Acessibilidade: Meta de quem quer administrar para todos

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Pouco tempo depois de assumir o cargo no Top Village, a síndica Kelly Remonti assistiu a uma palestra da deputada federal Mara Gabrilli sobre acessibilidade. Foi uma tomada de consciência, o ponto de partida de um processo bem planejado, que resultou na entrega da primeira parte acessível do condomínio, agora em 2016.

 

Quem passa em frente ao Condomínio Top Village, em Alphaville, Região Metropolitana de São Paulo, sequer imagina que tenha havido no local mudanças recentes nos acessos de pedestres e veículos, com a construção, por exemplo, de rampa de acessibilidade. “A ideia era justamente essa, tornarmos o condomínio acessível, mas integrar o projeto harmoniosamente à fachada, mantendo as cores, o padrão estético do muro e o estilo do gradil”, destaca a síndica Kelly Remonti. “A obra se encontra incorporada ao prédio, como se o condomínio tivesse nascido assim”, comemora.

Tampouco as pessoas imaginam que entre a vontade inicial de transformar o Top Village em um condomínio acessível, e a conclusão da primeira obra decorrente disso, tenham transcorridos quatro anos. Esse foi o tempo que Kelly levou para se informar sobre a acessibilidade; convencer os condôminos da necessidade de adaptação; mobilizar uma comissão de obras; contratar, discutir, adaptar e, finalmente, aprovar os projetos; provisionar recursos; e executar a obra. Nesta última fase, passaram-se sete meses.

A rampa é o início das obras de adequação à acessibilidade no empreendimento residencial de três torres. Foi implantada agora dentro de uma repaginação mais ampla da área frontal do condomínio, tudo orçado em R$ 300 mil. Sua construção foi acompanhada de adequações nos portões de entrada de pedestres (que passaram a ter abertura de 80 cm), de novo muro e gradis na frente do edifício, e da instalação de dois novos portões na garagem, com sistema de clausura para veículos.

‘SACADA’ INICIAL

Em termos de acessibilidade, é apenas o começo, reitera Kelly. Ela pretende adequar o Top Village à Lei Federal da Acessibilidade (de no 10.048/2000) e ao Decreto-Lei que a regulamenta (de no 5.296/2004), bem como à norma ABNT NBR 9.050:2004 (da Associação Brasileira de Normas Técnicas). Essa determinação surgiu forte assim que a síndica assistiu, em 2012, a uma palestra da deputada federal e ativista Mara Gabrilli, que é cadeirante. Foi logo depois de assumir pela primeira vez o mandato no condomínio. “Isso me fez pensar o quanto o Top Village estava atrasado em relação às adequações de acessibilidade. Aí começamos a nos perguntar o que seria preciso fazer? Minha meta é administrar um condomínio acessível!”

PLANEJAMENTO É TUDO

Na palestra, Kelly Remonti estava acompanhada do zelador Fernando Justino, seu braço direito, que também se envolveu com afinco no processo. “Era preciso entender o assunto antes para observar onde o condomínio não era acessível. Fernando me ajudou a mapear isso, e depois passamos a discutir o assunto com os condôminos. Todas essas etapas fazem parte do planejamento, executar é a parte mais fácil”, ensina Kelly, profissional de gestão empresarial e consultora financeira.

Paralelamente, o zelador foi escalado para o treinamento “Porteiro Amigo do Idoso”, oferecido por uma instituição da área de seguros, para obter subsídios e orientar sua equipe no atendimento adequado a esse público. Fernando é quem atualiza o cadastramento dos moradores e percebe, a cada ano, o crescimento do número de pessoas acima de 60 anos residindo no local. “Hoje são 48. Mas temos ainda três cadeirantes. Começamos as adequações pela sequência lógica, ou seja, favorecendo a entrada de idosos e portadores de necessidades especiais”, afirma a síndica.” Ela diz que a chave de tudo é o planejamento. “Na construção de uma rampa, por exemplo, entram obras civis, de elétrica, hidráulica, serralheria e jardinagem. Tudo isso precisa estar previsto no projeto, para que na hora de orçar o serviço, as cotações sejam compatíveis.”

QUEM NÃO SE COMUNICA...

Também a comunicação é peça fundamental aos propósitos da gestão, ressalta. É importante na fase de convencimento e discussão através das assembleias, com o suporte de apresentações didáticas e bem documentadas dos projetos (no seu caso, em PowerPoint), assim como na afixação de informativos mensais nos elevadores e áreas comuns, dando conta da evolução da obra na fase de execução, dos gastos feitos e das etapas seguintes. Tudo acompanhado de argumentos bem embasados. Em relação à acessibilidade, Kelly diz que mostrou aos moradores que “se a lei está aí, em algum momento haverá um prazo para que os condomínios se adaptem”; portanto, por que não “começar a trabalhar para que não fique mais caro depois”?

Na sequência das adequações, o condomínio terá reformados os banheiros que atendem às áreas comuns (salão de festas e churrasqueiras) e, um pouco mais adiante, os acessos ao playground e à piscina. “Um cadeirante não consegue entrar em um banheiro das áreas comuns do Top Village, nem passa pela porta”, indigna-se Kelly Remonti. Um despropósito, mas que está prestes a acabar.

Matéria publicada na edição - 211 - abr/2016 da Revista Direcional Condomínios

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