Assessoria esportiva, pay-per-use, feiras livres, pet care... Serviços e facilidades transformam condomínios!

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A prestação de serviços aos condôminos dá o tom da moderna gestão dos empreendimentos residenciais. Ela atinge não apenas condomínios-clube, mas prédios tipo padrão que pretendem melhorar o conforto e bem-estar local.

A síndica Maria Estela Bicudo comemora a incorporação, pelo Condomínio Collina Parque dos Príncipes, no Rio Pequeno, zona Oeste de São Paulo, do serviço permanente de assessoria esportiva, aprovado em assembleia de moradores no final de 2015. Segundo Estela, a oferta de uma grade bem variada de aulas e atividades, de segunda-feira a sábado, se tornou fator decisivo na comercialização recente de duas unidades no empreendimento. Mas além da valorização imobiliária, a gestora sente-se aliviada porque o privilegiado espaço de 51 mil m2 do condomínio, dotado de inúmeros equipamentos de recreação e lazer, começou a ser utilizado com mais frequência pelos moradores.

“Hoje há maior integração entre eles, passamos a conhecer mais moradores, caíram também os atos de vandalismo nas áreas comuns, pois as pessoas passaram a cuidar mais”, afirma. Concebido como clube, o Collina possui seis torres e 448 apartamentos e disponibiliza aos condôminos serviços como salão de beleza e delivery de pet care e de alimentos congelados. “Para o síndico, isso representa mais trabalho, é algo a mais para você gerenciar, mas formamos uma comissão de moradores que participou do processo de definição e contratação da assessoria esportiva. O próprio morador ajuda”, completa Maria Estela, satisfeita com os benefícios alcançados e com um custo que está sendo rateado por igual entre todas as unidades: R$ 76,00 a mais no boleto mensal, com direito a aulas que se distribuem nos períodos da manhã, tarde e noite. Elas envolvem desde atividades mais tradicionais (como futsal, condicionamento físico, hidroginástica etc.), a balé, cinema, ginástica rítmica, lutas, pilates e zumba. Todas as faixas etárias estão contempladas pelo cardápio de aulas.

Já na Barra Funda, a síndica Cecília Helena Silva, do Condomínio Edifício Celebration, também com lazer completo, diz que os moradores preferiram outros serviços à assessoria esportiva. Com 400 unidades, o condomínio recebe semanalmente uma feira livre no estacionamento para visitantes e preparou novo espaço para aulas de dança e pilates. “Os condôminos não concordaram com o rateio do custo da assessoria entre todos; isso já foi apresentado em três assembleias”, explica. Assim, Cecília propôs criar um ambiente apropriado para a prática de zumba e ioga, entregue recentemente aos moradores.

Nesse caso, as próprias usuárias se organizam para contratar um profissional que lhes dê suporte, cadastrando-o junto ao condomínio. A prática tem sido comum, relata Anneth Trevisan, professora de zumba e personal trainer que atua em condomínios. Segundo ela, com a modernização dos ambientes de fitness nos prédios, os condôminos estão optando pelas aulas coletivas, tanto pelo “conforto de contarem com um serviço disponível no lugar em que moram”, quanto pelo preço, que chega a cair para “25% ou 20% do valor de uma aula individual”. A contratação é mediada pelos praticantes, que adquirem vouchers com direito a determinado número de aula, “sem necessidade de envolver o condomínio”. O crescimento de atividades monitoradas nos condomínios gerou a criação da Abaecon (Associação Brasileira de Assessorias Esportivas em Condomínios), entidade em fase de registro, segundo Marcelo Cáfaro, um de seus articuladores. O objetivo é “definir um recorte ético e programático para a atividade desenvolvida no interior dos condomínios, uma espécie de Manual de Conduta, para assegurar a qualidade dos serviços e a segurança contratual dos síndicos”, afirma.

TENDÊNCIA & RESPONSABILIDADES

“O condomínio de serviços é uma tendência”, avalia Marcio Bagnato, diretor de uma administradora. Inexiste, porém, um pacote padrão aos residenciais, mesmo àqueles caracterizados como “clubes”. Segundo Marcio, o cardápio disponibilizado corresponde ao perfil do morador e às necessidades do local. Por exemplo, há condomínios com o perfil do Collina e do Celebration que disponibilizam bar na piscina, mas isso não acontece em ambos. “É preciso escala de consumo para fechar a conta”, observa. Outros condomínios, com torre única e menos unidades, adaptam as melhorias ao seu tamanho. No Plaza Athenee, administrado pela síndica Ana Josefa Severino em São Caetano do Sul, o ponto forte está nos eventos voltados aos moradores, como um workshop de preparação de ovos de Páscoa, realizado no dia 5 de março pela chef Mônica Castro.

De acordo com Marcio Bagnato, o importante é que o síndico dose a responsabilidade que irá assumir mediante cada serviço ofertado. Ele propõe que se busque a terceirização de bares, salões de beleza, pet care e demais deliveries, de forma a “compartilhar responsabilidades”. “Caso o síndico opte por assumir integralmente os serviços, ele terá aumento de responsabilidade, de serviço, de custos e até do valor do seguro, será uma bola de neve”, alerta. “Ceder os espaços em comodato é melhor, porque se dividem as responsabilidades. De outra forma, mesmo que o espaço já tenha sido entregue para determinado uso [como salão de beleza], é importante aprová-lo em assembleia, incluindo os termos do contrato, como valores, tempo e demais condições comerciais”, orienta o diretor.

PAY-PER-USE EM NOVOS RESIDENCIAIS

Junto com o boom de condomínios-clube, as metrópoles brasileiras têm recebido dois outros tipos de residenciais: aqueles caracterizados como de facilities ou concierge, um conceito extraído da hotelaria, com recepção 24 horas, arrumadeiras etc.; e prédios com unidades compactas, em geral de uma suíte, dotados de serviços pay-per-use. É o caso do Augusta Hype Living, no bairro da Consolação, área central de São Paulo, em fase de implantação. Com 104 unidades de 34 m2, o condomínio incorporou ao lazer (composto por piscina coberta, fitness, sauna, lounge com espaço gourmet, salão de festas também com espaço gourmet e churrasqueira), uma lavanderia coletiva, além da opção de arrumadeira para as unidades e de locação de bicicletas e automóveis aos moradores.

“O empreendimento é voltado a um público mais jovem, dinâmico”, afirma o síndico profissional Orlando José, gestor do condomínio. O regulamento desses serviços está em gestação, a exemplo da lavanderia coletiva, que funcionará 24 horas por dia, mas delimitará um tempo máximo de uso de cada máquina até uma hora e meia. Não será permitido acionar dois equipamentos simultaneamente; o condômino deverá usar fichas, terá que preservar a limpeza do local e será vedada a presença de menores de 14 anos no ambiente, entre outras regras. Para serviços como arrumadeira e locação, a gestão deverá ser online, e o pagamento feito conforme o uso (pay-per-use). “A comunicação é o principal ingrediente desse processo”, arremata o síndico.

Matéria publicada na edição - 211 - abr/2016 da Revista Direcional Condomínios

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