jane Patrícia Haddad. Mestre em Educação e autora de livros na área, Jane atuou por mais de 20 anos em escolas como professora, coordenadora pedagógica e diretora.

A principal questão apresentada pela revista Direcional Condomínios à educadora é se, da mesma forma como a família representa o “primeiro ambiente de aprendizagem da criança”, o condomínio exerceria alguma influência sobre esse processo. Segundo ela, os condomínios funcionam como “extensões da casa, da família” e, como tal, “devem estimular a convivência entre todos”. “Em um mundo pautado pelo medo, eles podem assegurar um espaço de segurança, composto de pessoas que exerçam sua autoridade com afeto junto às novas gerações. Todo espaço é lugar de educar e garantir que nossas crianças e jovens possam sentir-se mais humanos e acolhidos”, afirma.

Jane Patrícia sugere, inclusive, que os condomínios definam agendas culturais mensais, incluindo sessões de contação de histórias, de apresentações de peças teatrais etc. “Torneios por idade também são sempre muito bem-vindos, pois representam situações em que os mais velhos podem ter o papel de juízes, guardiões. O importante nesses ambientes é envolver as pessoas ao máximo e sempre delegar responsabilidades.” No caso, ela sugere a formação de comissões de moradores das mais diferentes faixas etárias. “Os pequenos podem e devem se envolver com questões relativas a bolas, parquinhos etc. Já os maiores, os adolescentes, podem ficar responsáveis pelas quadras, festinhas. E, os adultos, pelos horários, a segurança etc. Mas cada comissão deve ter um representante, para que se reúnam a cada bimestre e, juntos, verifiquem o que está caminhando e o que deve ser revisto. É muito importante envolver a todos em um objetivo comum: o bem-estar do ambiente coletivo.”

A especialista reserva um papel especial aos pais para que esse tipo de iniciativa obtenha êxito entre os moradores. A eles cabe zelar para “um ambiente respeitoso, com regras muito claras, uma espécie de estatuto interno de convivência básica”. “Estamos passando por um mundo em transição e, quando isso ocorre, os valores também entram em transição. Portanto, o que é ‘valor’ para determinada família, nem sempre o é para outra. Todos devem zelar pelo bem-estar, é importante que mesmo os pequeninos tenham funções para ajudar no bom andamento do espaço.”

A educadora completa que as atividades coletivas apresentam “um valor pedagógico muito positivo ao incentivarem o espírito solidário de cada um”. “O importante é estimular sempre o caráter de solidariedade, mostrando que se deve colaborar com o grupo, e que o resultado será sempre o melhor que este conseguir. Vale ressaltar que em toda atividade alguns ganham e outros perdem, e o perder não tem nada a ver com o fracasso.”

Matéria publicada na edição - 206 de out/2015 da Revista Direcional Condomínios

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