Meu condomínio está infestado de pragas, e agora?

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Devido às mais variadas características construtivas e localizações, diversos tipos de condomínios acabam sofrendo problemas com vetores e pragas urbanas. É possível observar nesses empreendimentos muitos locais que possibilitam o acesso e abrigo de diferentes tipos de pragas urbanas, além da disponibilidade de alimento, que pode ser encontrado de forma direta ou indireta por estes animais.

Além disso, a grande quantidade de pessoas que trabalham ou habitam um condomínio, aliada a diferentes comportamentos, também é fator que contribui de maneira decisiva para a instalação e permanência de uma praga no ambiente, possibilitando que essa infestação se espalhe para outras áreas.

Muitos desses animais indesejáveis acabam por chegar aos condomínios através de veículos de moradores ou de prestadores de serviços, que circulam pelas áreas internas. Em geral, a falta de cuidados adequados com o descarte de resíduos favorece a manutenção de infestações de baratas, roedores, moscas, formigas e outras espécies, que apresentam risco à saúde e ao bem-estar das pessoas.

Outro problema frequente é a infestação por cupins, que costuma aparecer tanto nas estruturas das áreas comuns, quanto nos apartamentos. Estas infestações, apesar de não oferecerem riscos de transmissão de doenças, acabam por trazer enormes prejuízos econômicos.

Já nos condomínios presentes em áreas rurais ou próximos de APP (Área de Proteção Permanente), animais silvestres acabam por aparecer e muitas vezes são confundidos com pragas urbanas, o que, dependendo da ação adotada, pode ser enquadrado nas leis ambientais no que diz respeito a maus tratos e conservação da fauna nativa. Desta maneira, é muito importante uma correta identificação do problema e definir com segurança as melhores ações para seu controle.

No caso dos vetores e pragas urbanas, os condomínios deverão estar atentos às melhores estratégias, em geral, contratando uma empresa especializada e qualificada para realizar o trabalho. Mas a escolha de uma empresa especializada no controle de pragas não é uma ação tão fácil de ser desenvolvida, uma vez que se estima que no Brasil existam em torno de seis mil prestadores de serviço no segmento, segundo dados da PHCFoco Consultoria.

Para uma empresa atuar na atividade, dependendo do seu Estado de origem, ela deverá estar vinculada a uma entidade sanitária e /ou ambiental, para obtenção de licença de funcionamento. Deverá apresentar ainda um responsável técnico, que poderá ser um Biólogo, Engenheiro Agrônomo ou Florestal, Médico Veterinário, Químico, ou demais profissionais habilitados pelo respectivo Conselho Regional para atuarem no controle de pragas. A própria empresa também deverá estar ligada ao mesmo conselho que representa o responsável técnico.

Na hora da contratação, além de verificar toda a documentação obrigatória para a prestação de serviço, é importante que o síndico confirme se a empresa está vinculada a uma associação de classe atuante na atividade, e se seus técnicos e demais colaboradores operacionais recebem treinamentos específicos. Estas medidas irão garantir que se tenha um adequado controle dos animais nocivos, sem ofertar risco desnecessário de intoxicação às pessoas e ao ambiente.

Muitas vezes, a utilização de colaboradores do próprio condomínio para a aplicação de produtos surge como uma solução para o controle, mas se observam inúmeros problemas decorrentes desta prática, desde casos sérios de intoxicações dos funcionários ou demais pessoas que circulam pelos ambientes tratados, até ações trabalhistas por desvio de função. Para orientar melhor a escolha do síndico ou do gestor predial, a APRAG disponibiliza o canal “Biólogo Solução”, que pode ser acessado através de seu site: www.aprag.org.br.

Matéria publicada na edição - 207 de nov/2015 da Revista Direcional Condomínios

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Sérgio dos Santos Bocalini

Biólogo, especialista em Entomologia Urbana e Vice-Presidente Executivo da APRAG (Associação dos Controladores de Vetores e Pragas Urbanas).
Mais informações: sergio@aprag.org.br