Prevenção e combate a incêndio no condomínio: Mantenha sistemas e equipamentos operantes

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A funcionalidade e a operacionalidade dos equipamentos de combate a incêndio representam um dos principais quesitos vistoriados pelo Corpo dos Bombeiros nos processos de expedição ou renovação do AVCB. Desta forma, a síndica Agnes da Silva André tratou de colocar a casa em ordem para abrir os procedimentos de renovação do Auto de Vistoria assim que iniciou seu mandato no Condomínio Edifício Minás, em setembro de 2014.

De imediato, Agnes pôs em teste a bomba de incêndio do prédio, algo que não se fazia havia muito tempo no residencial de 44 anos e 48 unidades, localizado em Santana, zona Norte de São Paulo. Depois, ela partiu para ações de adequação e/ ou modernização dos sistemas, como a reforma da parte elétrica (fiação e cabine primária) e a troca de 27 extintores, de quatro a seis mangueiras (além dos bicos das demais) e da sinalização (instalou placas fotoluminescentes nas rotas de fuga e na identificação dos equipamentos, conforme norma atual).

Foram investidos R$ 45 mil, contabiliza Agnes, que também providenciou o laudo do para-raios e a reforma do hall social, tirando os lambris de madeira que revestiam as paredes. Ela espera que ainda neste mês de outubro o edifício esteja pronto para receber a vistoria dos Bombeiros.

Segundo o engenheiro de perícias e segurança do trabalho, Ayrton Barros, o Atestado de Sistemas, relativo aos equipamentos de combate a incêndio, figura como um dos documentos obrigatórios para o AVCB. De forma sucinta, ele apresenta, a seguir, providências básicas relativas a cada um dos itens que compõem essa parte da estrutura de prevenção e combate dos prédios:

1º - Nos hidratantes, o registro junto à caixa d’água superior deve permanecer aberto e a bomba de incêndio operacional;

2º - Nas mangueiras, é preciso fazer o teste hidrostático anual e garantir que seu armazenamento esteja adequado (“aduchadas”, ou seja, procedimento que junta ambas as pontas, enrola a partir do final e as deixa livres);

3º - Ainda nas mangueiras, o condomínio deve conferir sempre se os bicos estão adequados, íntegros e acompanhados de chave tipo Storz (tanto elas quanto os bicos são roubados com frequência dos armários dos hidrantes);

4º - Quanto aos extintores, a recarga deve ser anual e o teste hidrostático (verificação da integridade da carcaça) a cada cinco anos. O síndico precisa contratar empresa cadastrada na Prefeitura para o serviço e conferir se de fato foi realizada a recarga (que deve receber selo holográfico do INMETRO e anel colorido no gargalo do extintor). E, durante o processo, ele deve solicitar que a empresa instale extintores substitutos. O engenheiro desaconselha revezar o trabalho, quando se mantém os extintores em pavimentos intercalados;

5º - As portas corta-fogo devem estar íntegras, sinalizadas e reguladas para que fechem sozinhas. Elas não podem ser mantidas abertas ou trancadas a chave, “mesmo que por curto período”;

6º - Nas calçadas dos prédios, é preciso conferir o registro de recalque, equipamento que “os bombeiros utilizam para pressurizar a rede interna de hidrantes”.

Não raro, transeuntes roubam o engate rápido, uma peça em latão.

Ayrton Barros lembra também que os acessos a todos os equipamentos de combate a incêndio devem estar desobstruídos, assim como as rotas de fuga, essas devidamente sinalizadas, com placas fotoluminescentes; que a compartimentação vertical, onde ficam os chamados stop fire dos shafts de sistemas, como de elétrica e hidráulica, esteja com a estrutura íntegra, sem comprometimento (buracos); e que os para-raios sejam testados conforme nova norma, a NBR 5419/2015 (da Associação Brasileira de Normas Técnicas), a qual incorporou mais quesitos de avaliação de segurança.

EVITE ERROS

Abaixo, são demonstrados alguns equívocos ou acertos em fotos captadas em condomínios pelo engenheiro Ayrton Barros.

Matéria publicada na edição - 206 de out/2015 da Revista Direcional Condomínios

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