Fitness: Opções em manutenção para o seu condomínio

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Um coffee-break marcou em 2015 a inauguração da academia do Condomínio Edifício San Remo, benfeitoria que passou a ocupar a antiga casa do zelador. Com investimento de R$ 22 mil, a síndica Neusa Ortiz garantiu a repaginação do espaço, além da compra dos equipamentos e acessórios, ajudando a atualizar o prédio de 30 anos, situado na Vila Mariana, zona Sul de São Paulo.

Durante o período da garantia, de dois anos, os condôminos não terão que arcar com o custo da manutenção, observa Neusa, exceto em caso de quebra que não esteja coberta pelo fabricante. Desta maneira, o condomínio receberá apenas a visita programada dos técnicos, além de cuidar de procedimentos simples, como a limpeza semanal, a cargo do auxiliar de manutenção Eduardo Antonio Agostinho. “Ajustes de parafuso e da lona das esteiras são de responsabilidade do fornecedor”, afirma Neusa.

Porém, o boom de empreendimentos imobiliários nos últimos dez anos em São Paulo e Região Metropolitana encorpou o mercado de fitness, já que os novos condomínios chegaram com a academia montada, diferente do San Remo. Enquanto edifícios antigos correm para se adaptar, os mais recentes apostam no incremento desses ambientes, com a profissionalização dos equipamentos e contratos permanentes de manutenção, que acabaram fazendo parte da conta ordinária de cada mês.

Em geral, estes incluem visita mensal com ajustes do maquinário e, nas emergências, como quebras, fornecimento da mão de obra especializada (peças são cobradas a parte). “As academias precisam de manutenção periódica, programada, assim como um carro zero tirado da concessionária”, afirma o técnico Rógis Leme, que atua há 15 anos na área. Segundo ele, esse serviço promove regulagem, confere a necessidade de lubrificação e previne quebras. “Mesmo o prédio mais novo precisa da manutenção”, ressalta.

Mas além da explosão do número de prédios com academias, mudou também o perfil, “agora elas são mais profissionais e procuram dar maior conforto ao usuário”, observa o técnico. Para acompanhar as demandas do setor, o mercado também começou a apostar em novas modalidades de serviços aos condomínios. A síndica profissional Rosa Braghin, por exemplo, locou os equipamentos para substituir a antiga academia do Edifício The Point, em Moema, que era dotada de maquinários defasados e domésticos.

Foi celebrado contrato de dois anos, que deverá ser renovado, pontua Rosa. “Teríamos que fazer uma reforma nos antigos, além de bancar o custo da manutenção mensal. Por isso, na relação custo e benefício, achamos melhor contratar uma fornecedora de equipamentos profissionais dentro do sistema de locação. Tem sido uma experiência maravilhosa, pois os produtos são sempre ‘zero’, não temos custo extra e a manutenção está garantida”, avalia. Além disso, os equipamentos locados atendem ao perfil do morador do The Point, edifício de unidades de um dormitório que abriga pessoas mais jovens, viajantes e que vivem sós.

TIPOS DE CONTRATO

De acordo com Rodrigo Alves, empresário do setor, o tipo do contrato de manutenção deve acompanhar justamente o perfil da sala de ginástica e do próprio condomínio. Ele pode ser semanal, quinzenal ou mensal. Sua empresa faz levantamento de cada local “para saber qual contrato se encaixa melhor”, considerando o número de unidades do prédio, a quantidade de equipamentos cardiovasculares e de musculação, bem como o tempo de uso por dia e a média de usuários.

O contrato semanal, por exemplo, é aplicado a espaços dotados de quatro esteiras, três bikes, dois elípticos e cinco aparelhos de musculação, “com uso mínimo de oito horas diárias”, e em empreendimentos com mais de 195 unidades. O quinzenal, por sua vez, atende a uma academia com duas esteiras, duas bikes, um elíptico e três aparelhos de musculação, frequência de cinco a oito horas diárias, além de número de apartamentos variando de 45 a 194. Finalmente, a mensal é para um espaço e prédio menor, com no máximo cinco equipamentos (sendo duas esteiras e uma bike) e uso de duas a cinco horas diárias. Em sua carteira, predominam os contratos quinzenais. Rodrigo promoveu o desenvolvimento de um aplicativo que contém o histórico de intervenção em cada aparelho e faz a comunicação, em tempo real, tanto ao síndico quanto à sede da empresa, das necessidades de reparos e trocas de peças, entre outras informações.

Segundo ele, o pacote de uma manutenção preventiva deve contemplar os seguintes serviços:

  • • Desenvolvimento de checklist personalizado para procedimentos específicos a cada sala de fitness;
  • • Limpeza interna e externa dos equipamentos;
  • • Visita técnica, onde o cliente poderá escolher os dias da semana em que será atendido, fixados ao longo do contrato;
  • • Aplicação de aderente para correia de motor, para aumentar a durabilidade;
  • • Aplicação de lubrificante para rolamentos de cilindros;
  • • Aplicação de silicone fluído para lubrificação de mantas e decks;
  • • Instalação de parafusos, porcas e arruelas que estejam faltando nos equipamentos.

Ele diz que a vida útil de um aparelho (bike, esteira, estação etc.) pode chegar a doze anos caso tenha manutenção correta e procedência de qualidade (em geral, de fabricante nacional). “Cerca de 80% dos condomínios mantêm equipamentos inferiores e acabam substituindo-os depois de três a cinco anos de uso”, afirma. Caso optem por contrato permanente de manutenção (com ou sem troca de peças), haverá necessidade de substituir periodicamente apenas componentes que apresentam desgaste natural, como a manta da esteira (“a cada ano e meio”) e rolamentos do motor. “Se o síndico não fizer isso, irá sucatear uma esteira em cinco anos”, ressalta.

USOS E PROCEDIMENTOS

Para a síndica Rosa Braghin, o processo de manutenção deve incluir, ainda, uso adequado por parte dos condôminos. No The Point, o regulamento da academia fica exposto em um quadro na parede. Ela é aberta das 7h às 24h, somente pode ser frequentada por usuários acima de 18 anos (abaixo disso, eles deverão estar acompanhados pelos pais ou por um responsável adulto), trajando tênis e vestuário apropriado à prática da atividade física. Eventuais danos aos equipamentos são cobrados do morador, que poderá estar acompanhado de um personal trainer, desde que feita comunicação prévia ao condomínio. Cabe ao zelador “fiscalizar periodicamente a situação da sala”, conforme estabelecem as normas. Com isso, a síndica tem conseguido manter os aparelhos em ordem.

Matéria publicada na edição - 208 de dez/jan-2016 da Revista Direcional Condomínios

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